Elon Musk afirma que a OpenAI “não pode” ser confiável. Ele fez o comentário após a Apple pedir a um juiz federal supervisão emergencial das operações da OpenAI.
A Apple busca uma liminar, uma ordem judicial que exige mudanças antes do fim do processo. O pedido solicita ao juiz que coloque a OpenAI sob fiscalização forense, permitindo que investigadores externos analisem seus sistemas internos.
Como o processo entre Apple e OpenAI chegou ao pedido de liminar?
A Apple anexou nove declarações sob juramento ao pedido. A empresa apresentou essas provas para reforçar a urgência, alegando que o suposto uso de segredos industriais roubados pela OpenAI causa prejuízo diariamente. Esse tipo de supervisão é pouco comum em disputas empresariais e indica o grau de seriedade com que a Apple trata a suposta apropriação indevida.
O caso de segredos comerciais da OpenAI começou em julho. A Apple acusou ex-funcionários de vazarem planos de hardware não lançados para a desenvolvedora do ChatGPT, e a OpenAI negou qualquer irregularidade. A empresa contesta as acusações nos autos e afirma que as alegações são exageradas.
O processo não mira apenas a OpenAI. A reclamação da Apple também inclui a io Products, startup de hardware fundada pelo ex-chefe de design da Apple, Jony Ive, comprada este ano pela OpenAI por US$ 6,5 bilhões. Essa aquisição indica o que está em jogo: a Apple defende que seus segredos industriais agora estão sendo usados nas ambições rivais de hardware de IA, o que justifica a solicitação de supervisão emergencial.
A Apple também afirmou que outros ex-funcionários podem ter compartilhado informações confidenciais.
A OpenAI rebateu apresentando seus próprios elementos. A empresa divulgou registros de conversas que, segundo ela, mostram funcionários da Apple entrando em contato com o engenheiro Chang Liu por várias semanas após ele sair para a OpenAI, pedindo sua ajuda para resolver problemas técnicos internos. Para a OpenAI, isso enfraquece o argumento da Apple, sugerindo que houve falha no controle de acesso e não roubo de segredos para um concorrente.
Este não é o único embate jurídico da OpenAI em 2026. Um júri rejeitou a ação de Musk contra a OpenAI em maio ao decidir que ele apresentou suas alegações com atraso.
Esse caso foi posterior ao julgamento inicial do processo contra a OpenAI, levado ao tribunal poucas semanas antes. Essa ação também questionava a estrutura da fundação da OpenAI, mas foi rejeitada por questões processuais, não pelo mérito das acusações.
Musk retoma disputa com Altman devido ao caso?
Musk critica o CEO da OpenAI, Sam Altman, há anos. O novo pedido da Apple deu ao empresário novos argumentos. Ele publicou sua reação no X.
Musk tem argumentado que a OpenAI abandonou a missão original de funcionar como entidade sem fins lucrativos e que Altman hoje administra a empresa visando lucro, não o interesse público. Representantes da OpenAI reiteram em declarações públicas que a organização mantém seu compromisso com os princípios fundadores.
O confronto entre Musk e Altman em julho seguiu o mesmo padrão, com ambos trocando provocações no X após a primeira ação da Apple contra a OpenAI.
O momento também tem repercussões além dos tribunais. O caminho da OpenAI para abrir capital ficou livre depois que a ação de Musk fracassou neste ano. Uma eventual ordem de fiscalização forense pode gerar obstáculos, pois exporia operações internas sensíveis a observadores externos em um período decisivo.
A Apple não informou quando espera uma decisão. Porém, a sentença deve influenciar o grau de pressão de outras empresas sobre rivais de IA em relação a processos envolvendo segredos industriais nos próximos meses. Musk, por sua vez, dificilmente mudará de postura, independentemente do resultado. Por ora, o caso exerce pressão jurídica adicional sobre a OpenAI em um momento no qual a companhia busca evitar distrações.









