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O Bitcoin sobe 9% em julho, mas dados on-chain indicam pouca convicção

  • O Bitcoin subiu 9,3% em julho e caminha para o primeiro mês de alta desde abril.
  • Glassnode aponta o menor volume spot do Bitcoin desde 2019 quando medido em moedas.
  • Entradas semanais em ETF de Bitcoin diminuíram ao longo de julho antes de ficarem negativas em 29 de julho.
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O Bitcoin (BTC) caminha para registrar seu primeiro ganho mensal desde abril, mas a valorização ocorre em meio à queda de atividade do mercado.

A moeda acumula alta de 9,3% em julho, enquanto o volume de negociações à vista recua para níveis mais baixos em vários anos. A demanda institucional também diminuiu, evidenciando um descompasso entre o desempenho do preço e a participação no mercado.

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Volume à vista do Bitcoin atinge menor nível mensal em quase 3 anos

De acordo com dados do Coinglass, o Bitcoin recuou 20,4% em junho, registrando seu pior desempenho mensal desde junho de 2022. Esse resultado veio após uma queda mais leve de 3,5% em maio.

Julho encerrou essa sequência negativa. O Bitcoin iniciou o mês próximo de US$ 58 mil em 1º de julho, valor que também marcou a mínima mensal. O ativo manteve uma tendência de recuperação desde então e permanece em alta, apesar do recente recuo.

No momento desta reportagem, na quinta-feira, o Bitcoin era negociado em torno de US$ 64.058, com valorização de 0,58% nas últimas 24 horas.

Desempenho de preço do Bitcoin (BTC)
Desempenho de preço do Bitcoin (BTC). Fonte: BeInCrypto Markets

No entanto, a atividade de negociações não acompanhou a recuperação dos preços. Segundo a K33 Research, a média diária do volume à vista do Bitcoin ficou em torno de US$ 2,2 bilhões em julho. A empresa também apontou que julho de 2026 caminha para registrar o menor volume médio diário à vista de BTC desde novembro de 2023.

“… O open interest da CME permanece próximo de mínimas em vários anos e o open interest de futuros perpétuos está estável em cerca de 300 mil BTC”, aponta o relatório.

O analista on-chain Darkfost acompanhou a retração em diferentes plataformas. Segundo ele, o volume à vista de Bitcoin caiu mais de 75% em relação ao final de 2024.

A Binance movimentou pouco mais de US$ 35 bilhões em julho, ante US$ 246 bilhões em novembro de 2024. Os volumes recuaram 85% na Bybit, 67% na OKX e 61% na Coinbase no mesmo período.

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“Diante desse cenário, um retorno do Bitcoin a uma tendência altista parece depender de uma mudança no regime macroeconômico e, sobretudo, do ressurgimento da demanda, único fator capaz de impulsionar volumes novamente”, afirma o analista.

A Glassnode mede a mesma queda em moedas, e não em valores em dólar, eliminando o efeito da baixa de preço. Por esse critério, o volume à vista está no patamar mais baixo desde 2019. A queda no volume à vista de cripto se intensifica no mercado há meses.

Fluxos nas exchanges não indicam pressão vendedora nem escassez

O segundo indicador é ainda mais discreto. O analista Axel Adler Jr. afirma que não houve alteração significativa de direção na oferta de Bitcoin baseada em transferências para exchanges.

As entradas de Bitcoin nas exchanges giram em torno de 60 mil BTC considerando a média em 30 dias. O volume equivale a aproximadamente 76% da média anual, de cerca de 79 mil BTC. Um ano atrás, o fluxo era de quase 100 mil BTC – uma queda de quase um quarto em doze meses.

Entradas de Bitcoin em exchanges
Entradas de Bitcoin em exchanges. Fonte: Alex Adler Jr./Cryptoquant

O fluxo líquido entre depósitos e saques atualmente está em torno de -1.300 BTC, abaixo de um pequeno saldo positivo registrado na semana anterior.

“As exchanges não estão acumulando oferta adicional, mas também não há retirada em larga escala de moedas capaz de criar escassez de liquidez”, mencionou o analista.

A Glassnode chega à mesma avaliação sob outro ângulo. Depósitos e saques desaceleraram para um dos níveis mais baixos combinados desde os últimos 3 anos.

“O quadro lembra menos uma distribuição ou acúmulo, e mais desinteresse, padrão frequentemente observado no período mais calmo de um mercado de baixa. Com tão pouco movimento on-chain, há pouca oferta preparada para absorver uma possível elevação na demanda”, completou a empresa.

Demanda por ETF de BTC diminuiu ao longo de julho e virou negativa

O segmento institucional apresenta a interpretação mais clara do cenário. Os fluxos semanais para ETFs de Bitcoin à vista nos EUA começaram positivos no início de julho, mas encolheram progressivamente até ficarem negativos.

A semana encerrada em 10 de julho registrou uma entrada de US$ 197,4 milhões. As semanas seguintes atraíram US$ 75,7 milhões e US$ 33,8 milhões. Já a semana até 29 de julho apresentou um saldo negativo de US$ 29,3 milhões.

Fluxos de ETF de Bitcoin.
Fluxos de ETF de Bitcoin. Fonte: SoSoValue

O volume é discreto em comparação ao histórico recente. Saídas recordes de ETFs em junho chegaram à casa dos bilhões, indicando que os resultados de julho sinalizam mais indiferença que fuga do mercado.

No geral, a recuperação do Bitcoin em julho parece estar baseada em fundamentos frágeis. A sazonalidade representa mais um possível obstáculo: em cada um dos últimos quatro meses de agosto, o Bitcoin encerrou no negativo, com retorno mediano mensal de -7,49%.

Para reverter esse padrão, o mercado pode precisar de um catalisador relevante, aliado à retomada da demanda institucional e à procura no mercado à vista. Na ausência desses fatores, a alta registrada em julho pode se mostrar difícil de manter.

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