Dinheiro investido em DeFi cai 39% em 2026 com queda do mercado e recorde de ataques

  • TVL do DeFi caiu 39% em 2026, de US$ 115 bi para pouco mais de US$ 70 bi.
  • Correção começou após o pico de outubro de 2025; a liquidação de 10 de outubro eliminou US$ 19 bi em posições alavancadas.
  • 2º tri de 2026 teve recorde de ataques (83); o caso Kelp DAO tirou US$ 15 bi da Aave em quatro dias.
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O valor total bloqueado em finanças descentralizadas recuou cerca de 39% em 2026. O indicador caiu para pouco mais de US$ 70 bilhões, ante aproximadamente US$ 115 bilhões em janeiro. O dado é de um relatório da CryptoRank, agregadora de dados de cripto, publicado ontem (24).

O valor total bloqueado, conhecido pela sigla TVL, mede quanto dinheiro está depositado nos protocolos de DeFi. DeFi, ou finanças descentralizadas, é o conjunto de serviços financeiros que funcionam sem intermediários, por meio de contratos automáticos rodando em blockchain. Quando o TVL cai, é sinal de que os usuários estão tirando recursos do setor.

O que derrubou o TVL do DeFi em 2026?

A CryptoRank atribuiu a queda à correção mais ampla do mercado. O movimento começou após o pico das criptomoedas em outubro de 2025.

Naquele mês, o Bitcoin bateu recorde acima de US$ 122 mil. Logo depois, em 10 de outubro de 2025, uma onda de liquidações atingiu todo o mercado. O evento eliminou mais de US$ 19 bilhões em posições alavancadas, que são operações feitas com dinheiro emprestado. A partir daí, o setor entrou em um ciclo de redução dessas apostas.

Apesar do tombo, a CryptoRank vê resiliência. Segundo a agregadora, a desvalorização atual é bem menor do que a registrada no mercado de baixa de 2021 e 2022.

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Como o ataque à Kelp DAO acelerou a saída de capital?

Os ataques somaram mais uma camada de pressão. No acumulado do ano, o DeFi registrou 121 ataques e perdas de aproximadamente US$ 942 milhões, segundo a CryptoRank. As invasões não foram o principal motivo da queda. Mas a frequência abalou a confiança dos usuários e reforçou a saída de capital.

Nicolai Søndergaard, analista sênior de pesquisa da plataforma de inteligência cripto Nansen, citou um caso específico. Para ele, o ataque de US$ 293 milhões à Kelp DAO, em 18 de abril, condensou em poucos dias o que seriam semanas de saídas. A Kelp DAO é uma plataforma de restaking, modelo em que o investidor reaproveita ativos já em staking para ganhar recompensas extras.

O efeito foi imediato em outros protocolos. Nos quatro dias seguintes ao ataque, usuários da Aave retiraram cerca de US$ 15 bilhões em depósitos. A Aave é um dos maiores protocolos de empréstimo do DeFi.

Por que 2026 teve recorde de ataques a cripto?

O segundo trimestre de 2026 se tornou o período com mais ataques já registrado. Foram 83 explorações contra protocolos de cripto.

Ainda assim, o valor roubado ficou contido. Os US$ 755 milhões levados no trimestre seguem bem abaixo dos US$ 3,56 bilhões perdidos no quarto trimestre de 2020, o trimestre mais custoso da história em ataques a cripto.

Para Dmytro Matviiv, CEO da HackenProof, plataforma de segurança colaborativa e de recompensas por bugs, o número menor engana. Recompensa por bugs é o programa que paga quem encontra falhas antes dos criminosos. Ele disse ao Cointelegraph que as perdas menores são “interpretadas erroneamente como progresso”. Segundo Matviiv, apenas os grandes protocolos ficaram mais difíceis de atacar. Isso força os invasores a ampliar a superfície de ataque, ou seja, o conjunto de pontos vulneráveis que podem ser explorados.

O que a queda do TVL do DeFi muda para os usuários?

A insegurança muda o comportamento de quem investe. Alvin Kan, diretor de operações da Bitget Wallet, afirmou que as explorações deixam os usuários mais cautelosos.

Esse capital tende a migrar. Sai de protocolos “mais fracos” e vai para os que têm “plataformas mais robustas e modelos de rendimento mais claros”, segundo Kan. O resultado provável é uma consolidação maior do setor.


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