A World foi lançada em 1º de julho como um mercado de previsões onchain na Solana (SOL), disponível na Phantom Wallet e utilizando oráculos da Chainlink para liquidar negociações de forma automática na stablecoin CASH.
A estreia insere uma concorrente nativa da Solana em um segmento atualmente liderado por Polymarket e Kalshi, onde os volumes vêm atingindo máximos históricos.
Como funciona a World dentro da Phantom?
A World opera como um protocolo não custodiante, diferente de uma exchange tradicional. Ela direciona ordens a provedores de liquidez na Solana, não custodia os fundos dos usuários e não opera os mercados diretamente. Investidores mantêm suas posições em suas próprias carteiras como tokens até decidirem sacar.
A liquidação ocorre por meio do Chainlink Data Streams e seu ambiente de execução, que fornecem preços e resolvem resultados com pouca intervenção humana. As posições vencedoras são automaticamente resgatadas em CASH, uma stablecoin da Solana.
No lançamento, a World disponibilizou contratos de curto prazo de alta ou baixa do Bitcoin (BTC) e previsões sobre a Copa do Mundo FIFA de 2026. A estreia ocorre enquanto a Solana registra forte desempenho.
O token SOL da Solana subiu mais de 5% no dia e cerca de 16% na semana, segundo dados do BeInCrypto.
A equipe planeja adicionar mercados de esportes, política e macroeconomia ao longo de julho.
World substitui a Kalshi na carteira
O lançamento marca a revelação pública de uma infraestrutura que estava em operação há semanas. A Phantom oferecia mercados com tecnologia Kalshi por meio da integração DFlow desde dezembro de 2025. Depois, passou a utilizar a World para todas as posições abertas a partir de 1º de junho.
Na configuração anterior, investidores resgatavam manualmente as posições vencedoras, enquanto na World a liquidação ocorre automaticamente ao fim do evento.
Essa mudança é relevante pois a Phantom alcança cerca de 20 milhões de usuários, permitindo que a World tenha ampla distribuição sem aplicativo próprio. Já a Kalshi segue como forte concorrente e estaria avaliando um valuation de US$ 40 bilhões.
Antes do anúncio, o projeto realizou uma campanha secreta centrada em um globo cintilante e o slogan “Trade Everything”. Chegou até a informar seus seguidores de que “não havia produto”.
“Os mercados de previsão são uma das aplicações mais potentes que se pode construir em uma blockchain de alta performance. A World foi criada para mostrar o que a Solana viabiliza: mercados em tempo real, liquidação onchain e uma experiência que atinge o usuário onde ele está”, disse Pedro Miranda, Head de Consumer da Solana Foundation, no anúncio do lançamento.
World pode enfrentar Polymarket e Kalshi?
As concorrentes já estabelecidas têm vantagens que a World ainda não construiu. O Polymarket comprovou o modelo em 2024, quando mais de US$ 3 bilhões foram negociados em seu mercado presidencial dos EUA. Desde então, elas expandiram para a Solana por meio de uma integração com a Jupiter em fevereiro, competindo pelo mesmo espaço agora disputado pela World.
Os caminhos regulatórios dessas empresas são bastante distintos. A Kalshi é uma exchange regulamentada nos EUA que venceu a CFTC na Justiça em 2024 para listar contratos eleitorais. O Polymarket seguiu rota oposta, pagando multa de US$ 1,4 milhão à CFTC em 2022, o que a obrigou a operar fora dos EUA por anos.
A World contorna ambas, funcionando como um protocolo onchain sem restrições, dispensando licença e intermediários.
Essa liberdade traz consequências. O modelo não custodiante elimina intermediários, mas abre mão das proteções e da supervisão que balizam plataformas regulamentadas como a Kalshi.
A World não divulgou dados de volume ou liquidez, mantendo seu potencial de negociação ainda não comprovado. Mercados de previsão favorecem livros de ofertas robustos, que oferecem spreads mais estreitos e preços consistentes. A distribuição pode atrair usuários rapidamente, mas essa profundidade leva tempo para ser construída.
O setor segue em alta, com o open interest dos mercados de previsão atingindo recorde de US$ 1,48 bilhão em junho.
Uma memecoin sem relação com a plataforma, usando o nome World, gerou especulação no Pump.fun, mas a equipe já confirmou que não há ligação entre elas.
O argumento do World se baseia na distribuição e liquidação instantânea onchain, e não em uma escala comprovada. A Copa do Mundo será o primeiro grande teste para ver se o acesso integrado ao Phantom resulta em liquidez duradoura.









