Palco BeInCrypto na Rio Innovation Week: onde TradFi e cripto se encontram

  • Binance lança Rende+, produto exclusivo para o Brasil com rendimento de 120% do CDI.
  • O BeInCrypto Intelligence divulga relatório "The Exodus Economy" sobre fuga de capitais na América Latina.
  • O Nubank alerta que acesso facilitado a stablecoins não significa menor risco.
Promo

O BeInCrypto Stage retornou ao Píer Mauá pelo quarto ano consecutivo durante o Rio Innovation Week 2026, transformando a manhã de quarta-feira em uma vitrine da agenda que agora aproxima bancos, exchanges e emissores de cartões.

Executivos de empresas como Binance, Visa, Nubank, BNY, Crypto.com, Mercado Bitcoin e Bitso, entre outras, dividiram o palco para analisar stablecoins, superapps financeiros, mercados de previsão e a infraestrutura que sustenta a próxima fase dos ativos digitais no país.

BeInCrypto lança relatório “The Exodus Economy”

O BeInCrypto iniciou sua participação no evento apresentando a “The Exodus Economy“, a primeira edição de um trabalho desenvolvido pela BeInCrypto Intelligence para mapear como o dinheiro latino-americano encontra novos destinos financeiros. O estudo acompanhou 12 anos de movimentações em dólar registradas on-chain, wallet por wallet, e auditou 60 endereços bilionários comparando com seus perfis na Forbes.

Patrocinado
Patrocinado

O relatório apresenta dados concretos sobre um fenômeno normalmente retratado em manchetes sobre milionários que deixam seus países. Segundo o estudo, brasileiros mantêm US$ 654 bilhões no exterior, conforme dados do próprio Banco Central, e 26,9 milhões de latino-americanos já vivem fora de seus países de origem. O levantamento aponta que cerca de US$ 63,2 bilhões foram enviados ao México nos últimos 12 meses, com uma movimentação em cripto já operando próxima da metade desse volume. Um dos resultados mais surpreendentes é que, dos 14 bilionários mexicanos analisados, todos ainda moram no país, o que demonstra que o êxodo existe, mas está longe de ser uniforme.

A edição foi revisada junto a um Conselho de Finanças da América Latina que reúne Caio Fasanella, Head de Investimentos da Nomad, Antônia Souza, Diretora de Moedas Digitais para América Latina e Caribe da Visa, Michael Rihani, Diretor de Cripto do Nubank, e Bruno Grossi, Head de Tecnologias Emergentes do Banco Inter.

Binance apresenta seu primeiro produto de rendimento exclusivo para o Brasil

A abertura do evento já definiu o tom. Thiago Sarandy, gerente geral da Binance no Brasil, subiu ao palco para anunciar o Binance Rende+, o primeiro produto de rendimento da plataforma desenvolvido exclusivamente para o público brasileiro. Trata-se de um investimento em reais que paga 120% do CDI, lastreado em títulos do Tesouro, permitindo aportes de até R$ 100 mil e remuneração diária, inclusive aos sábados, domingos e feriados.

“O Binance Rende+ reúne características já conhecidas pelo brasileiro, como rendimento atrelado ao CDI, com vantagens dos ativos digitais, como ganhos sete dias por semana, 24 horas por dia, e a possibilidade de resgate a qualquer momento. Isso amplia consideravelmente o potencial da carteira dos investidores. O dinheiro das pessoas não pode mais ficar restrito ao horário comercial”, afirmou Sarandy durante a keynote “Tudo o que seu dinheiro quer ser: os superapps financeiros”.

O executivo aproveitou para divulgar outra linha de expansão. Ainda em agosto, a Binance lançará no Brasil uma ferramenta que permitirá comprar ações listadas nos Estados Unidos diretamente pelo app da plataforma, com acesso a mais de 7 mil papéis de companhias norte-americanas.

Segundo Sarandy, o movimento consolida a evolução da Binance para além do mercado cripto, concentrando em um único ecossistema soluções como Binance Card, integração ao Pix, o novo Binance Rende+ e, em breve, investimentos em ações estrangeiras.

Os dados globais apresentados evidenciaram a dimensão da estratégia. Hoje, a Binance possui mais de 325 milhões de usuários, movimentou mais de US$ 34 trilhões em volume de negociações ao longo de 2025, mantém aproximadamente US$ 160 bilhões sob custódia e tem capacidade para processar até 4,4 milhões de transações por segundo.

Sarandy também destacou que a empresa é atualmente a plataforma cripto com o maior número de licenças regulatórias em diferentes jurisdições ao redor do mundo. Interessados no Binance Rende+ já podem se inscrever na lista de pré-lançamento pelo site da companhia.

Patrocinado
Patrocinado

Stablecoins e o desafio entre acesso e proteção

Se a apresentação da Binance colocou o superapp financeiro no centro da discussão, o painel “O dinheiro não dorme mais: stablecoins e a nova infraestrutura financeira global” trouxe o tema regulatório ao debate. O painel reuniu Nelson Leite, da Binance, Eduardo Abreu, vice-presidente da Visa no Brasil, e Sabrina Zaparroli, especialista sênior de Políticas Públicas do Nubank, com mediação de Luís de Magalhães, líder do BeInCrypto na América Latina.

