Dólar cai a R$ 5 e registra pior semana em quase dois anos com a tensão entre EUA e Irã

  • Dólar cai 1,03% e fecha a R$ 5,0115, menor nível em mais de dois anos.
  • Trump ameaça reatacar o Irã se negociações no Paquistão fracassarem.
  • Petróleo acumula queda de mais de 12% na semana após cessar-fogo temporário.
Promo

O dólar encerrou a sexta-feira (10) em queda de 1,03%, cotado a R$ 5,0115. Foi o menor nível de fechamento da moeda americana em mais de dois anos. O último registro equivalente foi em 9 de abril de 2024, quando o câmbio terminou o dia a R$ 5,007.

No acumulado da semana, a moeda recuou 2,88%. É o pior desempenho semanal do dólar desde o início de agosto de 2024, quando havia caído 3,86% no período.

O movimento foi impulsionado por uma combinação de fatores externos e domésticos. No cenário internacional, a perspectiva de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã reduziu a aversão ao risco global. Aversão ao risco é o comportamento dos investidores de buscar ativos mais seguros em momentos de incerteza, o que costuma fortalecer o dólar.

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar caiu pelo terceiro dia consecutivo, refletindo esse alívio geopolítico e o fortalecimento do real.

Trump mantém pressão sobre o Irã

Apesar da perspectiva de acordo, o tom de Washington segue hostil. Em entrevista ao New York Post publicada nesta sexta-feira (10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que navios de guerra americanos estão sendo reabastecidos para um novo ataque ao Irã caso as negociações fracassem.

Patrocinado
Patrocinado

“E se não chegarmos a um acordo, usaremos essas armas; e as usaremos com muita eficácia”, declarou Trump.

O vice-presidente americano, JD Vance, partiu nesta sexta-feira (10) para Islamabad, no Paquistão, para liderar a delegação dos EUA nas conversas com representantes iranianos, previstas para o fim de semana. Vance emitiu um alerta a Teerã para que não “engane” Washington.

Horas antes, Trump havia publicado uma mensagem em sua rede social Truth Social se referindo ao “REARMAMENTO MAIS PODEROSO DO MUNDO!!!”.

IPCA e juros favorecem o real

No Brasil, o quadro doméstico também contribuiu para a valorização do real. O IPCA, índice oficial da inflação brasileira, registrou alta de 0,88% em março, acima da expectativa de mercado, que projetava 0,77%.

O resultado reforçou a postura cautelosa do Banco Central e elevou o diferencial de juros projetado. O diferencial de juros é a diferença entre as taxas de juros do Brasil e de outros países. Quanto maior esse diferencial, mais atrativo o país se torna para investidores estrangeiros em busca de rendimento.

Shahini destacou que esse ambiente favoreceu a entrada de capital estrangeiro tanto na renda fixa quanto na bolsa de valores, amplificando a valorização do real.

Nos Estados Unidos, o CPI, índice de inflação ao consumidor americano, veio em linha com o esperado em março, com núcleos mais fracos. O resultado não alterou de forma relevante as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve, o banco central dos EUA. Cortes estão precificados apenas para 2027.

Petróleo despenca com expectativa de acordo

Os contratos futuros de petróleo também fecharam em queda nesta sexta-feira (10). O Brent para junho recuou 0,75%, a US$ 95,20 por barril. O WTI para maio caiu 1,33%, a US$ 96,57 por barril.

Na semana, as perdas foram expressivas: 12,68% para o Brent e 13,42% para o WTI. A queda reflete o impacto do anúncio de cessar-fogo temporário entre EUA e Irã no início da semana, que reduziu os chamados prêmios de risco no mercado de energia. Prêmio de risco é a valorização extra de um ativo em momentos de crise ou incerteza geopolítica.


Para ler as análises mais recentes do mercado de criptomoedas da BeInCrypto, clique aqui.

Isenção de responsabilidade

Todas as informações contidas em nosso site são publicadas de boa fé e apenas para fins de informação geral. Qualquer ação que o leitor tome com base nas informações contidas em nosso site é por sua própria conta e risco.

Patrocinado
Patrocinado