O balanço do segundo trimestre da Strategy registrou um prejuízo líquido de US$ 8,22 bilhões e apresentou um novo indicador, o BTC Hurdle ARR, cuja rentabilidade do Bitcoin da própria empresa está atualmente abaixo desse patamar.
A companhia estabeleceu esse limite em 10,8% e divulgou uma rentabilidade de 4,5% com o Bitcoin ao longo do ano. O diretor financeiro Andrew Kang classificou o número como o custo efetivo de crédito da empresa.
O que o novo indicador pretende mostrar
A Strategy divulgou o BTC Hurdle ARR e o Net Bitcoin Per Share em seu site nesta semana, alinhado à publicação dos resultados. Juntos, os índices procuram indicar se o crescimento do Bitcoin supera o que a empresa paga a credores e titulares de ações preferenciais.
Kang explicou o objetivo do indicador.
“… Nosso BTC Hurdle ARR de 10,8% representa nosso custo efetivo de crédito atual. Se o BTC ARR ficar acima dessa taxa, o Net BTC Per Share captura um spread positivo e valoriza-se mais rápido do que o Bitcoin daqui para frente”, afirmou Andrew Kang, diretor financeiro da Strategy, no comunicado.
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A comparação não é completamente precisa. A Strategy não divulgou um BTC ARR atual, e o rendimento do Bitcoin contabiliza o crescimento por ação em uma janela fixa, em vez de uma taxa anualizada.
A diferença entre 4,5% e 10,8%
O direcionamento ainda pode ser verificado. Um rendimento de 4,5% entre 1º de janeiro e 26 de julho corresponde a cerca de 8% ao ano, apontando um déficit de aproximadamente três pontos percentuais.
Pelo próprio raciocínio da empresa, um spread negativo implica que o Net Bitcoin Per Share não supera o desempenho do BTC. Quem investe em MSTR buscando exposição alavancada hoje paga mais em crédito do que obtém de retorno.
A análise desse mecanismo não é recente. O debate em torno dos novos indicadores acompanha a Strategy ao longo de 2026, assim como o derretimento do prêmio das ações MSTR em relação à quantidade de BTC sob gestão.
Por que o custo do crédito continua subindo?
O patamar aumenta conforme a Strategy desembolsa para captar recursos. A emissão de STRC trouxe US$ 7,53 bilhões este ano, alta de 254%, e a gestão elevou o rendimento dessas preferenciais para 12%.
Os dividendos preferenciais sozinhos consumiram US$ 400,7 milhões no trimestre, contra US$ 49,1 milhões há um ano. Cerca de US$ 218,4 milhões em BTC foram vendidos para cobrir esses custos.
O trimestre foi desafiador. Um impairment de US$ 8,32 bilhões resultou em prejuízo líquido de US$ 8,22 bilhões, ou US$ 24,45 por ação diluída. Com o Bitcoin sendo negociado próximo a US$ 64.713, a posição de 843.775 moedas está cerca de US$ 8,9 bilhões abaixo do custo de US$ 63,69 bilhões.
O fundador e presidente executivo Michael Saylor entende o período como uma transição, não como pressão.
“… Em meio a esta fase de sentimento contido sobre o Bitcoin e ceticismo no mercado, seguimos evoluindo nosso modelo de negócios e estabelecendo o Crédito Digital como uma nova classe de ativos”, declarou Saylor.
Partes do balanço reforçam essa avaliação. As notas conversíveis caíram de US$ 8,21 bilhões para US$ 6,71 bilhões após um recompra realizada em maio com desconto de 8% em relação ao valor de face, enquanto a receita de software avançou 6,9%, chegando a US$ 122,4 milhões.
Uma reserva de US$ 3,75 bilhões cobre dividendos e juros para dois anos e um mês, o que evita problemas imediatos, embora a resiliência do STRC ainda seja questionada. O ponto mais crítico agora é se o spread ficará positivo antes de esse colchão reduzir.









