Temores de alta nos juros do Fed recuaram na quarta-feira após a inflação de julho desacelerar para 3,4%. O ouro subiu, o cripto reagiu e um sinal amplamente acompanhado de fundo do Bitcoin (BTC) começou a piscar.
Um fator ainda falta. Segundo a CryptoQuant, a venda em pânico que marcou o fundo de todos os antigos mercados de baixa da cripto ainda não ocorreu.
Probabilidades de pausa do Fed aumentam após CPI de julho mais baixo?
O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de julho teve alta de apenas 0,1% no mês. A inflação anual desacelerou para 3,4%, após marcar 3,5% em junho. A inflação núcleo caiu para 2,5%, seu menor nível desde fevereiro. A gasolina mais barata, com recuo de 2,9% no mês, foi decisiva nesse resultado.
O mercado reagiu rapidamente. O CME FedWatch atribui agora probabilidade de 61,9% para que o Fed mantenha os juros em setembro. Há um mês, o consenso era de alta nas taxas e as chances de aumento ainda afetavam o Bitcoin no fim de julho.
O ouro teve valorização de 0,5% para cerca de US$ 4.436 por onça. O metal segue em alta após o fraco relatório de empregos dos EUA divulgado na semana passada. O cripto repetiu o rali, apoiado pelo fluxo consistente nos ETFs spot de Bitcoin.
Lindsay Rosner, da Goldman Sachs Asset Management, classificou o relatório como positivo, indicando que ele aumenta a margem de manobra para os formuladores de política monetária manterem os juros.
No entanto, Peter Schiff, economista, contesta essa visão e argumenta que o dado de julho ainda carrega o impacto da forte queda dos preços do petróleo em maio, não o recente aumento nas bombas verificado em julho.
“…O aumento de 0,1% do CPI em julho é ilusório. Os preços da energia caíram porque o CPI compara médias mensais. Porém, o petróleo e a gasolina subiram consideravelmente ao longo de julho, após iniciarem o mês em patamares deprimidos. Ou seja, o CPI de julho ainda reflete o colapso do preço do petróleo em maio, não a forte recuperação registrada em julho”, escreveu Schiff.
Se ele estiver certo, o próximo dado do CPI pode ser bem menos favorável.
Sinal de fundo do Bitcoin aparece, mas capitulação do mercado parece incompleta
Enquanto isso, o indicador aNUPL ajustado da CryptoQuant avalia ganhos e perdas não realizados de todos os investidores. Atualmente, mostra um cenário raro: os investidores mais convictos do Bitcoin estão mais negativos do que o mercado geral.
Esse padrão marcou todos os grandes fundos de ciclo. Surgiu em dezembro de 2018 e voltou em novembro de 2022, quando o BTC atingiu uma mínima de 77% abaixo do topo histórico. O atual prejuízo é mais suave. O BTC negocia cerca de 50% abaixo de seu pico, próximo de US$ 64.160.
“…O Bitcoin apresenta uma condição já ligada a fundos macro, mas sem o esgotamento emocional e financeiro claro que tornou fundos anteriores indiscutíveis”, escreveram analistas da CryptoQuant no X.
A Fidelity Digital Assets observa a mesma categoria de investidores. Recentemente, a empresa destacou a oferta de longo prazo como um dos sinais mais transparentes de formação de fundo.
Mas por que ainda não há confirmação de fundo? Nos ciclos anteriores, as perdas desses investidores foram mais profundas, entrando no que a CryptoQuant chama de território de “depressão”. Pode ser que neste ciclo não seja necessário tamanho nível de capitulação.
Os ETFs spot de Bitcoin, disponíveis desde janeiro de 2024, permitem agora que instituições absorvam moedas vendidas por investidores em pânico. Parte dos analistas gráficos ainda espera um último movimento de baixa.
Sinais futuros dependem do que o aNUPL mostrará. Uma queda mais acentuada, com grandes vendas, seria o típico “flush” final. Se o indicador voltar em direção a zero enquanto o BTC mantém fundo mais alto, pode indicar que a pior fase ficou para trás.
Resta mais uma divulgação do CPI antes da decisão do Fed em 16 de setembro. O resultado pode responder ambas as dúvidas de uma vez só.