Palco BeInCrypto no Rio Innovation Week
Palco BeInCrypto no Rio Innovation Week. Fonte: BeInCrypto

Sabrina Zaparroli, do Nubank, trouxe uma das reflexões mais densas da manhã ao abordar a suposta democratização do dólar por meio das stablecoins. Para ela, facilidade de acesso não significa ausência de risco.

“Vejo essa democratização como uma importante redução de barreiras. Para muitos, especialmente em transações internacionais de menor valor, a possibilidade de acessar um ativo virtual referenciado em moeda forte e movimentá-lo a qualquer momento pode garantir mais previsibilidade, velocidade e menos atrito. Mas é fundamental não confundir acesso com ausência de risco”, explicou.

Zaparroli reforçou que democratizar o acesso também significa democratizar informação e proteção. Ela pontuou que uma stablecoin não se torna, automaticamente, equivalente ao dólar no banco apenas por manter uma referência de valor, e os usuários precisam conhecer as obrigações do emissor, como são custodiadas as reservas e que garantias existem em caso de falha.

“A simplicidade da interface não pode esconder a natureza do produto. Precisamos unir inovação com transparência, controles proporcionais ao risco e uma comunicação que permita ao cliente decidir de forma consciente”, acrescentou.

A executiva afirmou que prefere tratar de acesso mais eficiente a serviços denominados em dólar, em vez de uma substituição automática da moeda local.

Eduardo Abreu, da Visa, destacou o caráter colaborativo da discussão, que reuniu empresas de diferentes elos da cadeia.

“Foi uma experiência muito positiva estar em um local onde se vê inovação, conteúdo e networking com pessoas de alto nível. E participar de um painel com empresas de setores distintos, certo? Nós como Visa, o banco como emissor, a Binance como exchange. Isso realmente demonstra como esse universo precisa ser colaborativo”, declarou o vice-presidente.

BNY e o argumento da infraestrutura

A visão institucional foi reforçada nas declarações de Carlos Xirau, Head de América Latina do BNY, que relacionou o debate à ideia de que a adoção em massa depende menos da tecnologia e mais de bases sólidas.

“Estamos vivendo uma convergência entre as finanças tradicionais e a economia digital. A adoção em larga escala de ativos digitais dependerá menos da tecnologia e mais da capacidade de criar uma infraestrutura robusta e confiável, apta a atender às demandas de investidores, empresas e instituições financeiras. Esse é o caminho para mudar a escalabilidade do mercado”, afirmou Xirau.

Mercados de previsões entram em pauta

Outro bloco que animou o palco na Rio Innovation Week foi o dedicado aos mercados de previsões, tema que ganha espaço nas discussões sobre novas primitivas financeiras. O CEO da Rain Protocol resumiu o posicionamento que acredita ser necessário diante de uma ferramenta ainda em construção.

“Os mercados de previsões representam uma nova fronteira. Precisamos entender como funcionam antes de avançar. Existem possibilidades inéditas e interessantes à frente. Bloquear essa ferramenta não é a resposta; compreender, sim”, afirmou o executivo.

Ele descreveu os mercados de previsões como uma primitiva de mercado completamente inédita, na qual as probabilidades passam a ser ativos negociáveis, liberando novas formas de precificar riscos, coordenar informações e criar produtos financeiros.

Para o CEO da Rain Protocol, o Brasil demonstrou abertura à inovação durante todo o evento e possui talento, curiosidade e espírito empreendedor para se tornar um dos líderes globais na definição do futuro desse segmento.

“A qualidade do debate refletiu a energia e a abertura do ecossistema brasileiro”, destacou.

Uma agenda que consolida a convergência

A quarta edição do BeInCrypto Stage na Rio Innovation Week confirmou o movimento presente em todos os painéis: a fronteira entre finanças tradicionais e ativos digitais está cada vez mais tênue. De um lado, exchanges como a Binance avançam sobre produtos de renda fixa e ações. De outro, bancos e emissores como o Nubank e a Visa incorporam stablecoins e trilhos onchain às suas operações, enquanto instituições como o BNY defendem a infraestrutura como pré-requisito para o ganho de escala.

Para ler o relatório “The Exodus Economy”, clique aqui.

A mensagem que ficou no Píer Mauá é que o debate não é mais se haverá convergência, mas sim como construí-la com transparência, proteção ao usuário e regras proporcionais ao risco.


Para ler as análises mais recentes do mercado de criptomoedas da BeInCrypto, clique aqui.

Isenção de responsabilidade

Todas as informações contidas em nosso site são publicadas de boa fé e apenas para fins de informação geral. Qualquer ação que o leitor tome com base nas informações contidas em nosso site é por sua própria conta e risco.

Patrocinado
Patrocinado