A gestora Grayscale projetou que a Aave pode chegar a US$ 175 em um cenário base de um ano. A estimativa aparece em um novo relatório da Grayscale Research. O documento aplica modelos tradicionais de avaliação financeira a tokens de finanças descentralizadas (DeFi), setor que oferece serviços financeiros sem intermediários como bancos.
A gestora calcula que a Aave pode gerar cerca de US$ 60 milhões em lucro líquido em 2026. Também estimou o valor justo atual do token entre US$ 80 e US$ 100. A análise usou fluxo de caixa descontado, múltiplos de lucro e comparações com bancos e fintechs. O fluxo de caixa descontado é um método que estima o valor de um ativo a partir dos ganhos futuros que ele deve gerar.
A Aave era negociada a US$ 75 na quinta-feira (18), segundo o CoinGecko.
Por que a Grayscale compara a Aave a um banco?
Para a gestora, a receita da Aave cresceu mais de seis vezes entre 2023 e 2025. O protocolo opera com margem estimada em 50%. A empresa apontou três motores para o crescimento dos lucros: a atividade de empréstimo, a stablecoin GHO e os produtos voltados a instituições. Stablecoins são criptomoedas atreladas a um ativo estável, em geral o dólar.
A Aave é um dos maiores protocolos de empréstimo do setor DeFi. A plataforma permite que usuários emprestem e tomem cripto emprestada sem um banco no meio da operação.
A receita sozinha não define o valor do token
A própria Grayscale fez uma ressalva. A receita do protocolo não garante o valor do token. As taxas podem ir para provedores de liquidez, cobrir custos operacionais ou ficar retidas por uma organização autônoma descentralizada (DAO). Uma DAO é uma estrutura de governança na qual as decisões são tomadas por votação dos detentores de tokens.
Além disso, quem detém o token em geral não tem os mesmos direitos legais de um acionista. A análise aplica métodos usados para ações, bancos e fintechs a um protocolo de cripto. A lógica da gestora é que parte da cripto já gera receita e lucro mensuráveis o bastante para caber em modelos financeiros tradicionais.
CoinShares mira HYPE e Ethereum com avaliação de longo prazo
A CoinShares adotou abordagem parecida. A gestora avaliou o token HYPE, da Hyperliquid, e o Ethereum (ETH). O cálculo usou taxas de protocolo, recompras e outros fatores econômicos para montar estruturas de avaliação de longo prazo.
No cenário base para 2031, a CoinShares avalia o HYPE em US$ 147 e o Ethereum em US$ 4.935. A maior parte do valor projetado para o Ethereum vem da função do ativo como garantia e moeda, e não de fluxo de caixa.
A gestora descreveu a Hyperliquid como um caso mais direto de captura de valor pelo token. Segundo a CoinShares, 99% das taxas do protocolo são usadas para recomprar HYPE por meio de um fundo próprio. Recompra é quando o projeto usa parte da receita para comprar o próprio token no mercado. Para o Ethereum, a gestora somou fluxos de caixa projetados a um prêmio maior de garantia e moeda.
O que está por trás do interesse institucional em DeFi?
Os estudos surgem em um momento de previsões otimistas para o setor. O banco Standard Chartered projeta que ativos tokenizados podem elevar o mercado DeFi a US$ 2,7 trilhões até 2030. Tokenização é o processo de transformar direitos sobre um ativo real em um registro digital na blockchain.
O banco afirmou que a Uniswap está posicionada para virar uma plataforma importante de mercados tokenizados. Parcerias com instituições financeiras tradicionais podem ajudar a Uniswap a atrair mais atividade.









