O Circle Internet Group adquiriu o núcleo do portfólio de patentes de blockchain da IBM na segunda-feira, assumindo mais de 680 famílias de patentes e quase mil patentes concedidas globalmente. Nenhuma das empresas revelou o valor da transação.
As ações do CRCL eram negociadas próximas de US$ 63,60 no pré-mercado, cerca de 2% acima do fechamento em US$ 62,36 registrado na sexta-feira. A compra ocorre nove dias antes da divulgação dos resultados do segundo trimestre pelo Circle.
O que a Circle comprou do portfólio de patentes de blockchain da IBM?
Os ativos englobam tecnologia fundamental de blockchain, serviços bancários, soluções financeiras, seguros, verificação de cadeias de suprimentos e operações em nuvem com segurança aprimorada. O Circle afirmou que o acordo torna a empresa o maior detentor de patentes de blockchain nos Estados Unidos.
A afirmação se baseia em dados concretos. Segundo informações da Patent Sight divulgadas pela Statista, a IBM já ocupava o primeiro lugar entre os proprietários de famílias ativas de patentes de blockchain nos Estados Unidos em 2022, à frente da Ant Group.
Em outras palavras, o Circle não apenas adquiriu novas patentes. Ele comprou o portfólio que detinha a liderança nos Estados Unidos, assumindo assim essa posição de destaque.
Atualmente, o portfólio faz parte do USDC, do Circle Payments Network e da Arc, sua blockchain corporativa. Circle e IBM informaram que pretendem explorar parcerias comerciais adicionais.
… A propriedade intelectual é fundamental para avançar nossa missão e ampliar a adoção de infraestrutura on-chain. A IBM sempre foi referência em inovação tecnológica, e essa aquisição fortalece a capacidade do Circle para aprimorar a infraestrutura que impulsiona as finanças globais nativas da internet, afirmou Sarah Wilson, general counsel e secretária corporativa no Circle, em comunicado da companhia.
Por que as ações do CRCL subiram apenas 2% após o acordo de patentes com a IBM?
Uma valorização de 2% no pré-mercado é considerada modesta, e outros eventos explicam o motivo. O Circle chegou a saltar até 15% no intradia em 10 de julho, quando o Office of the Comptroller of the Currency aprovou seu banco fiduciário nacional, fechando o dia em alta de 5%.
Conquistas regulatórias impulsionam as ações. Compras de patentes não divulgadas não têm esse efeito.
Os investidores também não têm dados para analisar. O Circle registrou receita acumulada de US$ 2,86 bilhões e prejuízo líquido de US$ 14,3 milhões no trimestre, portanto, um desembolso relevante em caixa seria refletido nos resultados em 5 de agosto.
Os papéis da IBM subiram cerca de 1,8% no pré-mercado, atingindo US$ 218. Uma venda de patentes cujo valor não foi informado dificilmente impactaria uma empresa desse porte, indicando que as duas movimentações não devem ser interpretadas como relacionadas.
O sentimento do mercado está bem abaixo da média dos analistas. Vinte e sete especialistas mantêm preço-alvo médio de US$ 120,76, quase o dobro do fechamento de sexta-feira, apesar do colapso das ações do Circle após o IPO, saindo de um recorde de fechamento em US$ 263,45.
| Evento | Data | Reação do CRCL |
|---|---|---|
| IPO precificado em US$ 31 | 5 de junho de 2025 | Fechou a primeira sessão em US$ 83,23 |
| Aprovação do banco fiduciário pela OCC | 10 de julho de 2026 | Alta de 5%, fechando em US$ 66,14 |
| Lançamento da plataforma de stablecoin da Visa | 16 de julho de 2026 | Queda de 7,7% para US$ 60,64 |
| Aquisição das patentes da IBM | 27 de julho de 2026 | Alta de cerca de 2% no pré-mercado |
O problema do Open USD que essas patentes não resolvem
Eis um ponto que destaca a situação. A IBM integra o grupo de parceiros da Open Standard listado, ao lado de Visa, Mastercard, BlackRock, Google, Stripe e Coinbase.
A Open Standard lançou a Open USD em 30 de junho com apoio de mais de 140 investidores. O token devolve quase toda a renda das reservas aos distribuidores após a taxa de administração e não cobra nada para emissão ou resgate.
Esse modelo mira exatamente na fonte de receita da qual a Circle depende. Dan Dolev, analista do Mizuho, rebaixou a Circle para desempenho abaixo do esperado em 14 de julho e reduziu sua meta para US$ 50 vindo de US$ 85, citando o modelo de repasse.
Sua projeção de EBITDA ajustado para 2027 caiu para US$ 699 milhões vindo de US$ 1,09 bilhão. O JPMorgan também revisou para baixo seus números da Circle no mesmo dia, apontando a atividade fraca no setor de cripto no segundo trimestre.
Em seguida, a Visa colocou a ameaça em prática. Sua Stablecoin Platform, anunciada em 16 de julho, oferece acesso institucional para emissão e resgate a partir da Open USD, conforme comunicado da empresa divulgado.
Assim, a Circle adquiriu propriedade intelectual de blockchain de uma empresa que ao mesmo tempo ajuda a criar o consórcio que disputa a distribuição de pagamentos. As patentes aumentam o custo de copiar a estrutura da Circle, mas não recuperam o rendimento sobre reservas nem devolvem a distribuição.
O que acompanhar nos próximos 30 dias?
Quatro pontos vão indicar se este acordo representa uma mudança concreta ou apenas um sinal ao mercado.
Primeiro, os resultados de 5 de agosto. Atenção para o valor pago, possíveis novas linhas de ativos intangíveis e comentários da gestão sobre o uso das patentes.
Segundo, o acordo de distribuição com a Coinbase, destacado pelo Mizuho como previsto para renovação em agosto. Este contrato define quanto da renda das reservas da USDC fica com a Circle.
Terceiro, qualquer movimento da defesa para o ataque. A Circle ainda não declarou se pretende licenciar ou reivindicar essas patentes contra quem criar estruturas concorrentes.
Quarto, a relação com a IBM. As duas empresas sinalizaram que devem avançar em projetos comerciais, mas sem mencionar produto, prazo ou cliente específico.
Até lá, análises técnicas ainda apontam uma queda próxima de US$ 40 caso o suporte não resista. Ter as patentes por trás das finanças on-chain faz diferença se um consórcio com 140 membros pode simplesmente construir alternativas?









