O Bitcoin opera em torno de US$ 62.904, pressionado por novos ataques dos Estados Unidos ao Irã, que eliminaram parte dos ganhos registrados desde o piso de US$ 57.700.
Apesar da pressão, dados on-chain indicam que as condições para um fundo de mercado estão se formando. A confirmação, porém, ainda não veio.
No relatório mais recente, a Glassnode avaliou que o Bitcoin apresenta características de um mercado de baixa em fase avançada em vários indicadores on-chain.
A empresa destacou que o ativo negocia abaixo do True Market Mean (US$ 76.600) e do Short-Term Holder Cost Basis (US$ 72.200) desde fevereiro de 2026, um desconto que já dura cinco meses e está entre os mais longos da história do Bitcoin.
“A acumulação prolongada com tamanho desconto, onde novos aportes são feitos consistentemente abaixo do custo médio tanto dos compradores recentes quanto do mercado ativo em geral, convencionalmente serve de base para fundos cíclicos e representa uma zona atrativa para investidores focados em valor”, afirmou a empresa.
Enquanto isso, investidores de longo prazo estão liderando as vendas atuais. A fatia do valor total realizado atribuída às perdas desse grupo (30D-SMA) subiu para 43%, ante 15% em fevereiro.
A Glassnode informou que a capitulação entre esse grupo chegou recentemente a quase US$ 280 milhões diários, maior patamar desde dezembro de 2022, e ainda não arrefeceu.
A demanda institucional segue tímida. Os saques dos fundos de índice (ETF) de Bitcoin à vista reduziram para US$ 88,9 milhões por dia em relação ao pico de junho, porém os fluxos continuam negativos.
No mesmo período, o posicionamento em derivativos permanece cauteloso. Apesar de o índice put/call ter caído para 0,56, o menor nível de 2026, o skew e a volatilidade ainda apontam para riscos de novas quedas.
“O mercado demanda maior resfriamento na pressão de capitulação, estabilização nos fluxos institucionais e, preferencialmente, uma recuperação consistente do True Market Mean para que a probabilidade de uma transição de regime seja considerada de forma construtiva”, destacou a Glassnode.
Por que julho pode apresentar melhora
Mesmo assim, o histórico traz algum alento para os compradores. Julho terminou em alta para o Bitcoin na maioria dos anos na última década.
O Bitcoin avançou cerca de 20% em julho de 2018 e 17% em julho de 2022, ambos durante mercados de baixa, segundo a CryptoQuant.
A demanda também dá sinais de estabilização. Dados da CryptoQuant mostram que a demanda total se recuperou após encolher cerca de 650 mil BTC no início de junho para um nível próximo da neutralidade. Compradores dos Estados Unidos também retornaram. O Índice Coinbase Premium subiu para -0,062 assim que o Bitcoin saltou a partir de US$ 57 mil.
Contudo, o Bull Score Index da CryptoQuant está em 20, muito abaixo do nível 60 que a empresa considera necessário para uma alta sustentável.
No momento desta reportagem, o Bitcoin era negociado em torno de US$ 62.904. Novos ataques dos Estados Unidos ao Irã pressionaram os ativos de risco, eliminando parte dos ganhos desde o piso de US$ 57.700.
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