As ações da Circle Internet Group (CRCL) caíram nesta terça-feira (30) após a Open Standard lançar a Open USD (OUSD), uma stablecoin atrelada ao dólar e apoiada por mais de 140 empresas, incluindo Visa, Mastercard e Coinbase, que visa o mercado liderado pelo token USD Coin (USDC) da Circle.
O lançamento reúne redes de pagamento, bancos e empresas de cripto em torno de um único token. A novidade chega enquanto o USDC da Circle e o USDT da Tether dominam a maior parte do mercado de stablecoins.
Por que o USDC da Circle enfrenta pressão?
A Open USD mira os clientes corporativos que impulsionam a adesão ao USDC. Empresas podem emitir e resgatar o ativo sem custos, e os parceiros mantêm o rendimento das reservas após uma pequena taxa.
Esse modelo desafia a fonte de receita da Circle. Segundo documento apresentado, o rendimento das reservas gerou 99% do faturamento da empresa em 2024.
A Circle pagou US$ 908 milhões à Coinbase naquele ano para distribuir o USDC. Agora, a própria Coinbase integra uma concorrente que permite aos parceiros manter o lucro das reservas.
As ações da Circle recuaram cerca de 15% após o anúncio, atingindo o menor nível do dia. O movimento amplia sequência de perdas desde a disparada dos papéis da Circle de US$ 50 para US$ 129 em seis semanas no início deste ano.
O maior risco está na distribuição. A Circle ganhou espaço quando o USDC superou a Tether em transferências corporativas. Agora, porém, a Open USD conta com apoio das redes responsáveis pela maior parte desses fluxos financeiros.
A Circle ainda mantém vantagens. O USDC possui reconhecimento regulatório nos Estados Unidos e na Europa, além de alta liquidez em exchanges.
Consórcio sustenta a Open USD
A Open Standard será conduzida por um conselho independente formado por parceiros. Zach Abrams comanda a companhia de forma interina. Ele cofundou a Bridge, empresa de stablecoin adquirida pela Stripe por US$ 1,1 bilhão em 2025.
Os apoiadores abrangem campos de finanças e tecnologia, de BlackRock e BNY até Google e Shopify. Muitas entidades já possuem suas próprias stablecoins ou desenvolvem empresas de infraestrutura de stablecoin, acompanhando integrações recentes de pagamento afirmadas pela Mastercard com stablecoins.
A Stripe integrou seu negócio de pagamentos diretamente ao token.
“A Open USD será a stablecoin padrão para empresas que operam na Stripe…” informou o anúncio, citando Will Gaybrick, presidente de tecnologia e negócios da Stripe.
Circle, Tether e PayPal não participam da iniciativa. O USDT da Tether lidera o segmento com cerca de US$ 185 bilhões, enquanto o USDC da Circle aparece com aproximadamente US$ 74 bilhões.
Apesar do apoio, a experiência anterior de consórcios não é animadora. Visa, Mastercard e Stripe apoiaram a Libra, stablecoin do Facebook lançada em 2019, mas abandonaram o projeto meses depois sob pressão regulatória.
A Open USD será lançada ainda este ano na Plasma e em outras blockchains projetadas para pagamentos com stablecoins.
O momento é crucial para a Circle, já que o acordo de compartilhamento de receita do USDC com a Coinbase precisa ser renovado em agosto.









