O preço do ouro (XAU/USD) está em US$ 4.824, alta de 18% em relação ao piso de US$ 4.097 registrado em 23 de março. O metal se aproxima da linha superior de tendência de um canal de baixa vigente desde 29 de janeiro.
No entanto, a valorização enfrenta três obstáculos. O volume diminui ao se aproximar da resistência. A relação ouro/prata indica fragilidade. E operadores de opções no maior ETF de ouro aumentam apostas pessimistas durante o avanço dos preços.
Ouro sobe 18% com queda no volume enquanto prata lidera
O preço do ouro negocia em um canal de baixa no gráfico diário desde o pico próximo de US$ 5.600 alcançado em 29 de janeiro. O limite inferior desse canal foi testado em 23 de março, quando o ouro tocou US$ 4.097.
Desde então, as cotações subiram 18% em direção à linha de tendência superior. Contudo, o volume aponta outra direção. Entre 24 de março e 16 de abril, a maioria dos candles de alta apareceu em volumes progressivamente menores. Na sessão mais recente, foram negociados somente 159,11 mil contratos, até o momento desta reportagem. Se houvesse maior entrada de capital, o volume aumentaria diante da resistência, ao invés de cair.
Paralelamente, a relação ouro/prata confirma a fraqueza do ouro. Esse índice mede quantas onças de prata são necessárias para comprar uma onça de ouro. Atualmente está em 59,95 e apresenta padrão de copo invertido no gráfico diário. O índice caiu abaixo do nível de Fibonacci de 0,618 em 60,58.
Uma queda nessa relação significa que a prata supera o ouro. Isso geralmente ocorre quando o apetite por risco aumenta e a busca por proteção diminui. Para que a relação sinalize força renovada do ouro, seria preciso recuperar os 60,58. Abaixo desse patamar, 58,43 e 55,69 permanecem como suportes. Mesmo assim, um repique por agora poderia apenas formar a haste do padrão, mantendo o risco no radar. Recuperar 65,47 seria ainda mais importante, caso o ouro queira superar sua principal concorrente.
A divergência de volume indica que falta convicção ao movimento de alta. Ao mesmo tempo, a queda da relação ouro/prata mostra que o mercado prefere prata a ouro. Ambos os sinais fragilizam a recuperação de 18% antes de chegar à linha de tendência.
Operadores de opções do GLD apostam na reversão da alta
Dados de opções do SPDR Gold Trust (GLD), maior ETF lastreado em ouro, indicam alerta. Em 1º de abril, a relação put-call em volume era 0,32, evidenciando forte preferência por calls e sentimento otimista no início da recuperação.
Porém, em 15 de abril, o índice chegou a 0,70. As negociações com puts mais que dobraram enquanto o ouro subia. O índice de open interest permaneceu em 0,55. Na prática, novas apostas pessimistas são abertas sem que posições otimistas antigas sejam desfeitas.
Apesar do avanço do ouro, operadores de opções se preparam para uma reversão. O aumento na atividade com puts e o open interest estável confirmam os sinais indicados anteriormente.
Níveis do ouro que indicarão se a alta será rompida ou perderá força
O gráfico de preços apresenta os níveis críticos para XAU/USD. O metal está em US$ 4.824, dentro do intervalo entre US$ 4.751 e US$ 4.953. Essa faixa limita o movimento recente dos preços.
Um avanço acima de US$ 4.953, correspondente ao nível de Fibonacci 0,5, indicaria força de curto prazo. Porém, o verdadeiro rompimento ocorre em US$ 5.155, nível de Fibonacci 0,618. Essa faixa coincide com o topo do canal de baixa. Um fechamento diário acima de US$ 5.155 marcaria a saída da estrutura baixista pela primeira vez desde janeiro. Os próximos objetivos passam a ser US$ 5.443, US$ 5.600 e US$ 5.810.
Por outro lado, uma falha diante de US$ 5.155 validaria o cenário negativo. Perder os US$ 4.751, patamar de Fibonacci 0,382, quebra o suporte atual. Abaixo, US$ 4.501 se torna o próximo apoio. Retomar os US$ 4.097 volta a ser possível se o canal prevalecer.
O preço do ouro em US$ 5.155 separa uma alta consistente de uma reversão. Um fechamento acima desse patamar e o avanço de 18% ganha força, o que ainda falta no momento.





