Prosegur Crypto, Minos Global e Nuek, a unidade de pagamentos do grupo Indra, anunciaram nesta quarta-feira (22) uma aliança para desenvolver soluções de pagamento digital com stablecoins e tokenização de ativos na Europa e América Latina.
O acordo reúne custódia institucional, infraestrutura financeira cripto e tecnologia de pagamentos regulada, com o primeiro projeto operacional previsto para 2026.
Uma estratégia para Europa e América Latina: MiCA como alavanca
A Prosegur Crypto contribui com sua rede institucional de custódia de ativos digitais, que inclui quatro bunkers de armazenamento a frio em Andorra, Argentina, Brasil e Espanha. A Minos Global agrega competências em segregação de contas, gestão de transações e carteiras institucionais.
Já a Nuek oferece sua experiência tecnológica e infraestrutura de pagamentos regulada. Juntas, as três companhias pretendem construir projetos que integrem infraestrutura de pagamentos sobre novas bases tecnológicas, custódia institucional dos ativos digitais e arquiteturas para emissão e gestão de instrumentos financeiros tokenizados.
Os casos de uso explorados vão desde pagamentos em estabelecimentos físicos até transferências entre empresas e pessoas, com especial destaque para pagamentos internacionais.
A expansão sob o marco MiCA é um dos principais objetivos da aliança na Europa, mas a América Latina concentra grande parte da ambição estratégica das três parceiras, que já possuem presença na região.
Fernández Freire afirma que o objetivo é levar stablecoins reguladas pelo MiCA para a América Latina e distribuí-las. A própria regulamentação europeia impõe restrições: a Prosegur Crypto não pode oferecer o USDT da Tether por não estar em conformidade com MiCA, por isso a proposta foca em tokens lastreados em euro, com uma camada regulatória mais rígida.
“… A empresa europeia não pode oferecer o USDT da Tether por não cumprir o MiCA. Mas é um ativo amplamente aceito e difundido na América Latina. Precisamos avaliar se o mercado irá aceitar o valor diferencial de uma nova proposta em moedas fortes, como o euro, que trazem uma camada regulatória mais robusta”, afirmou Fernández Freire, conforme publicado pelo Cinco Días.
A fragmentação regulatória na região não preocupa as parceiras. A Prosegur já possui licença para atuar no Brasil, enquanto a Minos estabeleceu presença no Uruguai, país que trabalha em sua própria regulação. Colômbia e Peru também estão entre os mercados de interesse pelo potencial de crescimento cripto.
À medida que avançam em cada país, a Prosegur planeja inaugurar novos bunkers de custódia ultra-fria. Alfonso Ayuso, CEO da Minos Global, explica que a estratégia será adaptar os casos de uso às necessidades específicas de instituições financeiras, empresas e varejistas de cada mercado.
Em resumo
- Prosegur Crypto, Minos Global e Nuek firmaram parceria para desenvolver pagamentos com stablecoins e ativos tokenizados na Europa e América Latina.
- A aliança reúne custódia cripto institucional, infraestrutura financeira da Minos e tecnologia de pagamentos regulada do grupo Indra.
- Pagamentos internacionais entre pessoas e empresas são o principal caso de uso em análise pelas três companhias nesta fase inicial.
- A expansão europeia sob o MiCA será combinada com uma estratégia de entrada mercado a mercado no Brasil, Uruguai, Colômbia e Peru.
- O primeiro projeto operacional conjunto está previsto para antes do final de 2026, conforme os planos atuais das parceiras.





