O The Merge do Ethereum pode ser a glória ou o carrasco cripto

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EM RESUMO
  • O que é “the Merge” do Ethereum?

  • O PoS já é uma realidade: como assim?

  • Atualização do Ethereum pode levar à glória ou ser o carrasco cripto

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The Trust Project é um consórcio internacional de veículos de notícias que criam padrões de transparência.

O Ethereum (ETH) está prestes a receber uma série de melhorias que o diferenciarão de outras blockchains, especialmente o Bitcoin (BTC). 

Conhecida como “The Merge”, a atualização do Ethereum visa trocar a camada de consenso real de prova de trabalho (PoW) por um consenso de prova de participação (PoS), que é mais econômico e, supostamente, mais eficiente em capital e segurança.

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Para o completo entendimento deste artigo é necessário que você já saiba o que é PoS e entenda porque o PoW do Bitcoin é o mecanismo de consenso mais usado até agora.

O que é The Merge e como ele afetará o usuário?

Uma das rodovias mais importantes do mundo blockchain está prestes a ser completamente pavimentada. 

Antes de mais nada, é importante mencionar que, como usuário regular, sua experiência com o Ethereum não mudará. “A Fusão” é uma atualização na camada de consenso da rede, enquanto a camada de dados/aplicativos não será afetada.

Isso significa que aplicativos descentralizados (dApps) utilizados nos negócios, protocolos e contas que existiam antes da fusão continuarão a existir e agirão exatamente da mesma maneira que antes. 

Além disso, o gerenciamento do pool de transações já está sendo executado pelas regras EIP 1559 (que alterou o mecanismo de cálculo da taxa de transação no blockchain Ethereum) e “The Merge” também não o alterará.

O The Merge afetará apenas como os validadores (que substituirão a figura do minerador) chegam a um acordo sobre quais transações farão parte da história do blockchain.

O proof-of-stake (PoS) já é realidade

A idéia de mudar Ethereum de PoW para PoS era um projeto que está para ser implementado há anos. O que muitos ainda não perceberam é que o PoS já está funcionando na Rede Beacon.

Em algum momento em 2022, se não tivermos mais nenhum atraso na implementação, a rede principal (mainnet) atual do Ethereum se fundirá com o mecanismo de consenso da rede Beacon.

Isso marcará o fim do PoW para o Ethereum e a transição completa para PoS, que promete usar 99% menos energia, permitir que a rede escale e potencialmente atinja 100.000 transações por segundo.

O que muitos não sabem é que todo o trabalho pesado de pesquisar, especificar e desenvolver um novo mecanismo de consenso já está totalmente feito na rede Beacon.

Quando surgiu a idéia do PoS?

Em 2011, alguns desenvolvedores começaram a se preocupar com a energia que o PoW exigiria em escala (sem considerarem que a energia poderia vir de fontes renováveis como a energia solar).

Poucos anos depois, as empresas de mineração de Bitcoin já estavam se tornando grandes negócios, e havia medo de que essa mudança impactasse negativamente o crescimento do usuário.

A ideia inicial de PoS foi recebida com ceticismo, em parte porque levaria muito tempo para implementar uma versão que os desenvolvedores concordassem ser segura.

Some-se a este ceticismo, o white paper publicado pelo Bitfury Group em setembro de 2015, que explorava as diferenças entre PoW e PoS e apontava os vetores de ataque que poderiam ter destruído as primeiras versões “ingênuas” do PoS.

Ainda assim, os desenvolvedores do Ethereum continuaram trabalhando em uma alternativa para o PoS.

Pois bem, após o trabalho ter passado por muitas interações, finalmente se materializou em uma ideia conhecida como ‘Casper‘ que, em maio de 2016 foi descrita pelo criador do ethereum, Vitalik Buterin, como “consensus by bet” (consenso por aposta), numa palestra para apenas 40 pessoas em maio de 2016, na sede da startup de bitcoin “Coinbase” em São Francisco.

E como disse o próprio Vitalik, à Fortune em maio de 2021: “[Pensamos] que levaria um ano para [implementar] o POS… mas na verdade [levou] cerca de seis anos

Qual objetivo Ethereum pretende atingir o “the Merge”?

O objetivo é tornar o Ethereum mais escalável, seguro e sustentável. 

Se tudo correr como planejado, a rede Ethereum reduziria substancialmente o impacto ambiental do Ethereum; haverá um aumento substancial na escalabilidade da rede e, com isto, espera-se que o investimento institucional na rede Ethereum aumente.

