A Circle está desenvolvendo uma pilha financeira de quatro camadas em torno da Arc, sua nova blockchain. A Tether ainda domina o dólar digital mais usado na cripto.
Os investidores ainda enxergam a Circle como uma emissora de stablecoin. Os números confirmam. Os rendimentos das reservas responderam por 94% da receita do primeiro trimestre.
Por dentro da pilha financeira de quatro camadas da Circle
A Circle define a Arc como um sistema operacional econômico. As liquidações ocorrem em menos de um segundo. As taxas são pagas em USDC e a privacidade é opcional, já embutida.
As camadas se organizam assim: ativos como USDC, EURC e a token com rendimento USYC ficam na chain base. Produtos para desenvolvedores, como carteiras e o Cross-Chain Transfer Protocol (CCTP), vêm em seguida. Os aplicativos próprios da Circle, entre eles Mint e StableFX, são posicionados no topo.
O relatório da Circle informa que mais de 100 empresas aderiram à testnet da Arc após o lançamento em outubro de 2025. Goldman Sachs, Mastercard e Visa estão entre as parceiras iniciais. A testnet processou cerca de 15 milhões de transações na semana encerrada em 15 de julho.
Os grandes investidores acompanham. Os resultados do primeiro trimestre da Circle revelaram uma pré-venda do token ARC de US$ 222 milhões a uma avaliação de US$ 3 bilhões. BlackRock, a16z crypto e ARK Invest participaram da rodada.
O que explica tanta movimentação? Os rendimentos das reservas, de US$ 653 milhões, representaram 94% da receita de US$ 694 milhões da Circle no primeiro trimestre. As demais receitas dobraram em um ano, mas totalizaram apenas US$ 42 milhões. Essa estrutura é o plano de fuga da Circle.
A aprovação final da Circle como banco fiduciário nacional pela OCC reforça sua atuação regulatória. A licença foi concedida pelo Escritório do Controlador da Moeda dos EUA.
Por que a Tether ainda domina o dólar da cripto?
O valor de mercado do USDT da Tether está próximo de US$ 184 bilhões. O USDC soma US$ 73 bilhões. O volume caiu de US$ 77 bilhões desde o final de março.
A diferença nas negociações é ainda maior. O volume de negociação do USDT somou cerca de US$ 48 bilhões no último dia, quatro vezes o total do USDC. Somente na Tron circulam aproximadamente US$ 89 bilhões em stablecoins lastreadas em dólar, segundo dados da DefiLlama. Essa única chain supera todo o suprimento do USDC.
O histórico explica a preferência dos investidores. O USDC caiu de US$ 1 para US$ 0,88 em março de 2023. Cerca de US$ 3,3 bilhões em reservas ficaram bloqueados no colapsado Silicon Valley Bank. O mercado não esquece.
A Tether também reage rapidamente a determinações dos EUA. Ela congelou USDTs ligados ao Irã no valor de US$ 131 milhões poucas horas após novas sanções norte-americanas neste mês. Já a Circle enfrenta uma ação criminal em Wisconsin por recusar a devolução dos recursos de uma vítima de fraude sem ordem judicial.
A Circle, no entanto, possui um forte argumento. O USDC respondeu por 63% do volume transacionado em stablecoins no primeiro trimestre, de acordo com dados do Visa Onchain Analytics informados nos resultados.
O mercado de ações ainda não está convencido. As ações da Circle caíram cerca de 76% em relação ao pico pós-IPO. Uma divisão no mercado pode estar surgindo.
A GENIUS Act, a lei das stablecoins dos EUA para 2025, direciona dinheiro regulado para o USDC. Negociações offshore seguem com o USDT. O lançamento da mainnet da Arc testará se novas infraestruturas conseguem captar liquidez do dólar ainda controlado pela Tether.









