Por que a IA ainda não substitui humanos no trading de cripto?

  • Nansen lança ferramentas de IA para aprimorar análise e execução de negociações on-chain.
  • CEO da Nansen afirma que IA complementa o julgamento humano, não o substitui, na análise de cripto.
  • IA se destaca em escala e detecção de padrões, enquanto humanos mantêm convicção e responsabilidade.
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A inteligência artificial tem transformado diversos setores. Onde a tecnologia avança, a pergunta se repete: ela vai substituir pessoas? No mercado cripto, esse impacto já é visível. Ele aparece em bots de negociação baseados em IA e em sistemas de trading automatizados, usados para executar ordens sem intervenção manual.

Para Alex Svanevik, CEO e cofundador da Nansen, a IA não substitui o julgamento humano. Segundo ele, a tecnologia amplia a capacidade de análise e apoia decisões mais qualificadas. Em entrevista exclusiva ao BeInCrypto, o executivo detalhou essa transformação e apontou como a inteligência artificial deve moldar o futuro das análises on-chain — termo usado para descrever dados registrados diretamente em blockchains.

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O debate sobre IA na cripto: CEO da Nansen defende ampliação, não substituição

Em ontem (21), a Nansen anunciou o lançamento de uma funcionalidade de negociação on-chain impulsionada por IA. A iniciativa marca a transição da empresa de uma plataforma focada apenas em análise para uma solução integrada, que combina insights e execução de operações.

A funcionalidade utiliza um banco de dados proprietário com mais de 500 milhões de carteiras identificadas. Na prática, isso permite ao investidor administrar portfólios, interpretar sinais on-chain em tempo real — informações extraídas do comportamento das transações na blockchain — e receber recomendações baseadas em dados. O sistema também possibilita a execução direta de operações dentro da própria plataforma.

“… Treinada e avaliada a partir do banco de dados proprietário da Nansen, a Nansen IA supera continuamente os grandes produtos de IA em benchmarks para análise e negociação on-chain. Isso garante que os insights oferecidos sejam não apenas mais precisos, mas imediatamente acionáveis para traders e investidores, transformando inteligência automatizada em vantagem prática para as operações”, afirma o comunicado.

O lançamento inclui ainda o conceito de “vibe trading”. Segundo a empresa, trata-se de uma abordagem mais intuitiva para sair da análise e chegar à execução on-chain, sem a necessidade de alternar entre diferentes ferramentas.

À medida que a IA assume tarefas cada vez mais analíticas, surgem dúvidas sobre o papel dos analistas humanos. Svanevik explica que a tecnologia se destaca no processamento de grandes volumes de dados, como o acompanhamento de fluxos entre blockchains e a identificação de padrões difíceis de perceber manualmente.

Ele ressalta, porém, que a decisão final continua sendo humana. Os usuários seguem responsáveis por formular as perguntas corretas e autorizar as ações sugeridas pelo sistema.

“O limite não é fixo. Ele muda à medida que a IA melhora o raciocínio e conforme os dados on-chain se tornam mais ricos. Mas o objetivo não é substituir o julgamento. É liberar os humanos de tarefas repetitivas para que possam tomar decisões mais complexas”, afirmou.

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O que torna a análise confiável em um mercado cripto liderado por IA?

Estudos indicam que a dependência excessiva de ferramentas de IA pode reduzir o pensamento crítico. No mercado de criptoativos, marcado por alta volatilidade e risco elevado, esse ponto ganha ainda mais relevância.

Svanevik, no entanto, apresenta uma visão diferente. Para ele, uma IA bem construída amplia a quantidade de sinais disponíveis e estimula análises mais críticas, em vez de reduzir o raciocínio humano.

“O verdadeiro risco sistêmico ocorre quando todos seguem a mesma estratégia. Isso não é exclusivo da IA: analistas humanos também caem nesse padrão. A resposta está na diversidade: de modelos, estratégias e interpretações de dados. Por isso estamos desenvolvendo ferramentas que promovem decisões individuais, não um oráculo único seguido por todos”, acrescentou.

O executivo também destacou que confiar cegamente, seja em IA ou em analistas humanos, não é seguro. Segundo ele, o ponto central é verificar se as análises se mantêm consistentes ao longo do tempo.

“A credibilidade na era da IA vem da mensuração e da repetição, não de um nome ou de seguimento em redes sociais como o X. A vantagem da IA é poder ser testada continuamente, em larga escala, confrontando-se com a realidade de uma forma impossível para indivíduos.”

Svanevik afirma que o teste mais simples é prático: questionar se as respostas são relevantes, fundamentadas e aplicáveis ao próprio perfil do usuário. Em sua avaliação, as pessoas conseguem identificar a qualidade da análise na maioria dos casos.

“A longo prazo, a confiança migrará de analistas individuais para plataformas que comprovam continuamente sua capacidade de trazer sinais e reduzir ruídos. Esse é o padrão que seguimos”, disse ao BeInCrypto.

Por que a IA analisa dados on-chain, mas não substitui a convicção humana

Analistas humanos costumam combinar métricas on-chain, preços e indicadores com contexto e julgamento. Já a IA depende de padrões identificados em dados históricos e comportamentais.

Questionado sobre a possibilidade de a IA desenvolver um julgamento semelhante ao humano, Svanevik afirmou que isso é provável, embora ocorra de forma diferente. Ele explica que a tecnologia tende a criar uma lógica contextual própria, mais eficiente para cruzar dados em tempo real e lidar com um volume de variáveis impossível para uma pessoa acompanhar.

“A evolução passa por dados de treinamento mais qualificados, janelas de contexto ampliadas e ciclos de feedback a partir de execuções reais. Já observamos isso com nosso agente: ele não apenas busca padrões—mas raciocina sobre dados comportamentais em tempo real. Isso é um julgamento embrionário. Com a evolução dos modelos e acúmulo de experiências em milhões de interações on-chain, essa capacidade vai se aprimorar”, afirmou.

Ainda assim, o executivo aponta um limite claro. A IA não consegue assumir responsabilidade nem definir tolerância ao risco individual. Ela identifica cenários e probabilidades, mas não decide o que fazer diante da incerteza.

“A análise on-chain, no fim das contas, gera ações no mundo real: alocação de recursos, apoio a equipes, manifestações públicas. Alguém precisa assumir essas decisões. Essa função é humana”, concluiu.

Para Svanevik, mesmo com avanços significativos, a credibilidade seguirá ligada às pessoas quando o tema envolve julgamento, responsabilidade e convicção.

“… Decidir o que importa. A IA pode mostrar o que está acontecendo on-chain, mas não determina pelo que você deve se importar. Isso é gosto. Isso é convicção. Isso é humano.”

No fim, o CEO vê a inteligência artificial como uma ferramenta poderosa de apoio. Ela amplia a leitura de dados e revela padrões em escala inédita, mas não substitui o papel humano na tomada de decisão. A responsabilidade final continua sendo das pessoas.


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