Exigências para que a atual rede do Ethereum migre para PoS

A rede Beacon é uma rede totalmente independente que executa uma camada de consenso PoS. Ele está operando em paralelo com a rede principal Ethereum atual e lida apenas com a camada de consenso do protocolo, enquanto sua camada de dados/aplicativos está vazia.

Manter uma cadeia proof-of-stake isolada da rede principal do blockchain Ethereum era necessário para que nenhum risco de um novo mecanismo de consenso pudesse afetar a rede Ethereum durante sua implantação. 

Importante mencionar, aqui, que a rede Beacon está funcionando perfeitamente e sem nenhum problema desde seu lançamento em novembro de 2020.

Para quem é desenvolvedor, é possível ter uma visualização rápida do The Merge, e uma noção de como será realizar transações Eth1 em um ambiente Eth2, aqui

Então, as mudanças necessárias para que a rede Ethereum atual migre para PoS é uma integração de protocolo entre a camada de dados/aplicativos com a camada de consenso já existente para:

  • Incluir blocos no histórico de dados; 
  • Propor novos blocos; 
  • Sinalizar/finalizar cabeças de blocos.

E tais mudanças são exclusivas para clientes Eth1 e Eth2. 

Assim, o Ethereum que já é o blockchain público com maior atividade de desenvolvimento, com a junção do EIP 1559 e PoS, terá no seu token nativo (Ether) um ativo deflacionário, em uma rede altamente escalável.

Quando Ethereum efetivamente estará pronto para fazer o the Merge?

Depois das atualizações Berlim e Londres que ocorreram em 2021, a expectativa é que em algum momento em 2022, o Blockchain Ethereum esteja pronto para fazer a “the Merge”; ou seja, a fusão entre a EVM (PoW) e a rede Beacon (PoS). Para compreender melhor, aqui a representação gráfica, aqui.

Equívocos comuns

A fusão no Ethereum não criará um ‘novo’ token Ethereum. O token nativo do Ethereum, Ether (ETH), permanecerá o mesmo. 

Aqui, vale destacar que essa “falácia” em torno de um “novo” token é o motivo pelo qual a Ethereum Foundation emitiu orientações em janeiro sobre como The Merge deve ser citada.

Antes, a fusão era conhecida como “Ethereum 2.0” ou “Eth2”. Em janeiro, contudo, a Ethereum Foundation e os principais desenvolvedores do blockchain anunciaram que essa rotulagem seria eliminada, porque muitos golpistas estavam tentando convencer os usuários de que haveria um novo token “Eth2” separado do ETH, o que é falso.

Outro equívoco é que a fusão reduzirá as “taxas de gás” do Ethereum, ou taxas de transação. Isso também é impreciso, porque a fusão só mudará o Ethereum de um modelo de prova de trabalho para prova de participação.

Com a atualização planejada, o Ethereum migra para a prova de participação, que permitirá aos usuários validar as transações de acordo com quantas moedas eles contribuírem ou apostarem. Em troca de apostar mais moedas, os usuários têm maior probabilidade de serem escolhidos para validar transações na rede e ganhar uma recompensa.

Muitos esperam que essa mudança de estrutura faça com que o preço das “taxas de gás” diminua, uma vez que essas taxas têm adicionado centenas de dólares ao custo de processamento de transações de Ether, dependendo do congestionamento da rede. Mas isso não necessariamente reduzirá as taxas da rede.

Um blockchain supersônico exige um ótimo‘cryptoeconomics

 “The Merge” condensa anos de pesquisa e desenvolvimento em “cryptoeconomics” que darão ao Ethereum as propriedades de uma rede “ultraveloz”, ou como dizem alguns, a qualidade de um blockchain “supersônico”!

Porque muitos acham que Ethereum pode se tornar o melhor blockchain que o mundo já viu, ou pelo menos, um blockchain que vai “flipar” o Bitcoin em algum momento? 

Para responder a esta pergunta, antes é preciso entender sobre escalabilidade e o propósito dos blockchains e, principalmente, o que é um bom sistema criptoeconômico?

Bons sistemas criptoeconômicos otimizam tanto a criptografia quanto a economia. 

A otimização de um sem o outro deixa um desequilíbrio ineficiente no sistema e pode levar ao desgaste de longo prazo do sistema. 

E esta é a crítica fundamental de alguns pesquisadores de criptoeconomia ao bitcoin: um ativo econômico otimizado e seguro, mas alimentado por um motor econômico “ineficiente”.

