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Especializada em games Web3, brasileira Trexx almeja ser comprada pela Nintendo em 5 anos; Conheça

7 mins
Atualizado por Chris Goldenbaum

EM RESUMO

  • Trexx participa da Gamescom na Alemanha – maior feira de jogos eletrônicos do mundo.
  • Helô Passos diz que sonho é vender a plataforma de games Web3 para Nintendo em cinco anos
  • Na Ásia, Trexx marcará presença em conferências e hackathons na Coreia do Sul, Filipinas e Cingapura.
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O BeInCrypto entrevistou Heloísa Passos, a CEO da Trexx, plataforma de games Web3. Apaixonada por games desde criança, Passos contou sobre o atual momento da empresa e pretensões para o futuro.

Heloísa Passos sempre foi apaixonada por videogames, desde criança. Segundo ela, os videogames sempre foram o seu melhor amigo. Uma marca em específico, sempre teve ainda mais lugar no coração da empresária: ela se diz fã da Nintendo.

Meu primeiro contato com games foi quando eu tinha por volta de cinco, seis anos. Meu pai me deu de presente um super Nintendo com a fita do Super Mario world, descobri que tinha um novo amor ali.

Agora, adulta e empresária do ramo de games, ela almeja vender a Trexx para Nintendo em cinco anos. Heloisa fez a revelação quando embarcava para o maior evento de jogos de computador e videogames do planeta, o Gamescom. O evento aconteceu entre os dias 24-27 de agosto em Colônia, na Alemanha.

Heloísa Passos na Gamescom 2023. divulgação

Ela já participou do Gamescom graças a um convite do CreativeSP, onde ela apresentou a tecnologia por trás do Boomboogers, game em blockchain, criado na Trexx. O CreativeSP é um programa ligado a Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo em parceria com a InvestSP. A ideia é fomentar a economia criativa paulista.

A Gamescom foi incrível, o maior evento do Brasil ainda é pelo menos cinco vezes menor do que esse.  Foi muito interessante ver as diferenças culturais dos games, o tipo de jogo que performa melhor no Sudeste asiático, o que funciona no Brasil.

A empreendedora participou de reuniões, conheceu um pouco mais do cenário internacional de games e disse que a comissão do Brasil marcou presença forte, com o país sendo o homenageado.

Heloísa Passos durante a Gamescom 2023

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Do Brasil para o mundo

A viagem para a Alemanha foi a primeira parada de uma turnê que a empresária fará em uma série de eventos sobre Web3. Nesta terça-feira (29), ela desembarca no no Peru, para participar do Women in Tech Latam Awards. A celebração premiará mulheres de destaque em categorias como liderança global e disruptivas. A CEO da Trexx concorre na categoria Iniciativa mais impactantes na Web3.

C-levels da Trexx estarão na expedição, que passará pela Coreia do Sul e Singapura

Na sequência, a agenda de Passos segue em ritmo frenético. Em setembro, ela chega à Ásia. A turnê até ganhou nome próprio, sendo batizada de Missão Nave. A ideia é “aproximar, ainda mais, comunidades e projetos Web 3.0 brasileiros com o mercado internacional”, segundo ela.

Entre os eventos que a Trexx já tem participação confirmada no continente asiático, estão o Blockchain Week, na Coreia do Sul, Blockchain Filipinas e Token2049, em Cingapura. A plataforma também participará de hackathons no ETH Cinhapura e ETH Coreia.

Com previsão de crescimento em todo planeta, o universo de games asiático está entre os principais players do mercado. Empresas como Tencent, Nintendo, Sega e Bandai Namco tem investido pesado em desenvolvimento de novos jogos e licenças, visando criar novas febres mundiais. 

Dados da Blockchain Week Ásia mostram que o mercado de blockchain da região Ásia-Pacífico crescerá 70% ao ano, com um valor de mercado total de US$ 322,7 bilhões entre 2021 e 2030.

Segundo a idealizadora da Missão Nave, ao observar a relação da Ásia com a América Latina, o Brasil é um dos mais visados países da região para aberturas de mercado. Isso se dá pela alta adoção do Brasil aos criptoativos, além da possibilidade de desenvolvimento tecnológico em um movimento global que foca nas oportunidades dos países emergentes.

“Nos últimos meses, temos fortalecido ainda mais nossos esforços de parcerias e negócios internacionais, e estamos no caminho certo dentro do relacionamento que criamos com empresas da América Latina e do sudeste Asiático. Recentemente fomos finalistas do hackathon da Oasys, do Japão, sem contar as parcerias que já fizemos com a AAG e com a Japanese Born Ape Society”, afirma Heloísa.

A ideia também é criar oportunidades e aproximar, ainda mais, comunidades e projetos Web3 brasileiros com o mercado internacional.

Aqui no Brasil, possuímos uma das comunidades cripto mais engajadas do mundo, apesar da nossa dificuldade em acesso quando saímos de grandes metrópoles. O Projeto quer aproximar o ecossistema cripto asiático, das comunidades e iniciativas brasileiras, afirma Heloísa.

Além de Passos, a Missão Nave contará com Sabrina Olivo, Head de Open Innovation da Trexx, e Vinícius Chagas, CTO da Trexx.

