Startup lança plataforma que une bancos e empresas cripto

  • A Coopfy já analisou mais de 2 milhões de operações desde o início das atividades.
  • Startup projeta processar mais de R$ 5 bilhões em operações até o fim de 2026.
  • PSAVs têm até 30 de outubro de 2026 para pedir autorização ao Banco Central.
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A Coopfy, startup brasileira de infraestrutura para ativos digitais, anunciou em junho uma plataforma que reúne operações bancárias, gestão de ativos, pagamentos, compliance e monitoramento de transações em um único ambiente. O objetivo é permitir que bancos, fintechs e empresas do setor cripto operem com segurança regulatória desde a origem da transação, sem depender de múltiplos fornecedores e sistemas.

A empresa foi fundada por Fernando Zanatta, executivo com passagens por Netshoes, Dafiti, Buscapé e ZAX.

A plataforma realiza processos de KYC, KYB e KYT. As siglas vêm do inglês e significam, respectivamente, conheça seu cliente, conheça sua empresa e conheça sua transação. Na prática, são etapas de verificação da identidade de usuários, validação de empresas e monitoramento de operações. Tudo acontece antes da conversão dos recursos em ativos digitais.

O sistema faz análises em tempo real. Com isso, identifica inconsistências e padrões de risco antes da efetivação das operações. Segundo a empresa, transações classificadas como suspeitas podem ser bloqueadas em poucos segundos. Isso reduz a exposição de instituições financeiras e empresas do setor a fraudes e movimentações de risco.

Desde o início das operações, a Coopfy já analisou mais de 2 milhões de operações. A startup atende clientes em processo de autorização como prestadoras de serviços de ativos virtuais, as PSAVs, além de instituições de pagamento já integradas à plataforma, como a Pagsmile. O Finservices atua como banco parceiro e viabiliza a camada bancária das operações. A companhia projeta processar mais de R$ 5 bilhões em operações até o fim de 2026.

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Como funciona a infraestrutura da Coopfy?

A Coopfy foi concebida como uma camada única de infraestrutura para empresas que operam com ativos digitais. A plataforma reúne, no mesmo ambiente, soluções de banco, compliance, monitoramento blockchain, gestão de carteiras digitais, pagamentos e obrigações regulatórias. A proposta é simplificar a operação e reduzir a fragmentação tecnológica do setor. Se o cliente já usa outro provedor para alguma dessas funções, a tecnologia da Coopfy pode ser integrada à estrutura existente.

O principal diferencial está no chamado compliance nativo. Compliance é o conjunto de práticas que garante que uma empresa cumpra leis e normas do seu setor. No caso da Coopfy, toda operação já nasce submetida aos mecanismos de validação, monitoramento e prevenção a ilícitos. A regra vale para movimentações bancárias, transações em blockchain e conversões de ativos digitais. Assim, a conformidade deixa de ser uma etapa adicional e passa a fazer parte da própria operação.

A infraestrutura é oferecida em modelo white label. Nesse formato, a empresa cliente utiliza a tecnologia da Coopfy com a própria marca. O pacote inclui gestão de carteiras em múltiplas blockchains, gestão bancária com vários bancos, swap de saldos na rede Tron, processamento de pagamentos com conversão automática de ativos, emissão de contratos digitais e emissão de notas fiscais. Swap é a troca direta de um ativo por outro. A plataforma também reúne KYC, KYB e KYT integrados, além da geração de relatórios regulatórios e obrigações de compliance, como Decripto, ACAM 220, informe de clientes e informe de saldos.

Segundo a empresa, a solução busca reduzir o tempo e os custos que as companhias teriam para desenvolver internamente uma infraestrutura compatível com as exigências regulatórias. A construção de uma estrutura própria com esse nível de integração pode demandar investimentos elevados e meses de desenvolvimento.

“Grande parte do mercado opera com soluções fragmentadas. Uma empresa contrata um fornecedor para banco, outro para compliance, outro para monitoramento blockchain e outro para gestão de ativos digitais. Nossa proposta é reunir toda essa infraestrutura em um único ambiente, onde a conformidade já faz parte da operação desde o primeiro momento”, afirma Zanatta.

O que mudam as novas regras do Banco Central para a cripto?

Além do monitoramento transacional, a solução foi desenvolvida para facilitar o relacionamento entre empresas de ativos digitais e instituições financeiras. Esse é um dos principais desafios do setor nos últimos anos.

A plataforma oferece mecanismos adicionais de validação, rastreabilidade e gestão de riscos. Com isso, bancos e fintechs ganham mais visibilidade sobre as operações realizadas por empresas do segmento. Para a Coopfy, essa camada de visibilidade tende a se tornar um requisito para que empresas de ativos digitais consigam operar com instituições financeiras tradicionais.

O movimento acompanha o avanço do marco regulatório brasileiro. As Resoluções nº 519, 520 e 521 do Banco Central estão em vigor desde fevereiro de 2026. Com elas, as prestadoras de serviços de ativos virtuais, as PSAVs, passaram a operar sob autorização e supervisão direta do BC. Essas empresas incluem corretoras, custodiantes e intermediárias de ativos digitais. O prazo para protocolar os pedidos de autorização termina em 30 de outubro de 2026.

A expectativa é que a regulamentação amplie a participação de instituições financeiras tradicionais no setor. Ao mesmo tempo, cresce a necessidade de ferramentas voltadas à gestão de riscos, ao monitoramento de operações, à integração bancária e à conformidade regulatória.

Na avaliação de Zanatta, a evolução do mercado deve gerar uma nova demanda por infraestrutura especializada.

“Durante muito tempo a inovação esteve concentrada na criação de ativos, plataformas e novos produtos. Agora começamos a ver uma preocupação crescente com processos, governança, monitoramento e segurança. Esse movimento deve acelerar à medida que o mercado amadurece e a regulação avança”, afirma.

Para a empresa, os ativos digitais já entraram em uma fase de consolidação. Nela, a infraestrutura passa a ser tão importante quanto os próprios produtos financeiros oferecidos ao mercado.

“O futuro do setor depende da capacidade de construir infraestrutura capaz de conectar inovação e conformidade. É isso que permitirá que o mercado cresça de forma sustentável nos próximos anos”, conclui.


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