Vinte traders se reuniram em Bali em agosto para a final do Alpha Arena S03, competindo presencialmente em um ambiente de simulação de negociações por uma fatia de US$ 100 mil.
A competição, patrocinada pela MEXC Ventures e realizada durante a CoinFest Asia, foi vencida pelo japonês Arumando. Murasaki Trades, das Filipinas, ficou em segundo lugar, enquanto Coin6097, da Coreia do Sul, completou o pódio.
Para Vugar Usi, CEO da MEXC, o resultado evidenciou que um investidor pode entrar no mercado com pouco capital, identificar a operação certa e acumular riqueza em pouco tempo, conceito que há tempos atrai o público da cripto.
Expondo a negociação como ela realmente é
Durante a Alpha Arena, Usi ressaltou a diferença entre observar traders em uma sessão completa e acompanhá-los em redes sociais, onde as operações lucrativas costumam receber mais destaque do que as perdas, dúvidas e decisões influenciadas por emoções.
No evento em Bali, os participantes puderam ser acompanhados em todo o processo. A organização mediu até mesmo a frequência cardíaca dos competidores, permitindo ao público observar como cada um reagia diante das oscilações do mercado e se seguiam a estratégia inicial ou tomavam decisões sob pressão.
“… Você vê que tipo de decisão eles tomam. Entram em pânico? Compram ou vendem no impulso? Seguem bem o instinto ou preferem o lado prático?” afirmou Usi.
Por isso, ele avalia que a barreira de entrada para traders é especialmente baixa, diferentemente de várias outras áreas profissionais. Qualquer pessoa pode estudar mercados por conta própria, criar uma metodologia e até competir com investidores que possuem formação financeira e acesso a tecnologia de alto custo.
No cenário das exchanges que buscam atrair uma nova geração, o desafio muda. Além de acesso ao mercado, investidores querem informações, ferramentas analíticas e produtos que ajudem a interpretar o cenário depois que chegam à plataforma.
Sobre taxas zero de negociação
A disputa se intensificou à medida que grandes exchanges passaram a competir também nos custos das operações.
A MEXC adotou a negociação sem taxas como um dos pilares de sua estratégia. Oferece atualmente isenção de taxas tanto para makers quanto para takers em mercados spot, além de produtos futuros selecionados, embora a elegibilidade e as condições variem conforme o produto e as campanhas. Segundo a exchange, as iniciativas de taxa zero beneficiaram 3,44 milhões de usuários, que economizaram aproximadamente 1,1 bilhão de USDT ao longo de 2025.
Usi entende que ao levar o custo a zero, as exchanges passam a competir em outros aspectos.
“Quando o preço é zero, o usuário não escolhe sua plataforma apenas pela tarifa,” disse ele. “É aí que a verdadeira competição começa.”
Na visão de Usi, a impossibilidade de reduzir ainda mais as taxas torna fatores como qualidade do produto, velocidade, variedade de mercados, ferramentas de negociação e benefícios ao usuário ainda mais determinantes.
Atualmente, a empresa oferece acesso a ações em diferentes modalidades, incluindo mais de 300 futuros de índices e ações, mais de 200 ações tokenizadas e a possibilidade de negociar mais de 7 mil ações e ETFs globais por meio do RealStocks, de acordo com dados divulgados pela MEXC.
Isso faz parte do plano de longo prazo de Usi para posicionar a MEXC além da definição tradicional de exchange de cripto.
Inteligência artificial pode oferecer ferramentas institucionais ao investidor de varejo?
A inteligência artificial foi um dos principais temas da conversa com Usi.
Seu histórico no setor financeiro tradicional influencia a visão sobre tecnologia voltada ao trade. Empresas profissionais investiram grandes quantias em produtos como o Bloomberg Terminal, já que, para traders, ter acesso a dados, ferramentas de comunicação e análises é considerado fundamental para processar informações.
Dessa forma, investidores de varejo acabam em desvantagem.
Usi acredita que a IA pode diminuir essa diferença ao tornar recursos avançados disponíveis para usuários individuais a um custo bem menor do que o de softwares especializados.
Em sua própria rotina, ele afirmou utilizar um assistente de IA para analisar books de ofertas e identificar onde o capital está concentrado, tarefa difícil de ser feita manualmente diante do grande volume de dados.
“… A oportunidade da IA não está apenas na automação,” afirmou, destacando o potencial da tecnologia para levar ferramentas institucionais ao público de varejo.