Ora, é preciso lembrar que o Bitcoin cresceu em adoção e importância em nível global e, apenas 13 anos depois de seu nascimento, está entre os 10 ativos mais valiosos do mundo em capitalização de mercado.

Ainda assim, satisfeitos com o primeiro projeto de sucesso que a criptoeconomia tem a oferecer, muitos se perguntam o que acontecerá quando desconstruimos, otimizamos e refinamos os componentes que fazem a criptoeconomia funcionar?

Um bom sistema criptoeconômico deve otimizar tanto a criptografia, quanto a economia. A otimização de um sem o outro deixa um desequilíbrio ineficiente no sistema e pode levar ao desgaste de longo prazo do sistema. 

Qual blockchain terá o melhor cryptoeconomics? Só o tempo é senhor da verdade.

Possibilidades: “The Merge” pode levar à glória ou ser o carrasco do mundo Cripto?

Muitos veículos ao redor do mundo já estão reverberando as crescentes preocupações com o próximo grande upgrade do Ethereum, como um artigo cujo título classificou “The Merge” como a glória ou a derrocada Crypto. 

A importância do blockchain Ethereum ser inegável. Ele não apenas alimenta o Ether, seu token nativo e a segunda maior criptomoeda do mercado, como também suporta tokens não fungíveis (NFTs), aplicativos descentralizados (dApps), e aplicativos de finanças descentralizadas (DeFi),

De acordo com o rastreador DappRadar, cerca de US$118,98 bilhões de capital estão bloqueados nas aplicações financeiras descentralizadas do Ethereum. 

A capitalização de mercado do Ethereum está em torno de US$ 415,3 bilhões e, sem dúvida, depende do bom andamento do The Merge, isto sem mencionar os milhões de usuários e as milhares de empresas que operam em sua rede. 

Contudo, Blockchains possuem regras e essas regras, em Blockchains Públicos como Bitcoin e Ethereum, estão definidas no algoritmo de consenso.  Alterar tais regras requer que a maioria dos participantes da rede concordem com as modificações propostas.

Logo, para que mudanças sejam implementadas, deve-se percorrer um longo caminho:

  1. A pessoa apresenta uma ideia, conversa com outras pessoas e, depois escreve uma proposta formal (por exemplo, um EIP – Ethereum Improvement Proposal).
  2. A proposta é amplamente compartilhada nas listas de discussão de desenvolvedores e fóruns da comunidade, onde muitas equipes, devs e entusiastas avaliam seu design.
  3. Se a proposta é vista majoritariamente como uma boa ideia e pode ser implementada por ser compatível com versões anteriores, a comunidade de desenvolvedores começa a trabalhar nela (geralmente com planos para implementá-la junto com uma série de outras atualizações semelhantes).
  4. Atualizações compatíveis com versões anteriores podem ser implementadas a conta gotas – como um soft fork”. Mudanças maiores que podem resultar em um “hark fork” são vistas como último recurso.
  5. Anunciada determinada data para o update (atualização), este deve possibilitar a todos tempo razoável para implementação e migração para a versão mais recente do software, momento no qual todos os novos recursos entram em ação.

O interessante aqui é perceber quão difícil é implementar atualizações e mudanças em Blockchains. Só para se ter uma idéia, a atualização do SegWit no Blockchain Bitcoin demorou dois anos de extenso debate.

E você, tendo em conta o que vimos até aqui, acha que a fusão do Ethereum pode ser a glória ou o fim do mundo cripto? Ou acha que é um exagero colocar o destino de toda uma indústria no futuro de um único blockchain?

Sabia que existem inúmeros outros blockchains, e que rotas estão sendo traçadas para nos levar a redes interoperáveis?

Conhecimento é poder!! Nos vemos em breve!

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Tatiana Revoredo é membro fundadora da Oxford Blockchain Foundation e estrategista em blockchain pela Saïd Business School da Universidade de Oxford. Ela é também especialista em blockchain aplicada a negócios pelo MIT e mitigação de risco cibernético pela Harvard University, além de CSO da theglobalstg.com. Tatiana foi convidada pelo Parlamento Europeu para participar da Conferência Internacional de Blockchain, e pelo Congresso Brasileiro para a Audiência Pública do PL 2303/2015. É também autora de três livros: "Blockchain: Tudo O Que Você Precisa Saber", "Cryptocurrencies in the International Scenario: What Is the Position of Central Banks, Governments and Authorities About Cryptocurrencies?" e "Bitcoin, CBDC, Stablecoins, and DeFi".

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