Volatilidade da Strategy atinge 106% enquanto volume desaba

  • Volatilidade da MSTR atinge 106% enquanto valor negociado semanal cai de 67% para 22% em relação aos picos de fevereiro.
  • RSI, CMF e dados de opções indicam menor convicção mesmo com a 101ª compra de Bitcoin.
  • Um fechamento abaixo de US$ 124 pode indicar uma correção mais profunda, enquanto acima de US$ 140 invalida o viés de baixa.
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A Strategy (MSTR) subiu 6% nesta ontem (2) após o salto do Bitcoin registrado no fim de semana finalmente impactar as ações. No entanto, o pré-mercado de terça-feira, cotado a US$ 131, já devolve todo esse avanço. Isso representa uma oscilação de aproximadamente 5% em relação ao fechamento de segunda, no momento desta reportagem.

Com o valor semanal negociado caindo 67% frente ao pico de fevereiro e a volatilidade atingindo 106%, a liquidez cada vez menor das ações da Strategy (antiga MicroStrategy) pode amplificar o que os indicadores técnicos já sugerem. E a faixa dos US$ 124 é considerada crítica para o ativo.

Bitcoin se recupera, mas volume e volatilidade apontam cenário diferente

O Bitcoin despencou para US$ 63 mil no fim de semana após o conflito entre Estados Unidos e Irã, mas se recuperou até a noite de domingo. Como as ações da MSTR só operam em dias úteis, o fechamento de sexta-feira, perto de US$ 129, incorporou dois dias de variação do Bitcoin em um único candle de abertura, o papel abriu em alta e avançou mais de 6% até fechar em torno de US$ 137 na ontem (2). Porém, o Bitcoin recuou de volta para US$ 66.800 durante a madrugada, e o pré-mercado desta terça-feira, a US$ 131, já eliminou os ganhos.

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Esse tem sido o padrão. Tudo que o Bitcoin performa nas noites e fins de semana, a MSTR absorve em movimentos intensos na abertura do mercado.

Essa compressão levou a volatilidade anualizada dos últimos 30 dias para 105,8%, a mais alta entre as principais empresas de grande capitalização dos EUA, superando os 67,5% do próprio Bitcoin e quase o dobro da média anual da MSTR, de 57,2%.

Volatilidade da MSTR
Volatilidade da MSTR: Saylor Tracker

Maior volatilidade significa oscilações acentuadas para ambos os lados, spreads mais largos e risco elevado de liquidações inesperadas, especialmente quando há menos participantes disponíveis para absorver os movimentos, consequência do recuo da participação.

A média semanal negociada caiu 67% em relação ao pico de US$ 7,8 bilhões observado no início de fevereiro, situando-se em US$ 2,59 bilhões. Já a média mensal está em US$ 3,30 bilhões, uma retração de 58% frente ao mesmo pico. O aumento da volatilidade aliado ao colapso no volume significa que menos investidores da Strategy estão causando movimentos maiores nas ações, tornando as mudanças menos confiáveis e mais sujeitas a reversões bruscas.

Queda do volume negociado
Queda do volume negociado: Saylor Tracker

Nesse cenário, a Strategy anunciou sua centésima primeira compra de Bitcoin em 2 de março. A empresa detém agora 720.737 BTC, adquiridos a um preço médio de US$ 75.985.

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Última compra de Bitcoin
Última compra de Bitcoin: Strategy

Com o Bitcoin próximo de US$ 67 mil, a posição tem uma perda estimada em torno de US$ 6–7 bilhões. A empresa segue ampliando a posição. O mercado não reage de forma positiva. E os indicadores sugerem que o salto visto na segunda pode ter sido pontual. O viés baixista pode permanecer.

Momentum, fluxo de capital e atividade de opções recuam juntos

A leitura do Chaikin Money Flow (CMF) em 0,06 relaciona a centésima primeira compra com o contexto mais amplo. O CMF normalmente serve como indicador indireto de movimentação institucional. Apesar de a Strategy ter acrescentado 3.015 BTC, o indicador não apresentou alta relevante. Ele está em queda desde meados de fevereiro, acompanhando a desvalorização do papel. Embora o movimento do CMF ainda pareça levemente otimista, a incapacidade da métrica de registrar um topo acima do preço das ações da MSTR sinaliza uma fragilidade crescente.

Caso o CMF cruze abaixo de zero (o que ainda não ocorreu), haverá a confirmação de que há saída líquida de capital da MSTR — em linha com a queda de 67% do volume semanal negociado.

CMF em queda
CMF em queda: TradingView

O Índice de Força Relativa (RSI) diário, indicador de momento, confirma esse enfraquecimento. Entre 9 de dezembro e 2 de março, o preço da MSTR está desenhando topos menores. Já o RSI mostra topos mais altos. Essa divergência baixista oculta sugere que a tendência de queda predominante pode retornar, abrindo espaço para novos recuos. E essa fragilidade fica nítida caso o candle de fechamento se forme abaixo de US$ 140.

O preço no pré-mercado reforça esse cenário de risco.

Divergência no RSI
Divergência no RSI: TradingView

Os dados de opções apontam a mesma direção. O índice de volume put/call em 0,92 e a relação de posições abertas em 0,93 estão perto da neutralidade: praticamente o mesmo montante alocado entre calls de alta e puts de baixa.

O pânico de fevereiro ficou para trás, mas ainda não surgiu uma convicção forte no mercado. A volatilidade implícita em 77,98% está abaixo da volatilidade realizada, que chegou a 105,8% anteriormente, indicando que os investidores projetam dias mais tranquilos pela frente. Esse cenário se confirma caso o BTC siga em uma faixa de preço restrita.

Relação Put/Call
Relação Put/Call: Barchart

No entanto, os movimentos das ações da MicroStrategy não acompanharam o mercado de cripto. Operadores estão aguardando, evitando apostas marcantes em qualquer direção, o que reflete a mesma queda na participação evidenciada pelo baixo volume negociado e até pelo CMF.

Previsão para as ações da Strategy: US$ 124 define tudo

A MSTR ficou presa entre US$ 140 e US$ 124 por quase quatro semanas, exceto por alguns momentos voláteis abaixo desse intervalo. A alta registrada na segunda-feira encontrou resistência em US$ 140 e recuou. O suporte em US$ 124, que corresponde ao nível Fibonacci de 0,236, é agora o principal ponto de atenção, representando uma queda de quase 10% em relação ao fechamento de segunda-feira.

O conjunto de evidências, como a divergência oculta de RSI indicando viés de baixa, CMF enfraquecido, posições neutras em opções, fatores macroeconômicos e volume drasticamente reduzido, reforçam a possibilidade de um movimento de queda.

Se o fechamento diário ficar abaixo de US$ 124, a próxima zona a ser monitorada é US$ 115. Abaixo dela, US$ 107 e US$ 100 ganham relevância.

Análise do preço das ações da MicroStrategy
Análise do preço das ações da MicroStrategy: TradingView

Apesar disso, segue um fator com potencial de alta. Se o Bitcoin se recuperar e se mantiver acima de US$ 69 mil, um fechamento convincente acima de US$ 140, acompanhado por forte volume, pode anular o cenário negativo e desencadear uma rápida reacomodação das posições. Considerando a volatilidade expressiva do papel da MSTR, esse movimento pode se prolongar.

Até lá, US$ 124 permanece sendo o patamar fundamental para o preço das ações da Strategy. Acima dele, o movimento lateral tende a continuar. Abaixo disso, a correção provavelmente se intensifica.


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