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Super Quarta: Especialistas veem alta dos juros nos EUA como positiva para o mercado cripto

7 mins
Atualizado por Aline Fernandes

EM RESUMO

  • Índices de mercados globais despencaram após a super quarta.
  • Preços dos criptoativos também estão em queda.
  • No Brasil , instabilidade política influencia mercado interno.
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O Banco Central dos Estados Unidos elevou a taxa de juros em 0,5 ponto percentual com objetivo de conter a inflação, que chegou no maior patamar das últimas quatro décadas. A alta histórica mexeu com os mercados e no Brasil a autoridade monetária seguiu pelo mesmo caminho.

No mesmo dia, a taxa Selic subiu para 12,75%, no décimo aumento seguido anunciado pelo Comitê de Política Monetária do BC. A alta ocorreu pelo mesmo motivo anunciado pelos EUA: inflação alta.

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Os principais fatores que pesam sobre a inflação são as consequências do isolamento causado pela pandemia da Covid e a invasão da Rússia à Ucrânia, que parece estar longe de chegar ao fim, e impacta diretamente nos preços da principais commodities do globo.

Segundo o fundador e CEO da Passfolio, David Gobaud,

“Nesta quarta-feira, 04 de maio de 2022 o Bitcoin subiu cerca de 6% depois que o Fed elevou as taxas de juros em apenas 0,50%. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse que o comitê não estava considerando o temido aumento de 75 pontos-base. A notícia é definitivamente otimista para os mercados de criptomoedas, já que os aumentos de até 0,5% até 2022 já estão precificados.”

A alteração dos juros nos dois países ocorre junto à divulgação de uma pesquisa da Kucoin que revelou que mais de 53% dos investidores brasileiros veem os criptoativos como um armazenamento confiável de valor.

Por sua vez, o CEO da Block4, Thiago Canellas, acredita que:

“Os dois pontos estão associados a mesma questão de fundo, que é o Bitcoin ser cada vez mais um ativo global e não dependente de uma outra economia. Então isso faz muito sentido para um brasileiro que quer fugir do risco de inflação e que esteja preocupado com o risco político local investir em Bitcoin, basicamente porque ele é um ativo que não sofre esses riscos, – que são riscos do Brasil. O Bitcoin não vai ser afetado. Então a tendência é que se aprecie em um cenário de maior inflação e eventualmente, de maior risco político no país”.

Ele acrescenta que “da mesma forma, obviamente que o aumento de taxa do FED, revertendo uma tendência de 22 anos, tende a tirar liquidez de qualquer ativo de risco, incluindo o Bitcoin. Existem ainda outras questões que são mais globais e que vão impactar muito mais o preço do Bitcoin do que eventualmente o aumento de juros do Fed em específico”.

Já para o gerente de Carteira de Títulos Globais de Janus Henderson Investors, Jason England,

“Se o anúncio do Federal Reserve (Fed) provou alguma coisa, é que o banco central dos EUA continua a priorizar a orientação futura na sinalização da política monetária para garantir aos mercados financeiros que suas mãos permanecem firmemente no leme durante um período de considerável incerteza econômica. Depois de seu apelo fracassado sobre a inflação transitória, o presidente Jerome Powell e companhia têm seu trabalho cortado para eles”.

“A evidência, até agora, é que a virada do Fed nos últimos meses está encontrando ouvidos receptivos nos mercados financeiros. Vemos isso, principalmente, em uma curva de juros achatada. Ao longo de 2022, o rendimento do Tesouro dos EUA de 2 anos aumentou 191 bps para 2,64% (após a queda nos rendimentos de quarta-feira), à medida que o mercado precifica a taxa básica de juros de curto prazo”.

“Enquanto isso, o rendimento de 10 anos subiu menos dramáticos 141 bps, para 2,92%. Interpretamos isso como o mercado vendo o Fed tendo uma chance de lutar ao pilotar a economia dos EUA em direção a um pouso suave. Se o Fed tivesse perdido toda a credibilidade com os investidores, provavelmente estaríamos vendo um spread entre os rendimentos do Tesouro de 10 e 2 anos em um nível superior aos atuais 28 bps”, conclui.

Para o analista de mercado financeiro da OANDA em Nova Iorque, Edward Moya,

“Uma decisão histórica do Fed entrou nos livros e o presidente da instituição financeira, Powell, não decepcionou. O Fed entregou a primeira alta de juros em 22 anos e sinalizou que mais aumentos de juros são apropriados e que o segundo turno do balanço começará em junho. O crescimento está esfriando e isso pode ficar muito pior, já que a invasão da Ucrânia continuará pressionando os preços. Wall Street ainda acredita que o Fed será capaz de fazer um pouso suave e isso é uma boa notícia para as ações. A principal conclusão do Fed é que eles não estão prontos para considerar aumentos maiores das taxas”.

A inflação não está desacelerando tão cedo, mas isso não está assustando Powell à medida que sua confiança cresce de que ele pode remover a opção de aumentos de taxas do tipo Volcker. As ações dos EUA subiram depois que o presidente do Fed, Powell, sinalizou que pode desacelerar a inflação sem desencadear uma recessão.

As bolsas americanas fecharam em alta de cerca de 3% nesta quarta-feira – mesmo caminho  do Ibovespa no Brasil que seguiu a valorização no mercado externo e retomou o patamar dos 108 mil pontos com valorização de 1,70%” .

