As ações da Apple (AAPL) abriram em forte queda nesta sexta-feira a US$ 304, recuando mais de 9%. A orientação fraca para o quarto trimestre fiscal ofuscou um trimestre de junho recorde, que superou as estimativas de receita e lucro.
Os papéis fecharam na quinta-feira a US$ 333,43, queda de 1,41%, poucos dias após a Apple atingir brevemente um valor de mercado de US$ 5 trilhões.
Trimestre recorde contrasta com orientação cautelosa
A Apple registrou receita de US$ 109,42 bilhões no trimestre de junho, acima do consenso de US$ 108,65 bilhões. O lucro por ação foi de US$ 2,02, superando com folga a estimativa de US$ 1,89. Os resultados completos mostraram crescimento de 16% na receita ano a ano, novo recorde para o trimestre de junho.
A receita do iPhone subiu 22% para US$ 54,25 bilhões, enquanto as vendas de Mac avançaram 29%, totalizando US$ 10,35 bilhões. Porém, as receitas de Serviços, de US$ 30,74 bilhões, e as vendas na Grande China, de US$ 18,82 bilhões, ficaram abaixo das projeções.
As previsões preocupam. O CFO Kevan Parekh indicou que a expectativa é de crescimento na receita de 9% a 11% para o trimestre de setembro, inferior aos aproximadamente 12% esperados por analistas. Ele atribuiu a projeção conservadora a restrições de oferta, impactos cambiais e ao aumento nos custos de memória impulsionado pela demanda de IA por chips DRAM e NAND.
O relatório foi também a última teleconferência de resultados de Tim Cook como CEO. John Ternus, que assume em 1º de setembro, afirmou a analistas que a Apple enxerga grande potencial em inteligência artificial.
Volume crescente e RSI em 62 mantêm interesse de compradores
Antes da surpresa negativa na orientação, o gráfico diário estava bastante positivo. A AAPL corrigiu de forma modesta desde a máxima histórica de US$ 344,57, mantendo nova zona de suporte em torno de US$ 333. Essa faixa serviu de resistência em meados de julho até o rompimento, clássico caso de resistência virando suporte.
O movimento é confirmado pelos indicadores. O Índice de Força Relativa (RSI) diário está próximo de 62, pouco abaixo da faixa considerada fortemente otimista. Ao mesmo tempo, o volume de negociações aumentou nos últimos dias, sugerindo maior participação do mercado. Essa combinação impulsionou a corrida até a marca de US$ 5 trilhões em valor de mercado no início desta semana, conforme destacou o BeInCrypto.
Se a fraqueza persistir, US$ 280 se torna o próximo patamar crítico. Esse nível impediu o avanço dos preços em fevereiro e segurou a queda acentuada observada no início de julho.
Projeção da AAPL depende da zona dos US$ 315
Gaps de resultado podem ser revertidos caso a pressão vendedora diminua. Se compradores recuperarem o patamar dos US$ 315 nos próximos pregões, a sequência de topos e fundos ascendentes será mantida. Uma volta à zona dos US$ 333 abre espaço para buscar o recorde de US$ 344,57, cerca de 12% acima das cotações do pré-mercado.
Se o patamar dos US$ 315 não for recuperado, vendedores mantêm o controle e expõem o suporte dos US$ 280, o que seria a correção mais profunda desde o recuo do início de julho.
Dois fatores podem definir o cenário. Novos acordos de fornecimento de memória de longo prazo podem aliviar as preocupações com margens apontadas na orientação fraca. Além disso, o lançamento da nova Siri neste segundo semestre pode reacender o otimismo com inteligência artificial, apontada em uma projeção de julho como determinante na valorização recente.
Os próximos pregões giram em torno de uma questão: compradores vão ensaiar uma retomada no patamar dos US$ 315 ou o gap de resultado sinaliza uma reversão mais ampla de tendência?











