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Reviravolta na economia: 15 anos da criptomoeda Bitcoin de Satoshi Nakamoto

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Atualizado por Aline Fernandes

Há uma década e meia, o até hoje desconhecido Satoshi Nakamoto publicava o whitepaper do Bitcoin. Chamado de Bitcoin: A Peer-to-peer Electronic Cash System. De lá para cá, muita coisa mudou na economia global, que hoje vive paradigmas inéditos com a chegada da criptomoeda.

Pioneiro, Nakamoto contava ao mundo em pleno Halloween de 2018, sobre a sua proposta de um sistema para transações eletrônicas entre pessoas sem depender da confiança em terceiros.

“A versão de dinheiro eletrônico puramente entre pares permitiria que pagamentos online fossem enviados diretamente de uma pessoa para outra sem a necessidade de passar por uma instituição financeira, como bancos, por exemplo.”, diz o início do documento.

Leia mais: As 10 criptomoedas para investir em janeiro de 2024

Crise 2007/2008 e o surgimento do Bitcoin

À época, a economia global já sentia a crise subprime ou “créditos podres” de 2007/2008 nos Estados Unidos. Eram as consequências das especulações fora da realidade no mercado imobiliário. A falência de instituições centenárias, como o banco de investimento americanoLehman Brothers (fundado em 1850), também impactou o mercado.

Entre 2007 e 2008, a renda das famílias americanas registrou queda de mais de 25%. O índice S&P 500 em Wall Street caiu cerca de 45%. Já o desemprego subiu para 10,1%, maior percentual desde 1983.

A Europa e o resto do mundo, sofriam efeitos nos investimentos globalizados vindos da maior economia do planeta. O efeito dominó foi inevitável. Economias emergentes, como o Brasil, foram menos impactadas, por investirem menores quantias nos fundos falidos americanos.

Várias nações precisaram recorrer e pedir empréstimos ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Devido ao aumento de dívidas públicas internas, já que governos também socorreram as instituições financeiras.

Foi neste momento conturbado da economia global que o mundo lia pela primeira vez, em 31 de outubro de 2008, o whitepaper do Bitcoin. Com o conceito de moeda digital descentralizada, sem o intermédio de bancos e governos, usando a blockchain.

“Num cenário econômico onde as pessoas que confiavam em bancos para guardar suas reservas de uma vida inteira foram pegas de surpresas ao não conseguirem mais sacar seu dinheiro, uma reserva de valor escassa, descentralizada e segura, era a solução para a quebra dessa confiança” explica o CEO e fundador da Bipa, Luiz Parreira.

Diferente das moedas tradicionais, que podem ser impressas sem controle, o Bitcoin possui um teto máximo de aproximadamente 21 milhões de unidades. Esse limite implica que a inflação é controlada e previsível, tornando-o um ativo deflacionário, lembra o executivo.

“Em um mundo onde bancos estavam imprimindo dinheiro desenfreadamente, o Whitepaper do Bitcoin representou uma alternativa sólida e limitada.”, acredita Parreira.

A não revelação da identidade verdadeira de Satoshi traz ainda mais credibilidade a criptomoeda, pois prova que não é necessário um centralizador para controlar as operações validadas na blockchain.

Formação do preço do Bitcoin  

Em 5 de outubro de 2009, a News Liberty Standard determinou que US$ 1 equivalia a 1.309,03 BTC. Isso significa que à época cada Bitcoin valia US$ 0,00764. A plataforma precisou determinar um preço ao se tornar pioneira no mundo a negociar a criptomoeda e estabelecer seu primeiro valor.

Hoje, um Bitcoin ultrapassa os US$ 34 mil e já chegou a valer quase US$ 70 mil.

Nesses 15 anos, o mundo passou por muitos desafios. Como a Covid-19, as guerras Rússia x Ucrânia e Israel x Hamas, desemprego global, inflações a níveis históricos. Nesse contexto, a economia mundial, na figura das finanças tradicionais, foi diretamente afetada. Assim, a capitalização total de criptomoedas explodiu e hoje vale mais de US$ 1,32 trilhões.

