Bolívia e o FMI concordam com estrutura regulatória para criptomoedas

  • A Bolívia e o FMI concordaram que o país vai desenvolver um marco regulatório para criptomoedas.
  • O país enfrenta sua pior crise fiscal em décadas, com a dívida pública superando 80% do PIB.
  • A Bolívia aparece na lista cinza da FATF, aumentando a pressão para demonstrar avanços regulatórios.
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A Bolívia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) firmaram um acordo para que o país desenvolva, pela primeira vez, um marco regulatório dedicado às criptomoedas.

O compromisso aparece em um memorando oficial apresentado neste mês, enquanto o governo boliviano busca conter uma de suas piores crises econômicas em décadas.

Qual compromisso a Bolívia assumiu com o FMI?

O Memorando de Políticas Econômicas e Financeiras ainda não cria uma lei ou regulamentação. Trata-se de uma promessa formal: a Bolívia terá que elaborar, futuramente, regras específicas para supervisionar quem opera com ativos virtuais no país.

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Essa promessa integra um documento mais amplo, direcionado à estabilização do controle cambial e ao reforço das medidas de combate à lavagem de dinheiro. As criptos aparecem como apenas um dos elementos de um quadro fiscal mais complexo.

O país acumula uma dívida pública que já ultrapassa 80% do seu Produto Interno Bruto e encerrou 2025 com um déficit fiscal próximo de 12%. São dados que o próprio governo descreve como os piores em mais de quarenta anos.

A isso se soma a recente inclusão da Bolívia na lista cinza do GAFI, órgão internacional de monitoramento à lavagem de dinheiro. Essa classificação geralmente resulta em pressão externa para mostrar avanços concretos em regulação.

Como as criptomoedas passaram a integrar a agenda fiscal?

Nada disso ocorre isoladamente. Com escassez de dólares e a taxa de câmbio oficial deixando de refletir a realidade do mercado paralelo, muitos bolivianos viram no USDT uma alternativa prática diante da inflação.

Essa moeda digital deixou de ser marginal. Atualmente, ela é utilizada para pagamentos cotidianos, incluindo compras de combustível, conforme relatos locais sobre a adoção do ativo no país.

O próprio governo reconhece essa realidade paralela. O ministro da Economia, José Gabriel Espinoza, confirmou que existem estudos para dar ao USDT uma função oficial no sistema de pagamentos, semelhante à desempenhada hoje pelo dólar ou pelo boliviano.

O memorando com o FMI não resolve, porém, pontos essenciais. Não define prazos nem aponta qual órgão irá supervisionar o setor, deixando essas decisões em aberto para uma etapa posterior.

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