O Estreito de Ormuz está fechado, com diversos países enfrentando escassez no fornecimento. O Goldman Sachs estima que uma perda de 14,5 milhões de barris por dia da produção do Golfo Pérsico está drenando os estoques globais de petróleo a um ritmo recorde de 11 a 12 milhões de barris por dia até abril.
Enquanto o mundo enfrenta a diminuição de petróleo, o Irã encontra dificuldades para armazenar o volume de óleo cru que não pode mais exportar.
Como o bloqueio dos EUA no Estreito de Hormuz alterou o fluxo de petróleo do Irã?
De acordo com uma proclamação presidencial, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) impôs um bloqueio a todo o tráfego marítimo que entra ou sai de portos iranianos a partir das 11h, horário de Brasília, em 13 de abril.
Nas semanas seguintes, as exportações de óleo cru iraniano despencaram, caindo de 1,85 milhão de barris por dia em março para cerca de 567 mil barris diários.
Isso representa uma redução de quase 70%, segundo informou a Bloomberg, citando a empresa de inteligência marítima Kpler. Os analistas relataram que nenhum navio-tanque conseguiu furar o bloqueio próximo ao Estreito de Hormuz.
Com as exportações interrompidas, o Irã fica sem opções para estocar óleo cru. Segundo a Kpler, restam apenas de 12 a 22 dias de capacidade disponível nos tanques para armazenamento.
O Goldman Sachs Group Inc. afirmou na última semana que o Irã já reduziu sua produção de óleo cru em cerca de 2,5 milhões de barris por dia. A limitação de espaço para armazenagem aumenta a probabilidade de Teerã ser obrigado a cortar mais 1,5 milhão de barris diários até meados de maio.
Os efeitos geram impacto em toda a região: países vizinhos produtores, como a Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e os Emirados Árabes Unidos também tiveram que reduzir a produção desde o início do conflito em 28 de fevereiro.
Apesar disso, Teerã não sentirá imediatamente o impacto na receita. Os embarques de óleo cru ao mercado chinês levam em torno de 2 meses para chegar ao destino. Os compradores levam mais dois meses para quitar as faturas. Esse atraso empurra o prejuízo financeiro para um intervalo de três a quatro meses, mesmo enquanto o armazenamento físico se esgota.





