EUA sancionam brasileiros acusados de lavar dinheiro do PCC com criptomoedas

  • Tesouro dos EUA sancionou dois brasileiros e quatro empresas ligados ao PCC nesta quarta (1º).
  • A rede teria lavado mais de US$ 30 milhões usando criptomoedas para enviar recursos ao Brasil.
  • Victor Shimada, alvo das sanções, também é investigado no caso VaideBet do Corinthians.
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O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (1º) sanções contra dois brasileiros e quatro empresas por suposta ligação com uma rede de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital, o PCC. Segundo o Departamento do Tesouro americano, a rede usou criptomoedas para enviar recursos ilícitos dos Estados Unidos de volta ao Brasil.

As sanções partiram do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, a OFAC, órgão do Tesouro que administra as listas de bloqueio dos EUA. Os nomes entraram na chamada SDN List. Trata-se da relação de pessoas e empresas com quem cidadãos e companhias americanas ficam proibidos de negociar. A medida também bloqueia qualquer bem dos alvos sob jurisdição dos Estados Unidos.

Lavagem de dinheiro é o processo de dar aparência legal a recursos de origem criminosa. O objetivo é dificultar o rastreio pelas autoridades. Segundo o Tesouro, foi exatamente esse o papel da rede sancionada.

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Como as criptomoedas entraram na rota de lavagem do PCC?

De acordo com o comunicado oficial, a rede operava a partir de dois núcleos. Um na Flórida, nos Estados Unidos, e outro em São Paulo. O dinheiro do tráfico gerado em cidades americanas era convertido e enviado de volta ao Brasil.

O Tesouro afirma que Victor Henrique de Oliveira Shimada liderava o braço paulista. Ele teria atuado como elo entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais. Segundo as autoridades americanas, Shimada e sua organização lavaram mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos.

O órgão diz que a rede recorreu a criptomoedas para mover os valores. As criptomoedas são ativos digitais transferidos diretamente entre carteiras, sem passar por bancos. O comunicado não citou tokens, protocolos ou carteiras específicas.

A ação foi coordenada por uma força-tarefa de segurança dos EUA. Participaram o escritório do FBI em Miami e a seção de lavagem de dinheiro e narcóticos do Departamento de Justiça americano. Em janeiro de 2026, o FBI prendeu seis integrantes do grupo baseado na Flórida.

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Quem são os brasileiros sancionados pelos EUA?

Além de Shimada, a OFAC sancionou Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. O Tesouro a descreve como parente e associada próxima do empresário. Segundo o comunicado, ela trabalhou como secretária dele e atuou como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro.

As sanções atingiram ainda quatro empresas. Três ficam em São Paulo: Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia; Pixwave Soluções de Pagamentos; e Wave Construções Inteligentes. A quarta é a Avenidas Flutuantes Unipessoal, com sede perto de Lisboa, em Portugal.

Segundo a OFAC, as empresas foram sancionadas por serem controladas por Shimada ou por atuarem em nome dele. O órgão afirma que a estrutura de companhias ajudava o empresário a receber os fundos ilícitos e a disfarçar a origem do dinheiro.

O elo com o caso VaideBet e o Corinthians

No Brasil, Shimada já era investigado antes das sanções. Ele é o único sócio da Victory Trading. O Ministério Público de São Paulo o denunciou por lavagem de dinheiro em julho de 2025, no caso VaideBet.

O caso apura o desvio de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas. Em entrevista e documentos citados pelo Estadão, a investigação aponta movimentação intensa entre a Victory Trading e a Wave Intermediações.

O Tesouro americano fez a mesma ligação. No comunicado, o órgão afirmou que a Victory Trading foi usada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária. O documento não citou o Corinthians pelo nome. Em janeiro de 2025, Shimada chegou a ficar em prisão domiciliar no Brasil por causa desse caso.

O que as sanções da OFAC significam na prática?

Com a inclusão na lista, todos os bens dos alvos sob jurisdição dos EUA ficam bloqueados. Empresas em que os sancionados detêm 50% ou mais também são bloqueadas de forma automática.

Cidadãos e empresas dos Estados Unidos ficam proibidos de fazer negócios com os alvos. O efeito costuma alcançar corretoras de criptomoedas e emissoras de stablecoins ligadas ao sistema americano. Stablecoin é a criptomoeda atrelada ao valor de uma moeda forte, em geral o dólar.

O alcance vai além das fronteiras dos EUA. Bancos estrangeiros que processarem transações relevantes para os sancionados correm risco de sanções secundárias. Na prática, isso pressiona instituições no mundo todo a evitar qualquer contato financeiro com os nomes da lista.

Gene Lange, subsecretário em exercício para Terrorismo e Inteligência Financeira do Tesouro, disse que a medida enfrenta a “crescente presença” da geração de receita ilícita do PCC em território americano.

Terceira ação dos EUA contra o PCC

Esta foi a terceira ação da OFAC contra o PCC. A primeira ocorreu em dezembro de 2021, quando o órgão designou a facção. A segunda foi em março de 2024, contra Diego Macedo Gonçalves do Carmo, apontado como operador financeiro do grupo.

O anúncio ocorre semanas depois de os EUA classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. A designação entrou em vigor em 5 de junho de 2026. O status amplia o poder dos EUA para perseguir as finanças da facção no exterior.

As sanções desta quarta-feira (1º) foram aplicadas com base em duas ordens executivas. Uma mira o tráfico de drogas e a outra o financiamento do terrorismo. O Tesouro descreveu o PCC como a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental.


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