The Merge: equívocos e verdades sobre a atualização do Ethereum

Atualizado por Júlia V. Kurtz
EM RESUMO
  • Perguntas e respostas sobre o que acontecerá após o The Merge
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O Ethereum continua se preparando para a atualização the Merge, que está prevista para o dia 19 de setembro

Enquanto uns questionam se o the Merge do Ethereum pode ser a glória ou o carrasco cripto, outros se perguntam sobre o que realmente acontecerá após a fusão.

Por isso, no artigo de hoje, enfrentaremos as seguintes dúvidas sobre o the Merge:

  1. The Merge reduzirá as taxas de gás?
  2. As transações serão visivelmente mais rápidas após o the Merge? 
  3. The Merge causará a paralisação da rede?
  4. The Merge criará um novo token Ethereum? 
  5. O que aconteceu com o Eth2?
  6. Se não reduzirá taxas, qual o principal benefício do the Merge?
  7. A mudança para PoS pode afetar a política monetária do Ethereum?

1 – O The Merge reduzirá as taxas de gás?

Muitos tem esta ‘falsa concepção” de que as taxas de gás cairão após o the Merge. Este mal-entendido é causado porque as taxas de gás são pagas aos mineradores e, por isso, as pessoas concluem equivocadamente que a substituição dos mineradores pelos validadores deveria baixar as taxas de gás. Mas isso não acontecerá. 

Para compreender melhor, vamos imaginar que a linha de ônibus que você usa para trabalhar seja adquirida por outra empresa. Independente de qual empresa de ônibus presta o serviço, você ainda precisa pagar o preço da passagem toda vez que usa o transporte, apesar de seu dinheiro ir para uma empresa diferente. O raciocínio após a mudança de proof-of-work para proof-of-stake (the Merge) é o mesmo.

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A mudança no mecanismo de consenso do Ethereum não expandirá a capacidade da rede. 

As taxas de gás são um resultado da demanda em relação à capacidade da rede e, para solucionar a questão das altas taxas, esforços estão sendo concentrados em escalar a atividade do usuário na camada 2.

2 – As transações serão mais rápidas após a fusão?

Esta ideia é falsa. A velocidade de transação após o the Merge permanecerá na maioria das vezes a mesma. A “velocidade txn” pode significar tempo para ser incluído em um bloco ou tempo para finalização. Ambos mudam ligeiramente, mas não de uma forma “perceptível”.

É verdade que uma das promessas do Ethereum 2.0 é a de escalar, e Vitalik Buterin afirmou que a rede será capaz de processar 100.000 transações por segundo. 

No entanto, The Merge é apenas a primeira etapa de cinco fases do desenvolvimento do protocolo Ethereum. Veja aqui.

Como apontado no 2022 State of Crypto Report, pelo menos por agora, o Ethereum priorizou a descentralização ao invés da escalabilidade, o que é acertado quando consideramos o “blockchain trilemma”.

No espaço blockchain, as pessoas frequentemente se referem a um “Trilema”, onde blockchains geralmente podem ter apenas duas das três propriedades a seguir: escalabilidade (isto é, desempenho em termos de velocidade e volume), descentralização ou segurança. 

Isto é, no estágio atual de desenvolvimento da tecnologia blockchain, se um protocolo blockchain der prioridade à descentralização e à segurança, ele será menos escalável.  

3 – O The Merge causará na paralisação da rede?

Não. A atualização the Merge foi projetada para fazer a transição para o proof-of-stake com tempo de inatividade zero. 

Uma imensa quantidade de trabalho foi investida para garantir que a transição para o novo mecanismo de consenso não perturbe a rede ou seus usuários.

Muitas atualizações e testes têm sido feitos desde que a idéia da migração do proof-of-work para proof-of-stake surgiu lá em 2011.

Um exemplo disto é a implantação do teste Goerli/Prater, anunciada pela Ethereum Foundation na quarta-feira (27). Trata-se de uma espécie de “the Merge-teste final” que terá de ser concluída no início de agosto antes da tão esperada transição do Ethereum para o mecanismo de consenso conhecido como proof-of-stake

4 – O The Merge criará um novo token Ethereum? 

The Merge no Ethereum não criará um novo token Ethereum. O token nativo do Ethereum, Ether (ETH), permanecerá o mesmo. 

Portanto, embora o “ETH 2” seja um termo que foi muito usado até o ano passado, não há nenhum novo ativo ETH associado à The Merge. Seu ETH existente funcionará exatamente como sempre funcionou e não será afetado.

5 – O que aconteceu com o ETH2?

Foi devido à “confusão” em torno de um “novo” token que a Ethereum Foundation emitiu orientações em janeiro sobre como The Merge deveria ser citada.

Antes, The Merge era conhecida como “Ethereum 2.0” ou “Eth2”. 

Contudo, como muitos golpistas estavam tentando convencer os usuários de que haveria um novo token “Eth2” separado do ETH, o que é falso, a Ethereum Foundation e os principais desenvolvedores do blockchain anunciaram que esse “rótulo” não seria mais usado.

6 – Se não reduzirá taxas, qual principal benefício o the Merge trará?

Após o the Merge, o blockchain Ethereum verá uma redução de 99,95% no gasto energético utilizado para proteger a rede.

Desde 1977, acordos internacionais firmados com o objetivo de se reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa e o consequente aquecimento global (como o Protocolo de Kyoto e o Acordo do Clima de Paris) têm atraído considerável atenção da mídia para a necessidade de implementar mecanismos para conter os riscos ambientais.

Não à toa, o Fórum Econômico Mundial em 2020, com base em 10 anos de pesquisa, publicou seu Relatório Anual de Riscos Globais e destacou, pela primeira vez, que os cinco principais riscos globais em termos de probabilidade são todos ambientais. 

Embora muitos vejam isto apenas como “mais um argumento dentre outros”, fato é que a mudança climática é um dos maiores desafios que a humanidade como um todo está enfrentando no momento.

Com o aumento da temperatura, a propagação de incêndios e o fracasso das plantações devido à seca, a mudança climática já se tornou uma questão política cada vez mais importante. Tanto que, como já vimos nesta coluna, alguns países começaram a introduzir regulamentações às criptomoedas com alto consumo energético.

7 – A mudança para proof-of-stake (PoS) pode afetar a “política monetária” do Ethereum? 

Uma vez que os stakers (além dos mineradores de hoje) não são obrigados a amortizar seus investimentos, a emissão de novos ETH pode ser muito menor e as pessoas ainda são incentivadas a participar. 

Assim, as recompensas por staking são cerca de 90% mais baixas do que as recompensas do bloco atual. Isso – juntamente com o atual mecanismo de queima das taxas de base – reduzirá a inflação para algo muito próximo a zero ou mesmo a valores negativos. Bom para todos os usuários que retêm (hold) o Ether.

Além disso, o tempo de abertura no PoS é fixo em 12 segundos, o que é um pouco menor do que o tempo médio atual do bloco. E isto traz um ligeiro aumento no rendimento da rede. 

Portanto, haverá um pequeno efeito positivo no rendimento e, portanto, nas taxas de gás (embora as taxas de gás sempre dependam do uso total).

E você, o que pensa sobre a necessidade de redução no gasto energético nos mecanismos de consenso? Achava que as taxas de gás ficariam mais baratas após a fusão? Estava preocupado com uma eventual paralisação na rede Ethereum?

Conhecimento é poder!! Nos vemos em breve!

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