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Circle supera Tether: veja como a Solana e Trump viabilizaram essa mudança

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Escrito e editado por
Lucas Espindola

09 janeiro 2026 13:00 BRT
  • USDC movimentou US$ 18,3 trilhões em transferências em 2025, enquanto USDT somou US$ 13,2 trilhões, mesmo com menos da metade do valor de mercado.
  • Explosão da DeFi na Solana impulsiona domínio da USDC, e stablecoin da Circle já detém mais de 70% do fornecimento na rede
  • Lançamento do token TRUMP impulsionou USDC, já que sua principal pool de liquidez na Meteora está pareada com a stablecoin da Circle.
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O USDC da Circle superou o USDT da Tether em volume anual de transações pela primeira vez, representando uma mudança histórica no cenário das stablecoins.

Durante uma década, o USDT permaneceu soberano como o principal nome entre as stablecoins. Ele ainda mantém um valor de mercado de US$ 187 bilhões — cerca de 2,5 vezes o valor de mercado de US$ 75 bilhões do USDC. Entretanto, 2025 trouxe outro panorama: a stablecoin menor agora movimenta mais capital.

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USDC lidera com 39%

Segundo dados da Artemis Analytics, o USDC processou US$ 18,3 trilhões em transferências em 2025, enquanto o USDT movimentou US$ 13,2 trilhões — diferença de 39%.

O indicador Artemis Stablecoin Transfer Volume exclui transações de bots de MEV e transferências internas de exchanges, focando na atividade orgânica na blockchain. Assim, estima-se o teto para pagamentos reais e uso do DeFi, e não apenas o volume bruto, muitas vezes inflado por operações automatizadas. Em resumo, contam pagamentos cotidianos, transferências entre pessoas e operações em DeFi; negociações via bots ou movimentações internas de carteiras de exchange não entram no cálculo.

O USDC processou US$ 18,3 trilhões em transferências em 2025, enquanto o USDT movimentou US$ 13,2 trilhões — diferença de 39%. Fonte: Artemis (Editado por BeInCrypto)

Por que o USDC se destacou

A diferença decorre de quatro fatores: operacionalização do DeFi, geografia das transações, eventos inesperados e mudanças regulatórias.

1. Volume negociado em DeFi

Especialistas apontam que a principal razão para a diferença está no uso distinto de cada stablecoin. O USDC predomina em plataformas de finanças descentralizadas, onde investidores alternam operações com frequência. O mesmo dólar circula várias vezes em protocolos de empréstimo e swaps em DEX. O USDT, por sua vez, atua mais como reserva de valor e meio de pagamento — investidores tendem a mantê-lo em carteiras ao invés de movimentá-lo constantemente.

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2. O fator Solana

O crescimento expressivo do DeFi em Solana impulsionou o USDC. A stablecoin já representa mais de 70% de todas as stablecoins na rede, enquanto o USDT permanece concentrado na Tron. Apenas no primeiro trimestre de 2025, o total de stablecoins em Solana saltou de US$ 5,2 bilhões para US$ 11,7 bilhões — aumento de 125%, impulsionado quase exclusivamente por ingressos do USDC.

3. A ironia do token Trump

O lançamento da memecoin TRUMP em janeiro de 2025 acelerou de forma inesperada a adoção do USDC. O principal pool de liquidez do token na Meteora DEX tem paridade com o USDC, não com o USDT. Isso fez com que investidores interessados em TRUMP tivessem de adquirir USDC, criando uma demanda que se espalhou pelo ecossistema DeFi em Solana.

A ironia é que a própria família Trump lançou sua stablecoin, a USD1, através da World Liberty Financial em março. Mesmo assim, o token TRUMP associado à família acabou impulsionando a concorrente.

4. Incentivos regulatórios

A aprovação do Genius Act nos EUA em julho estabeleceu diretrizes legais para emissores de stablecoins. Analistas do setor destacam que o compromisso do USDC com conformidade regulatória e transparência das reservas favoreceu a stablecoin sob o novo marco. Na Europa, a adesão do USDC às regras do MiCA lhe garantiu vantagem enquanto várias exchanges enfrentam pressão para retirar USDT de circulação.

Maré em alta

O avanço do USDC contribuiu para um recorde de movimentação em stablecoins em geral. O volume total de transações atingiu US$ 33 trilhões em 2025, alta de 72% em comparação a 2024. Só no quarto trimestre foram movimentados US$ 11 trilhões, diante de US$ 8,8 trilhões no trimestre anterior.

A Bloomberg Intelligence prevê que o fluxo de pagamentos com stablecoins pode alcançar US$ 56 trilhões até 2030, colocando o setor como um dos principais meios de pagamento global, ao lado das redes tradicionais.

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