A demanda parte do próprio público. Segundo Usi, uma campanha recente que coletou opiniões dos clientes reuniu mais de 2.500 páginas de respostas, com IA aparecendo como o tema central.
A questão fundamental será até que ponto as exchanges vão avançar nesse suporte. Ferramentas que resumem dados, monitoram mercados e destacam informações relevantes podem auxiliar investidores sem eliminar a necessidade de análise própria. A Alpha Arena, por si só, mostrou como diferentes pessoas podem interpretar o mesmo mercado, mesmo quando possuem acesso a dados similares.
Concorrência por confiança
Ferramentas mais eficientes e negociações baratas têm valor limitado se usuários não se sentem seguros para manter ativos em uma exchange, principalmente após uma série de falhas e incidentes de segurança no setor de cripto.
Usi afirmou que a transparência tornou-se uma de suas prioridades desde que assumiu como CEO da MEXC em abril de 2026. Esse retorno marcou também um reencontro com o BeInCrypto, onde atuou como Diretor de Marketing antes de passar pela Bitget e depois ingressar na MEXC.
“… Não quero que o usuário assuma confiança. Quero que ele se sinta confortável”, afirmou.
A MEXC divulga mensalmente relatórios de Prova de Reservas auditados pela empresa de segurança blockchain Hacken. A divulgação de agosto mostrou índices de reservas de 115% para USDT, 114% para USDC e acima de 100% para outros ativos principais reportados.
A exchange também vem estruturando o seu Guardian Fund. Em maio, a MEXC anunciou planos de ampliar o fundo de US$ 100 milhões para US$ 500 milhões em dois anos, adquirindo mil BTC como parte da composição de reservas.
De forma independente, seu fundo de seguro de futuros registrou cerca de 751 milhões de USDT na divulgação de agosto.
Traders buscam diferentes objetivos conforme o mercado
O evento em Bali também proporcionou à MEXC uma visão detalhada sobre os traders da região Ásia-Pacífico, onde Usi observa diferentes motivações econômicas em relação a mercados mais ricos.
Em mercados com renda disponível mais baixa, um investimento tradicional que retorna alguns pontos percentuais ao ano pode ter pouco impacto nas finanças pessoais. Assim, parte dos traders assume riscos bem maiores em busca de ganhos suficientes para mudar seu cenário financeiro de forma imediata.
Em países desenvolvidos, pessoas que já acumularam patrimônio podem priorizar a preservação da riqueza e buscar retornos mais estáveis.
“… Nos mercados em desenvolvimento, as pessoas tendem a realizar operações muito mais arriscadas, com maior alavancagem”, destacou Usi, contrastando a geração de riqueza com o foco maior em preservação de capital observado em economias desenvolvidas.
Usi atuou anteriormente com adoção institucional, mas relatou que um dos motivos de ingressar na MEXC foi o maior foco da empresa nos usuários individuais.
“… O varejo vem em primeiro lugar”, afirmou, observando ainda que a participação institucional está se tornando uma fonte importante de volume e as exchanges estão ampliando produtos voltados a investidores profissionais.
A exchange de 2031?
No início da carreira, Usi esperava que as exchanges passassem a se assemelhar a bancos. Agora, defende que o oposto ocorreu, à medida que aplicativos bancários agregaram investimentos, cripto, commodities, pagamentos e outros produtos financeiros.
“… Nos próximos cinco anos veremos o surgimento desses super aplicativos financeiros, super plataformas, portais onde todas as necessidades financeiras poderão ser atendidas em um só local”, afirmou.
A MEXC já desenvolve parte desse modelo com negociação de cripto, produtos de ações, rendimentos, ferramentas de negociação assistidas por IA e a proposta de um cartão próprio.
Se o usuário, no fim, deseja reunir todos esses serviços na mesma empresa ainda é uma questão sem resposta. O que já se mostra claro, porém, é que as exchanges de cripto concorrem por muito mais do que apenas a quantidade de tokens disponíveis.
O Alpha Arena demonstrou como traders de diversos países chegaram ao mesmo mercado com o mesmo objetivo, mas adotaram estratégias distintas e reagiram de formas diferentes conforme as condições mudavam.
As exchanges que os atendem enfrentam desafio semelhante. Quando o acesso se torna barato e as taxas de negociação se aproximam de zero, a diferenciação precisa vir de outro lugar.