Mas, na quinta-feira (5), os índices das principais bolsas de Wall Street, como NYSE, S&P e Nasdaq, voltaram para o negativo, demonstrando que a euforia e o bom humor dos traders durou pouco com várias preocupações no mercado interno – como as taxas de hipoteca, que saltaram para 5,27% nos EUA, a maior de 2009 – e os dados sobre a produtividade no país que caiu no pior patamar desde 1947, elevando os custos trabalhistas. Os criptoativos estão na mesma direção e também operam no vermelho

O Diretor de Investimentos da QR Asset Management, Alexandre Ludolf lembra que ainda tem muita coisa por vir:

“Tanto a alta de 50 pontos quanto o ritmo de redução do balanço foram dentro do esperado e em linha com a expectativa geral do mercado. Powell afirmou ainda que pode dar 50 pontos nas próximas reuniões e descartou alta de 75 pontos. Essa sinalização foi positiva. Ainda tem muito pra passar debaixo da ponte,  e vai ser crucial avaliar a dinâmica inflacionária nos próximos meses.

Se, no futuro, o FED for obrigado a aumentar mais os juros, as criptomoedas sofrem, em um ambiente de aversão a risco mais intenso. O mercado cripto não vai passar incólume a uma precificação maior de aumento de juros, mas acreditamos que projetos de criptomedas maiores, mais relevantes e mais maduros como o Bitcoin e o Ethereum, tem uma perspectiva melhor em um ambiente de maior inflação e necessidade de aumento de juros mais forte”.

O executivo de negócios do Mercado Bitcoin, Bruno Milanello diz:

“O mercado financeiro, seja ele tradicional ou novo, como o de criptoativos, não gosta de incertezas. A tensão que se via nos dias, horas e momentos que precediam o anúncio do FED mostrava claramente essa dinâmica. Dito isso, quando se tem mais clareza, a volatilidade reduz e uma direção fica mais evidente, seja ela positiva ou negativa.

Por isso é fundamental ter o quebra-cabeças completo, no caso o comunicado do FED e o discurso seguido de entrevista do presidente da instituição americana. Somadas, as duas peças trouxeram um alívio ao mercado pois foi dito que um aumento mais agressivo de 75 pontos base “não é algo que o FOMC está ativamente considerando, por enquanto”.

Dito isso, há uma tendência que ativos de maior risco, como ações de tecnologia e criptoativos, se recuperem no curto prazo ou até que algum dado (como a inflação) ou evento (guerra, pandemia) interrompa o que foi traçado.

Diversas outras variáveis devem ser consideradas ao se fazer qualquer tipo de investimento e agora não é diferente. O percentual de alocação, prazo ou objetivo financeiro, depende exclusivamente de uma avaliação individual dos investidores.

“Há que se considerar ainda toda uma conjuntura, ou seja, apesar de um alívio momentâneo com a política monetária americana, temos que considerar a conjuntura brasileira, os indicadores locais e o ano em que estamos, o de eleições presidenciais. Mas por ora, foi positivo para o mercado“, concluí.

O Country Manager da Ripio, Henrique Teixeira, finaliza:

“Com estes movimentos, o governo americano espera atrair mais recursos para a renda fixa, tirando os dólares da economia para tentar controlar a inflação. O Brasil continua o movimento, que se iniciou 14 meses atrás, bem antes dos Estados Unidos, subindo os juros mais 1%, para 12,75%. O mercado de renda variável, ações e criptoativos deve sentir com este movimento de migração de capital e mais volatilidade é esperada”.

“A partir do momento que estamos vendo esse institucional e investidores saindo do mercado tradicional, vemos também isso acontecendo no setor cripto. É um momento de observar e ter pé no chão, não tomar decisões sem ter certeza, e sempre olhar a longo prazo e analisar bem o mercado e as notícias. Pois toda essa movimentação afeta todas as áreas”diz a Community Manager da Liqi, Flávia Jabur.

“Hoje, todos estão acompanhando, tanto o internacional como o cripto. O Bitcoin está em queda junto com o S&P 500. O que acontece é que além dessa notícia, estamos vivendo um cenário ainda bem tenso, como a Covid que ainda não acabou, a guerra da Russia e Ucrânia, então existe muita incerteza e a inflação também. E com os juros aumentando, os investidores saem da renda variável e entram na renda fixa, buscando mais segurança”, completa Jabur.

Mesmo que os brasileiros mais jovens não tenham vivido antes do Plano Real e não conheçam tão bem os efeitos devastadores da inflação, a memória inflacionária ainda é muito forte no Brasil. Felizmente agora o cidadão comum tem o Bitcoin como alternativa para preservar o seu poder de compra, complementa o diretor de Produtos e Parcerias da Transfero, Safiri Felix.

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Aline Fernandes
Aline Fernandes atua há 20 anos como jornalista. Especializada nas editorias de economia, agronegócio e internacional trabalha na BeINCrypto como editora do site brasileiro. Já passou por diversas redações e emissoras do país, incluindo canais setorizados como Globo News, Bloomberg News, Canal Rural, Canal do Boi, SBT, Record e Rádio Estadão/ESPM. Atuou também como correspondente internacional em Nova York e foi setorista de economia dentro do pregão da BM&F Bovespa, hoje B3 -...
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