Negociações EUA-Irã colapsam e mercados temem “segunda-feira negra”

  • Negociações EUA-Irã colapsam na Suíça após ameaças de Trump.
  • Petróleo sob pressão com risco de fechamento do Estreito de Ormuz.
  • Bitcoin estável, mas sem travas contra queda abrupta na segunda.
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As negociações entre Estados Unidos e Irã realizadas na Suíça colapsaram no fim de semana, reacendendo temores de choque do petróleo e reduzindo o apetite ao risco para o início da semana.

A delegação iraniana abandonou as conversas em protesto contra novas ameaças do presidente Donald Trump. Analistas e operadores esperam que ações e criptomoedas possam abrir o dia com forte queda.

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Saída da Suíça reacende temores sobre petróleo e o Estreito de Ormuz

O rompimento ocorreu no resort Bürgenstock, na Suíça, onde Estados Unidos, Irã, Paquistão e Catar se reuniam para tentar prorrogar a trégua iniciada em 17 de junho.

A equipe iraniana recusou o registro oficial em uma foto de grupo e deixou as tratativas, conforme informou a mídia estatal do país.

Trump ameaçou realizar novos ataques ao Irã em resposta à atuação de aliados no Líbano e afirmou que autoridades iranianas não retornariam para casa caso Teerã fechasse o Estreito de Ormuz.

A ameaça é significativa pelo volume de carga que passa pela região. Cerca de 20 milhões de barris de petróleo cruzam o estreito diariamente, o equivalente a aproximadamente 20% do consumo mundial, conforme dados da Agência de Informação de Energia dos EUA (EIA).

Em episódios anteriores, porém, o canal marítimo permaneceu aberto. O Irã ameaçou o fechamento em 2011 e 2019, mas recuou em ambas as ocasiões.

O petróleo Brent havia recuado para perto de US$ 80 o barril na semana passada, com a retomada da navegação dos petroleiros. A saída iraniana das negociações voltou a gerar incertezas sobre essa recuperação ainda frágil.

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Quando Trump anunciou a trégua no início deste mês, ações e petróleo reagiram com alta, enquanto o setor de criptomoedas teve pouca oscilação.

Bitcoin permanece estável diante de previsões de Segunda-feira Negra

Por ora, o mercado cripto não acompanhou a tensão. O preço à vista do Bitcoin (BTC) se manteve próximo a US$ 64.181 no domingo, com leve alta no dia.

Desempenho do preço do Bitcoin
Desempenho do preço do Bitcoin. Fonte: BeInCrypto

O Ethereum (ETH) foi negociado perto de US$ 1.730. Como o mercado de criptomoedas opera de forma contínua, a estabilidade do fim de semana reflete o cenário real, sem a distorção de mercados fechados.

O segmento também não conta com travas automáticas de negociação. Os mercados acionários dos Estados Unidos pausam as operações caso o S&P 500 caia 7%, 13% ou 20% em um único dia. Esses mecanismos foram criados para conter pânicos como o que se teme agora.

No mercado cripto, essas proteções inexistem. Uma eventual queda acentuada na segunda ocorreria sem interrupções. Ainda assim, o sentimento dominante no fim de semana foi de cautela.

“Se não houver uma gigantesca Crise da Segunda-feira Negra amanhã, vou deletar minha conta”, ironizou um usuário nas redes sociais.

A expressão carrega peso histórico. Na Segunda-feira Negra de 1987, o Dow Jones caiu 22,6% em uma única sessão, a pior marca já registrada. Poucos meses depois, no entanto, os mercados recuperaram a maior parte das perdas.

O trader Ted Pillows avaliou que o risco e o potencial de retorno para comprar ações no momento atual são reduzidos.

Alertas de fim de semana como esse já falharam no passado, e o mesmo pode acontecer desta vez. Catar e Paquistão seguem como mediadores ativos, e ambos os lados têm incentivos para recuar.

O risco, porém, não é meramente teórico. O Bitcoin já demonstrou vulnerabilidade em momentos de tensão geopolítica, comportando-se como ativo de risco em vez de reserva de valor.

Quando Israel atacou o Irã este mês, mais de US$ 1 bilhão em apostas alavancadas em criptomoedas foram liquidadas em apenas um dia. Análises recentes apontam para uma possível queda acentuada do Bitcoin caso o conflito volte a se intensificar.

A abertura dos futuros na segunda-feira será o primeiro teste concreto. Uma escalada do conflito pode desencadear um movimento generalizado de aversão ao risco em toda a criptoesfera.

Uma retomada rápida das negociações pode acalmar os mercados na mesma velocidade. Por ora, operadores acompanham o petróleo, o estreito e o próximo sinal vindo de Teerã ou Washington.


Para ler as análises mais recentes do mercado de criptomoedas da BeInCrypto, clique aqui.

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