Mas o Bitcoin de Satoshi ainda domina amplamente as criptomoedas. A dominância do Bitcoin ultrapassou os 53%, conforme dados do coinmarketcap. A capitalização de mercado da criptomoeda mais amada e popular do ecossistema está perto os US$ 700 milhões.

Fonte: Coinmarketcap Dominância do Bitcoin.

Crises das exchanges abala o mercado em 2022

O ano de 2022 foi o mais turbulento da história das criptomoedas, com os colapsos de exchanges gigantes. É o caso da FTX, de Sam Bankman-Fried, que está preso nos Estados Unidos com o julgamento em andamento. O prejuízo estimado das vítimas está perto dos US$ 9 bilhões.

Quando a falência foi decretada, o preço do Bitcoin foi impactado junto. A criptomoeda passou de US$ 20 mil para cerca de US$ 16 mil em sete dias.

Casos anteriores, como Terra Luna de Do Know, e  Three Arrows Capital (3AC), também mexeram com o mercado e serviram de exemplo para melhorar a confiança no ecossistema de exchanges centralizadas.

Algo que usuários peer-to-peer do Bitcoin jamais passarão.

Dias atuais

Atualmente, a expectativa do mercado em geral – tradicional e cripto – é grande pela aprovação pela Security Exchange Commission (SEC) do ETF de Bitcoin, à vista da Black Rock. A aprovação deve abrir caminhos para o pedido de outras instituições e corretoras.

O iShares Bitcoin Trust da BlackRock, de acordo com a analista da Bloomberg Erin Balchusas, está cada vez mais perto de lançar seu ETF Bitcoin.

Enquanto isso, a proposta do ETF Bitcoin da Grayscale será analisada, conforme determinado pelo Tribunal de Apelações dos EUA. A decisão do tribunal segue o seu apoio anterior à alegação de que a rejeição inicial do seu pedido pela SEC constituía “discriminação injusta”.

Hester Pierce, da SEC, reconheceu a ineficiência da agência no tratamento de decisões relacionadas à indústria cripto.

“Realmente não posso falar sobre o que faremos com os produtos Bitcoin negociados em bolsa… Espero que eles acordem e pensem… precisamos adotar uma abordagem mais produtiva”, disse Pierce.

A especulação tem alimentado um mercado que tem estado decididamente estável nos últimos meses. Em meio as expectativas, o BTC ultrapassou o nível de US$ 35.000 esta semana.

O CEO da BlackRock, Larry Fink, vê isso como uma prova do consenso crescente de uma aprovação de ETF até o primeiro trimestre de 2024. Michael Dunn, da Bitnomial Exchange, também destacou a dissociação do Bitcoin das altcoins, especialmente com a expectativa do mercado de uma aprovação de ETF.

Futuro promissor

A Nasdaq listou na semana passada o trust de Bitcoin iShares da Blackrock como uma DTCC (Depository Trust & Clearing Corporation) com o símbolo $IBTC.

Isso foi visto como um sinal de confiança no produto, que ainda aguarda a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC).

Será que Satoshi Nakamoto imaginaria o sucesso do revolucionário sistema de pagamentos entre pares totalmente descentralizado? 

Independente da resposta, uma coisa é fato, o Bitcoin já mudou para sempre o sistema financeiro global.

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Aline Fernandes
Apaixonada pelo que faz, Aline Fernandes é uma profissional que atua há 20 anos como jornalista. Especializada nas editorias de economia, agronegócio e internacional trabalha na BeINCrypto como editora do site brasileiro. Já passou por quase todas as redações e emissoras do país, incluindo canais setorizados como Globo News, Bloomberg News, Canal Rural, Canal do Boi, SBT, Record e Rádio Estadão/ESPM. Atuou também como correspondente internacional em Nova York e foi setorista de economia...
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