O banco Standard Chartered iniciou a cobertura do token AAVE com uma das previsões mais otimistas já feitas por uma grande instituição financeira para a cripto. Em relatório divulgado ontem (24), o banco estima que o ativo pode chegar a US$ 3.500 até o fim de 2030. O patamar representa uma alta de cerca de 50 vezes em relação ao preço próximo de US$ 70 registrado no dia.
A análise foi assinada por Geoff Kendrick, chefe global de pesquisa de ativos digitais do banco. Para ele, o crescimento das finanças descentralizadas (DeFi), o ecossistema de aplicativos financeiros que funciona sem bancos ou intermediários tradicionais, deve impulsionar a demanda pela Aave nos próximos anos. A própria Aave é um dos maiores protocolos de empréstimo do setor, onde os usuários emprestam e tomam cripto emprestada sem passar por uma instituição central.
Por que o Standard Chartered fez essa previsão da Aave?
Kendrick comparou a Aave a um banco automatizado, que roda na blockchain e opera sem funcionários ou decisões discricionárias. No pico, em outubro de 2025, o protocolo chegou a reunir cerca de US$ 75 bilhões em depósitos. Segundo o banco, esse volume colocaria a Aave entre as 30 maiores instituições financeiras dos Estados Unidos por depósitos.
A tese central, porém, olha para o futuro. O banco projeta que o valor dos ativos tokenizados usados em aplicações DeFi vai crescer 37 vezes até 2030, chegando a US$ 2,7 trilhões. Tokenização é o processo de representar um ativo do mundo real, como um título ou imóvel, em forma digital na blockchain. Esse avanço seria sustentado pela expansão das stablecoins, criptomoedas atreladas a moedas como o dólar, e pela entrada de ativos tradicionais no setor.
Como deve ser a trajetória de preço do AAVE até 2030?
O Standard Chartered não enxerga um salto imediato. A valorização seria gradual ao longo da década, com metas anuais bem definidas.
A projeção aponta o token em US$ 180 até o fim deste ano. Depois, viriam os níveis de US$ 600, US$ 1.200 e US$ 2.200 nos anos seguintes, antes de alcançar a meta final de US$ 3.500 em 2030.
A Aave já se recuperou do ataque de abril?
O relatório chega depois de um período difícil para a plataforma. Em abril, um ataque a um projeto DeFi menor resultou no roubo de cerca de US$ 290 milhões. Os tokens roubados foram usados como garantia na Aave, e o episódio espalhou tensão por todo o setor.
O impacto foi direto. Os depósitos na plataforma caíram de cerca de US$ 44 bilhões para US$ 23 bilhões. A fatia da Aave no mercado de empréstimos descentralizados também recuou, de uma média de 59% antes do ataque para 38%.
Para o banco, no entanto, o pior já passou. Kendrick destaca a volta gradual dos depósitos e um novo modelo de gestão de risco proposto por Stani Kulechov, fundador da Aave, como sinais de recuperação.
O que pode dar errado na previsão da Aave?
O próprio Standard Chartered reconhece que o cenário depende de fatores que ainda não se concretizaram. Um deles é o Aave Horizon, braço institucional voltado para empresas financeiras tradicionais que querem tomar empréstimos usando ativos tokenizados como garantia. O banco considera a estratégia promissora, mas ainda sem resultados em larga escala.
A volatilidade segue como risco central. Nos últimos dias, o Bitcoin e outras criptomoedas registraram fortes oscilações, o que reforça a incerteza do setor. Outro ponto citado é a possível retomada do programa de recompra de tokens da Aave, que poderia funcionar como catalisador adicional.
Como ficam as metas para Bitcoin e Ethereum?
O relatório também trouxe projeções para as duas maiores criptomoedas. O banco prevê o Ethereum em US$ 40 mil e o Bitcoin em US$ 500 mil até o fim da década.
Apesar dos valores absolutos mais altos, a meta do AAVE implica a maior valorização relativa entre os três ativos no período. Vale lembrar que a cripto já mostrou forte volatilidade no passado: seu recorde histórico foi atingido em 2021, acima de US$ 661.