“Será importante entender o que a comunidade de lá tem feito durante o ciclo de baixa e quais tecnologias e boas práticas podemos trazer para o Brasil”, ressalta a empresária.

Vida transformada pela blockchain

“Eu tive a vida transformada pela blockchain, consegui sair pela primeira vez do país, virar speaker, aparecer em mídia e ter amigos”, nos contou Heloísa.

A garotinha tímida com poucos amigos na infância, começou a jogar com os primos ainda criança. À época jogava títulos como Street Fighter, Mortal Kombat, Donkey Kong. Depois veio o Yu -Gi -Oh! e Pokémon, até a evolução dos games atuais.

“Quando eu era criança, antes de eu ter o meu videogame, ia pra casa dos meus primos, e sempre ficava muito a fim de jogar, só que criança pequena nunca tem o controle, então eu só ficava assistindo. Mas às vezes minha mãe dava bronca nos meus primos pra eu poder jogar um pouco, eu e meus primos menores, porque os maiores dominavam o controle.
E aí quando eu tive o videogame mudou um pouco… aí a gente já ficava trocando cartuchos”, revela a reportagem.

Acesso, desafios e oportunidades

Ela conta que à medida que foi crescendo, o videogame acompanhava sua vida. E pela sua timidez, a dificuldade em fazer amizades a aproximava ainda mais do universo dos games. Seus pais perceberam o comportamento, e esforçaram-se para viabilizar a companhia de Heloísa.

“Apesar de os meus pais não terem grandes condições financeiras, sempre me davam um videogame a cada três, quatro anos até eu crescer. ”

A CEO da Trexx nos contou que não fez faculdade de games. Se formou em Desenho de Animação e fez pós-graduação de Gestão em Economia Criativa. Ficou um bom tempo namorando o universo gamer como uma paixão, antes de mergulhar com tudo.

A oportunidade de trabalhar profissionalmente com jogos aconteceu em 2020.

“Criei a primeira comunidade de Axie Infinity da América Latina em 2020, focada em ensinar as pessoas como que elas jogavam, como que poderiam executar coisas dentro da blockchain. Essa comunidade acabou tomando proporções homéricas, e eu criei a minha primeira startup de games, que eu vendi em 2022.” explica Passos.

Em menos de um ano, ela tinha 30 mil pessoas na comunidade – de maneira orgânica. O que tornou a comunidade em a segunda maior do planeta, atrás apenas da original Axie Infinity. Vale lembrar que o Axie já comercializou mais de US$ 3,6 bilhões no próprio marketplace. O game tem mais de 2.8 milhões de jogadores ativos diariamente.

De lá para cá a trajetória da CEO da Trexx passou por várias mudanças e desafios.

Entre as dificuldades enfrentadas pela jovem empreendedora estão: falta de recursos financeiros, a barreira da língua e ser mulher no universo ainda muito machista dos games.

Um dos principais desafios que eu sempre tive foi a questão do acesso financeiro. Porque quando você tem um acesso financeiro e você trabalha com verticais criativas, consegue ter experiências que hoje eu estou tendo a possibilidade de ter, mas antes eu não tinha possibilidade. Por exemplo, de ir para polos de inovação.

A timidez ainda acarreta desafios de comunicabilidade, como trocar experiências, aprender e até fazer negócios em oturas línguas. Ela conta que dominar o inglês foi crucial para poder entender o que está se passando fora do Brasil.

“Comunicação sempre foi uma barreira para mim, mas a barreira da língua foi diminuindo conforme eu fui entrando na blockchain”, detalha a executiva.

A questão de ser mais jovem, e mulher, também afetou Passos.

Nunca ficou muito na cara, mas eu tenho certeza de que em algum momento também, por eu ser mulher, as coisas acabaram sendo mais difíceis, então talvez eu teria outra experiência, se eu fosse um homem, experiência de captação, de parcerias, enfim.

E complementa, “Eu acho que o mais legal da jornada foi poder conhecer pessoas incríveis, que acreditaram muito em mim, me ajudaram. E eu pude ajudar também a criar esse ecossistema, construir com a comunidade.”

A recente conquista da Trexx de ser aceita no programa de aceleração da Endeavor, foi citada pela jogadora empreendedora como maravilhosa.

Tudo isso está sendo incrível para gente, é algo que eu estou muito feliz! A nominação do Women in Tech Latam Awards também foi algo que fiquei. Super feliz, ver a equipe crescendo, enfim, são coisas que foram enchendo meu coração dentro da jornada, concluí a brasileira apaixonada por games.

A poderosa indústria de games deve movimentar quase US$ 200 bilhões este ano. A projeção é da consultoria PWC.

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Aline Fernandes
Aline Fernandes atua há 20 anos como jornalista. Especializada nas editorias de economia, agronegócio e internacional trabalha na BeINCrypto como editora do site brasileiro. Já passou por diversas redações e emissoras do país, incluindo canais setorizados como Globo News, Bloomberg News, Canal Rural, Canal do Boi, SBT, Record e Rádio Estadão/ESPM. Atuou também como correspondente internacional em Nova York e foi setorista de economia dentro do pregão da BM&F Bovespa, hoje B3 -...
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