O senador americano Bernie Sanders acusou o Google de extorsão por causa da IA nas escolas. A empresa vai desativar a busca para contas de estudantes do ensino fundamental e médio, junto com as ferramentas de inteligência artificial (IA), e deixar a ativação por conta dos administradores das escolas.
O Google diz que a mudança dá mais controle às escolas. Críticos respondem que a IA está embutida na busca, então não dá para manter uma sem a outra. O impasse aumenta o risco político para o negócio principal da dona do Google, a Alphabet.
O que o Google anunciou?
A empresa anunciou a mudança na terça-feira (3), com detalhes para as escolas nos próximos meses. O Gemini, o Gemini Notebook, o Gemini in Classroom e a busca ficarão desativados para estudantes até que os administradores decidam ligá-los.
O Google também planeja testar um modo de lição de casa dentro da busca estudantil. Quando o aluno procurar ajuda com tarefas escolares, os resumos de IA, que aparecem acima dos resultados, e o Modo IA vão guiá-lo passo a passo, em vez de entregar só um resumo da resposta.
Onde está a polêmica?
A discussão gira em torno das escolas que rejeitam a IA. Segundo a CBS, o vice-presidente de educação do Google, Chris Phillips, disse que essas instituições não terão acesso à busca.
Sanders reagiu chamando a política de extorsão e repetiu o pedido de pausa no uso de IA. Em setembro, ele já havia defendido uma pausa total na IA.
O Google pode separar IA nas escolas da busca?
Horas após a repercussão, o Google publicou um esclarecimento. Segundo a empresa, as escolas poderão ativar o Gemini, o Gemini Notebook e a busca separadamente.
Mesmo assim, uma nota da comunidade do X, recurso em que usuários acrescentam contexto a um post, diz que executivos do Google descreveram a busca e a IA como muito integradas. Segundo a nota, escolas que ligarem a busca vão receber os recursos de IA sem poder recusá-los à parte.
Lina Khan, ex presidente da Federal Trade Commission (FTC), também se manifestou. Em publicação no X, ela disse que a decisão mostra o risco de deixar um monopólio sem regulação controlar um serviço essencial.
O momento delicado da Alphabet
Para a Alphabet, a hora é ruim. No fim de outubro, as ações do Google tiveram a maior queda em 22 anos depois do balanço.
E a briga sobre IA nas escolas aumenta a pressão em Washington, onde parlamentares discutem uma pausa no avanço da tecnologia. Sanders também já alertou sobre o dinheiro que o setor de IA pretende gastar nas campanhas políticas dos Estados Unidos.











