Durante anos, discutimos a web 3.0, que inclui tokenização, tokens, cripto, defi, nft, dao, dentre outras aplicações se institucionalizou e amadureceu, com aumentos exponenciais de preço e uma nova base de investidores, composta por institucionais, bancos, governos e empreendedores que vem desenvolvendo o futuro da economia de uma maneira revolucionária e animadora.
Não se trata mais de inovação periférica, o hype de ciclos passados dá origem a um grande acúmulo silencioso que promete reinventar a infraestrutura financeira global. Mas os números mostram outra coisa.
Em 2025, o volume global transacionado em stablecoins atingiu aproximadamente US$ 33 trilhões, com supply superior a US$ 300 bilhões, segundo relatórios citados na indústria e consolidados em pesquisas recentes
E mais relevante: o Brasil saltou para o top 5 global em adoção, com crescimento superior a 100% no volume anual e forte predominância de stablecoins nos fluxos transfronteiriços.
Como o dinheiro é criado, colo ele é estocado e como é transacionado mundialmente está sendo totalmente reinventado utilizando a tecnologia blockchain com seus rails, a tokenização de ativos, começando pelo dinheiro e títulos de governo, o que dão origem as stablecoins e aos neobanks, fintechs baseadas em tecnologia blockchain. Isso não é especulação, é dado, é infraestrutura mundial disruptiva, é inevitável. Estamos diante de uma mudança global estrutural.
A guerra não é mais cripto vs banco
É infraestrutura vs distribuição. Minha pesquisa recente de mercado mapeou concorrentes diretos e indiretos que disputam o mesmo “Job To Be Done”: permitir que pessoas paguem, viajem, invistam, operem em dólar e movimentem seu capital globalmente com menos fricção e mais liberdade.
Exchanges como Binance, OKX e Bybit operam na camada cripto-native com forte investimento em aquisição de usuários e marketing de performance.
- Wise e Nomad dominam o território mental do viajante, com diferenciais e facilidade de uso.
- Nubank, C6 e Mercado Pago capturam distribuição massiva, buscando oferecer investimentos e crédito para se tornar diferenciado e atraente, e inovação de Produto e Ecossistema.
- Bancos tradicionais atacam com campanhas pontuais de IOF zero, milhas e facilidades.
- A recém-chegada de Singapura Rapidz não disputa em um único mercado, busca o máximo de tecnologia, foco no usuário, baixas taxas, diferenciais em produto e vendas e facilidades para o usuário final.
Disputa dois jogos paralelos:
- Usuário cripto-native (uso prático, cartão, controle)
- Usuário viajante/tradicional (economia, dólar, IOF, simplicidade)
As estratégias de Aquisição são nichadas, e percebi que quem mistura discurso perde eficiência de mídia, eleva CAC e dilui a narrativa.
O jogo é posicionamento cirúrgico, e investimento em growth estratégico.
O que os dados globais indicam
Grandes instituições já entenderam:
- Visa liquidando bilhões em pagamentos com USDT e USDC.
- BTG estruturando tokenização institucional e distribuindo ativos digitais.
- Nubank integrando investimentos cripto na sua base bancária.
- Plataformas usando stablecoins como rail de proteção cambial na América Latina.
- Surgimento de mais rodadas de investimento milionárias em startups ligadas Stablecoins.
- Mais opções nichadas para o usuário escolher.
- A dúvida sobre o futuro trilionário deste mercado fica no ar, e as empresas de Stablecoins buscam arrojadas estratégias empresariais e busca pela liderança de mercado.
- Empresas como Paypal vem lançando suas próprias stablecoins, aumentando a retenção de usuários e possibilitando aumento de receita.
Não é sobre hype Web3, é sobre:
- Liquidação previsível.
- Redução de intermediação.
- Controle da relação financeira.
- Escala global desde o primeiro usuário.
Empresas que continuam operando sobre trilhos bancários locais enfrentam:
- FX comprimindo margens.
- Dependência excessiva de adquirentes.
- Falta de ownership de dados financeiros.
O financeiro deixou de ser backoffice, virou camada estratégica de produto.
O erro mais comum que vejo
Empresas tentam “adicionar cripto”, mas não reestruturam o modelo, stablecoin não é feature, é rail.
Quando você entende isso, o desenho muda:
- Cartão deixa de ser apenas meio de pagamento.
- Wallet vira motor de retenção.
- FX vira linha de receita.
- Embedded finance vira moat competitivo.
A diferença entre “usar” e “construir sobre” stablecoins define a próxima década.
A frente que assumi
Recentemente, assumi a liderança da operação LatAm da Rapidz, uma plataforma global fundada em 2017, com presença regulatória em múltiplas jurisdições e usuários em mais de 100 países, crescendo bastante e ganhando agora também o território Latino-Americano.
Nosso foco não é vender promessa, é permitir que empresas:
- Lancem cartões white label em semanas.
- Operem contas multi-moeda.
- Estruturem wallets com compliance integrado.
- Criem programas de fidelização baseados em infraestrutura digital.
Mas a maior oportunidade não está na tecnologia, está na distribuição.
O verdadeiro gargalo: execução
A maioria das empresas:
- Não consegue montar stack regulatória.
- Depende de múltiplos fornecedores fragmentados.
- Subestima o risco de timing.
Enquanto isso, players capturam:
- Dados.
- Fluxo financeiro.
- Marca.
O custo invisível não é técnico, é estratégico com diferenciais e vantagens competitivas que alavancam negócios globalmente.
América Latina: laboratório global
O Brasil já figura entre os maiores mercados de stablecoins do mundo, ocupando a quinta posição global entre países e continentes. Se o modelo híbrido — combinando infraestrutura digital, cartão, compliance e distribuição — demonstrar eficiência no país, ele se torna naturalmente exportável. Não se trata de substituir bancos, mas de reconstruir a camada de liquidação mundial. Menos hype, mais estrutura.
O ponto final
A inteligência artificial está transformando as interfaces, enquanto as stablecoins redefinem o fluxo do dinheiro global. Interfaces geram ciclos curtos de vantagem; infraestrutura constrói vantagem composta. A questão já não é se esse sistema vai se consolidar, mas quem assumirá o controle da relação financeira com o cliente antes que outros o façam. 2026 não será o ano do discurso, e sim da consolidação de infraestrutura — e quem compreender a equação entre distribuição, compliance e a narrativa adequada para cada contexto será quem capturará o próximo ciclo.