A Strategy (MSTR), empresa de tesouraria de Bitcoin liderada por Michael Saylor, caiu abaixo de US$ 100 pela primeira vez desde março de 2024, marcando uma reversão expressiva para uma das ações mais populares de Wall Street vinculadas ao Bitcoin.
A queda acontece enquanto o Bitcoin negocia próximo de US$ 61 mil, evidenciando a relação cada vez mais estreita entre o preço das ações da Strategy e a criptomoeda que hoje domina seu balanço.
Queda do Bitcoin iniciou a reação em cadeia
A Strategy possui 847.363 Bitcoin, sendo o maior investidor corporativo do ativo no mundo. Esse grande volume transformou o MSTR de uma ação de software em um veículo alavancado de Bitcoin.
Quando o Bitcoin se valoriza, o MSTR costuma ter desempenho superior. O contrário acontece agora.
À medida que o Bitcoin caiu dos máximos de 2025, o valor da tesouraria de Bitcoin da Strategy também diminuiu, assim como o interesse dos investidores por exposição alavancada em cripto.
Essa pressão levou o MSTR a romper o patamar de US$ 100, considerado importante pelo mercado e visto pela última vez em 1º de março de 2024.
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O maior problema: motor de captação da Strategy está sob pressão
A queda do Bitcoin, sozinha, não explica a intensidade da venda das ações.
Uma preocupação central é o STRC, valor mobiliário preferencial da Strategy utilizado para financiar compras de Bitcoin. A estrutura foi projetada para negociar próxima ao valor de face de US$ 100, mas recentemente caiu bem abaixo desse nível.
Com o STRC em baixa, sua rentabilidade efetiva subiu expressivamente, aumentando o custo de financiamento para a Strategy e dificultando a captação de novos recursos sob condições vantajosas.
Para os investidores, isso é fundamental, pois a estratégia de acumulação de Bitcoin da companhia depende de acesso eficiente ao capital. Quando esse motor se fragiliza, as expectativas de crescimento também são impactadas.
Primeira venda de Bitcoin abalou a confiança do investidor
A pressão aumentou quando a Strategy informou a venda de 32 Bitcoin para custear distribuições das ações preferenciais.
A quantidade vendida foi pequena em relação ao total que a empresa possui, mas o simbolismo foi relevante.
Ao longo dos anos, a Strategy construiu sua reputação com a filosofia quase sagrada de “nunca vender Bitcoin”. Até mesmo uma venda modesta lançou dúvidas e renovou o debate sobre a necessidade de liquidez da companhia.
Por que o MSTR caiu mais do que o Bitcoin
O MSTR não é apenas um representante do Bitcoin, e sim um proxy alavancado da moeda.
Com o recuo do Bitcoin:
- Os Bitcoins da Strategy perdem valor.
- Investidores perdem confiança no modelo de financiamento.
- Os prêmios em relação ao valor patrimonial diminuem.
- Apreensão sobre financiamentos fica mais evidente.
Essa combinação cria um ciclo que frequentemente faz o MSTR oscilar de forma bem mais agressiva do que o próprio Bitcoin.
O que esperar a seguir?
Os investidores agora monitoram dois pontos decisivos:
- Capacidade do Bitcoin de permanecer entre US$ 60 mil e US$ 61 mil
- Capacidade da Strategy de manter a confiança no modelo de captação de recursos.
Se o Bitcoin se estabilizar, o MSTR pode se recuperar rapidamente devido à sua alavancagem em relação ao ativo. Contudo, se o Bitcoin continuar sob pressão e as dúvidas sobre captação persistirem, a quebra da barreira dos US$ 100 pode ser relembrada como mais do que um marco técnico.
Pode representar uma virada para a operação de tesouraria de Bitcoin.









