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Nubank trava saques de cripto e clientes ficam sem tirar moedas do app

Pontos principais

  • Aviso no app do Nubank informa que depósitos e saques de cripto estão temporariamente indisponíveis desde sexta-feira (6).
  • Suspensão é associada a suposto ataque a um fornecedor não identificado; não há confirmação de perdas.
  • É a terceira suspensão de saques de cripto em uma semana, após Binance e Mercado Bitcoin.
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Clientes do Nubank que guardam criptomoedas no aplicativo não conseguem, desde a manhã desta sexta-feira (6), enviar nem receber moedas digitais. A informação foi divulgada pelo perfil Paradigma Education, no X, às 9h47, com uma captura de tela atribuída ao app do banco.

Segundo a imagem, o aviso diz que “os depósitos e saques de criptomoedas estão temporariamente indisponíveis”. A mensagem acrescenta que o banco trabalha para restaurar o recurso o mais rápido possível e orienta os clientes a procurar o suporte em caso de dúvida.

O perfil associa a suspensão a um ataque hacker contra um fornecedor do Nubank, mas não informa qual empresa teria sido atingida. Até a publicação desta matéria, a causa da interrupção não havia sido confirmada de forma independente, e não há informação sobre perdas financeiras ou previsão de normalização.

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Na prática, quem tem Bitcoin, Ethereum ou outras moedas no Nubank fica, por enquanto, sem a opção de levar esses ativos para uma carteira própria ou para outra corretora.

Por que o problema de um fornecedor trava suas moedas no Nubank?

O serviço de cripto do Nubank é operado pela NuCrypto, empresa do grupo. O banco não faz sozinho toda a operação. Ele depende de parceiros externos para liquidez, custódia e transferência das moedas. Custódia é a guarda dos ativos e das chaves privadas, os códigos que autorizam a movimentação das criptomoedas.

Os principais fornecedores conhecidos são três. A Fireblocks cuida da infraestrutura tecnológica de custódia e movimentação. A parceria foi anunciada em julho de 2023 e segue citada no relatório anual de 2025 que o Nubank entregou à SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, em abril de 2026. A Paxos participou da estrutura original de liquidez e custódia, lançada em 2022. A Chainalysis fornece a tecnologia de análise de blockchain usada nas transferências.

Esse desenho explica o efeito em cadeia. Quando um elo da infraestrutura apresenta falha ou suspeita de invasão, a forma mais rápida de proteger os ativos é parar as transferências para fora da plataforma. É o que o aviso exibido no app indica.

O próprio contrato prevê esse cenário. Os termos e condições da NuCrypto, em vigor desde 8 de outubro de 2026, estabelecem que as operações podem sofrer atrasos ou interrupções por indisponibilidade de sistemas próprios ou de terceiros, falhas técnicas e problemas de segurança. O cliente, portanto, aceitou esse risco ao aderir ao serviço.

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Terceira suspensão de saques de cripto em uma semana

O caso do Nubank chega em uma sequência de incidentes que já afeta o investidor brasileiro.

Em 29 de outubro, a Binance sofreu um ataque que comprometeu cerca de US$ 6,3 bilhões em ativos digitais. No dia seguinte, a corretora suspendeu os saques de cripto para clientes no Brasil. Cerca de US$ 3 bilhões foram congelados, e os saques reabriram em 1º de novembro. Na retomada, usuários retiraram perto de US$ 2 bilhões em apenas três horas.

Na segunda-feira (2), foi a vez do Mercado Bitcoin. A corretora confirmou um incidente de segurança e suspendeu depósitos e saques. Empresas de monitoramento de blockchain estimaram perdas acima de US$ 40 milhões. A corretora afirma que os clientes não terão prejuízo. Mesmo assim, a reabertura prevista para segunda-feira (9) libera apenas a consulta de saldo e extrato pelo site. Saques, depósitos e negociações seguem suspensos, sem data para voltar.

Os dois precedentes mostram desfechos bem diferentes. Na Binance, o bloqueio durou cerca de dois dias. No Mercado Bitcoin, já passa de quatro dias, e a volta será gradual. Por isso, a duração da pausa no Nubank é a principal dúvida para quem tem moedas no app.

O que ainda não se sabe sobre o caso Nubank

Há pontos importantes em aberto. Não está claro se a suspensão atinge todos os clientes da NuCrypto ou apenas alguns ativos e redes. O aviso também não informa se a compra e a venda de cripto dentro do app continuam funcionando.

Também não há evidência pública de que o episódio tenha relação com os ataques à Binance e ao Mercado Bitcoin. A proximidade entre os casos chama atenção, mas não comprova ligação.

Esse é o principal contraponto à leitura de alarme. Uma suspensão preventiva não significa, por si só, que houve roubo de fundos. Pode ser apenas uma medida de proteção enquanto o fornecedor verifica seus sistemas. Se o Nubank confirmar que não houve perdas e normalizar as transferências rapidamente, o caso tende a se parecer mais com o da Binance do que com o do Mercado Bitcoin.

O que muda para quem tem cripto no Nubank

Para o cliente, o efeito imediato é a perda de mobilidade. Quem pretendia mover moedas para uma carteira própria ou para outra corretora precisa esperar. Isso pesa mais em dias de mercado agitado, quando o investidor pode querer aproveitar diferenças de preço entre plataformas ou simplesmente tirar os ativos de um intermediário.

O episódio também reforça um ponto que vale para qualquer app que guarda cripto em nome do cliente. Nesses serviços, o investidor confia não só na instituição, mas em toda a cadeia de fornecedores por trás dela. A segurança do saldo depende de empresas que o cliente, muitas vezes, nem sabe que existem.

Outro alerta é o risco de golpe. Em situações assim, golpistas costumam enviar mensagens prometendo “liberar o saque” ou pedindo senha e código de verificação. A normalização acontece dentro do próprio aplicativo, sem pedido de pagamento ou de dados por mensagem.

O que acompanhar a partir de agora

Os próximos sinais são três: um comunicado oficial do Nubank sobre a causa da interrupção, a identificação do fornecedor envolvido e a confirmação de que não houve perda de ativos de clientes. Também vale observar se a compra e a venda dentro do app seguem disponíveis e quanto tempo os saques levarão para voltar.

Procurado pelo BeInCrypto, o Nubank atribuiu a suspensão a uma instabilidade em um fornecedor externo de dados e não mencionou ataque hacker. Segundo o banco, a falha não está na infraestrutura própria, e os demais produtos de cripto, como a compra e a venda no app, seguem funcionando. Veja a íntegra da nota:

“O Nubank informa que saques e depósitos de criptomoedas estão temporariamente indisponíveis em razão de uma instabilidade em um fornecedor externo de dados. A ocorrência não é na infraestrutura do Nubank e não compromete a segurança dos clientes: todos os ativos e informações seguem protegidos. Os demais produtos de cripto continuam funcionando normalmente. Nosso time acompanha a situação de perto, em contato com o fornecedor, e as operações serão retomadas assim que o serviço for restabelecido.”

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