A Strategy (antiga MicroStrategy) e BitMine Immersion Technologies disputam diferentes metas de acumulação em criptoativos. A BitMine assumiu a dianteira. O caixa em Ether está 16% abaixo do objetivo, enquanto a Strategy segue cerca de 18% atrás.
A BitMine superou a marca de 5 milhões de Ether (ETH) em 27 de abril, um patamar que representa 84% do caminho até atingir 5% de todo o ETH do mercado. Já a Strategy detém 818.334 Bitcoins (BTC), restando ainda 181.666 moedas para alcançar 1 milhão.
Corrida pela dominância corporativa em cripto
A BitMine, presidida por Tom Lee, detém 5,078 milhões de ETH, avaliados em cerca de US$ 11,5 bilhões a US$ 2.314 cada. O portfólio da empresa soma ainda US$ 940 milhões em dinheiro, US$ 200 milhões em Beast Industries e US$ 91 milhões em Eightco Holdings. O patrimônio total chega a US$ 13,3 bilhões.
A Strategy, liderada pelo presidente executivo Michael Saylor, pagou uma média de US$ 75.537 por BTC. O custo total está em US$ 61,81 bilhões. A compra semanal mais recente adicionou 3.273 BTC por US$ 255 milhões, a um preço médio de US$ 77.906 por unidade.
BitMine tem caminho mais curto
A BitMine precisa de cerca de 1 milhão de ETH adicionais para atingir a meta de deter 5% do fornecimento. Aos preços atuais, isso exige aproximadamente US$ 2,4 bilhões em novas compras.
Enquanto isso, a MicroStrategy necessita de quase US$ 14 bilhões a US$ 77 mil por BTC. A diferença em dólares é quase seis vezes maior. A BitMine poderia fechar essa lacuna com uma única rodada de captação de recursos no ritmo recente.
Os modelos de financiamento diferem. A Strategy capta recursos por meio de ações preferenciais perpétuas STRC e ofertas de ações no mercado.
A companhia acumula US$ 8,25 bilhões em dívidas e US$ 13,53 bilhões em ações preferenciais. As obrigações anuais de dividendos chegam a US$ 1,49 bilhão sobre um ativo sem rendimento.
A BitMine gera rendimento. A empresa faz staking de 3,7 milhões de ETH por meio da plataforma Made in America Validator Network (MAVAN), com retorno aproximado de 3%.
Isso produz US$ 264 milhões em receita anualizada. O staking completo levaria as recompensas a cerca de US$ 363 milhões anuais.
Bitcoin e Ethereum seriam os vencedores finais em qualquer cenário?
Se a MicroStrategy alcançar 1 milhão de BTC, teria sob sua posse 4,76% do fornecimento máximo do Bitcoin controlado por uma única empresa.
“…Considerando a média semanal de compras em 2026, terão 1 milhão de Bitcoins em dezembro deste ano. 1 M BTC representa 4,76% do total final, após a mineração completa. Por que compro MSTR? Duh”, afirmou um investidor.
Uma acumulação tão expressiva reduz a quantidade de moedas disponível para negociações à vista, podendo pressionar o BTC para cima em situações de liquidez restrita.
Por outro lado, o domínio de 5% do Ethereum pela BitMine provoca efeito distinto. A maior parte das moedas está em staking, sendo retirada da circulação e fortalecendo a segurança da rede.
Esse movimento combinado de acumulação e staking pode aumentar a sensibilidade do preço do ETH frente a nova demanda.
“…Se mais três ou quatro instituições seguirem a estratégia da BitMine, teremos uma crise de oferta maior do que a de 2021… 319 mil ETH fora do mercado + staking = pressão deflacionária acelerada… ETH a US$ 15 mil em dezembro não é otimismo. É inevitabilidade matemática se esse FOMO institucional se expandir. O capital inteligente está se posicionando AGORA. O varejo entrará com o ETH acima de US$ 8 mil”, escreveu o investidor e tecnólogo Paul Barron.
Tom Lee apresenta o Ether como reserva de valor e colateral para finanças tokenizadas, destacando o desempenho superior frente ao S&P 500 desde a intensificação das tensões geopolíticas.
A busca por tokenização e infraestrutura de blockchain impulsionada por IA reforça essa perspectiva.
A BitMine movimenta US$ 845 milhões diários na NYSE, ocupando a 129ª posição entre as ações listadas nos EUA. Entre os investidores estão Cathie Wood, da ARK Invest, Founders Fund, Pantera Capital, Galaxy Digital e Kraken.
A MSTR da Strategy, por sua vez, é negociada com prêmio de 1,25x sobre o valor patrimonial líquido.
A BitMine tem grandes chances de chegar à frente caso mantenha seu ritmo atual e acesso ao capital.
Apesar disso, isso pode indicar que o ETH supere o BTC, mas esse cenário depende de como ambos os caixas conseguem financiar a etapa final.
A disputa deve avaliar ainda se o ritmo de Saylor de 5.250 BTC por semana será mantido nos próximos oito meses.





