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Tarifas dos EUA drenam US$ 200 bi e travam mercado cripto desde outubro

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Escrito por
Lucas Espindola

20 janeiro 2026 08:00 BRT
  • Consumidores americanos absorveram 96% dos custos de tarifas.
  • US$ 200 bilhões em tarifas drenam capital disponível para cripto.
  • Mercado cripto travado desde outubro por falta de liquidez discricionária.
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Uma pesquisa citada pelo The Wall Street Journal aponta que as tarifas dos EUA estão impactando discretamente a economia interna. O efeito pode ajudar a explicar por que o mercado cripto teve dificuldade para ganhar força desde a queda observada em outubro.

Um estudo do Instituto Kiel para a Economia Mundial, da Alemanha, identificou que 96% dos custos foram absorvidos por consumidores e importadores dos EUA. Apenas 4% recaiu sobre exportadores estrangeiros. A análise considera as tarifas aplicadas entre janeiro de 2024 e novembro de 2025.

Quase US$ 200 bilhões em receita tarifária foram pagos quase totalmente dentro da economia americana.

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Tarifas funcionam como imposto sobre consumo interno

O levantamento contesta um argumento político central de que as tarifas seriam pagas apenas por produtores estrangeiros. Na prática, importadores dos EUA pagam as tarifas na fronteira e depois absorvem ou repassam essa despesa.

Exportadores de outros países, em sua maioria, mantiveram os preços. Eles preferiram embarcar menos produtos ou realocar o fornecimento para outros mercados. O efeito foi a redução dos volumes de comércio, e não de preços.

Economistas classificam esse resultado como um imposto ao consumo de efeito lento. Os valores não sobem de imediato, mas o incremento nos custos se propaga gradualmente pelas cadeias produtivas.

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Inflação dos EUA permaneceu moderada, mas pressão aumentou

A inflação nos EUA ficou relativamente controlada ao longo de 2025. Isso levou parte dos observadores a entender que as tarifas tiveram pouco impacto.

Porém, estudos citados pelo WSJ indicam que apenas cerca de 20% dos custos das tarifas foram repassados aos preços ao consumidor em até seis meses. O restante ficou com importadores e varejistas, comprimindo as margens.

Esse repasse demorado ajuda a entender por que a inflação permaneceu moderada enquanto o poder de compra diminuía de modo silencioso. A pressão se acumulou de forma progressiva, sem choques abruptos.

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Como isso se relaciona à estagnação do mercado cripto

Os mercados de cripto dependem da liquidez discricionária. Eles se valorizam quando famílias e empresas se sentem seguras para alocar capital excedente.

As tarifas esgotaram esse excedente de maneira gradual. Consumidores pagaram mais, empresas absorveram custos e o dinheiro disponível para ativos especulativos diminuiu.

Esse cenário ajuda a explicar por que o mercado cripto não desabou após outubro, mas também não conseguiu subir. O setor entrou em um platô de liquidez, e não em um mercado de baixa.

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A queda de outubro eliminou alavancagens e freou aportes em ETFs. Em condições normais, o alívio da inflação poderia estimular maior apetite por risco.

No entanto, as tarifas mantiveram as condições financeiras restritas. A inflação se manteve acima da meta e o Federal Reserve seguiu cauteloso. Não houve expansão da liquidez.

Os preços das criptos ficaram estáveis como consequência. Não houve pânico, mas também faltou impulso para altas sustentadas.

No geral, os dados sobre tarifas não explicam sozinhos a volatilidade do setor cripto, mas ajudam a compreender por que o mercado permaneceu travado.

As tarifas restringiram de maneira discreta o sistema, drenaram o capital disponível e adiaram o retorno ao apetite por risco.

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