A Coinbase registrou um prejuízo líquido de US$ 359,5 milhões no segundo trimestre, com receita de US$ 1,22 bilhão, abaixo do consenso de Wall Street de US$ 1,29 bilhão. As ações da COIN caíram 5,44% após o fechamento, chegando a US$ 154,68.
A queda apagou um ganho de 2,18% durante o pregão regular, que havia encerrado o papel cotado a US$ 163,58. Os investidores ignoraram a participação recorde de mercado em negociações e focaram na diminuição da receita principal.
Faturamento aquém das expectativas amplia sequência de prejuízos da Coinbase
Este foi o terceiro trimestre consecutivo no vermelho. Os prejuízos vêm diminuindo a cada divulgação.
A Coinbase perdeu US$ 666,7 milhões no quarto trimestre de 2025 e US$ 394,1 milhões no primeiro trimestre. O prejuízo diluído por ação ficou em US$ 1,36, enquanto a receita de transações alcançou US$ 599,2 milhões.
O EBITDA ajustado permaneceu positivo em US$ 207,8 milhões, totalizando o 14º trimestre consecutivo acima de zero. Esse valor havia sido de US$ 303,3 milhões três meses antes.
Custos de reestruturação somaram US$ 52,4 milhões. Essa linha permaneceu zerada por dez trimestres consecutivos antes da Coinbase cortar 700 vagas no início deste ano. O Citi já havia reduzido seu preço-alvo em 41% dias antes da divulgação.
Participação recorde em um mercado em retração
A participação da Coinbase no volume de transações de cripto chegou a 10,3%, ante 9,1% no primeiro trimestre, mantendo um recorde pelo terceiro período consecutivo. A fatia em derivativos também alcançou máxima histórica pelo terceiro trimestre seguido.
No mesmo intervalo, o mercado mais amplo de derivativos de cripto desacelerou em dois dígitos.
Os mercados de previsão puxaram a alta. Contratos e receitas mais que dobraram, registrando crescimento de 106% em relação ao trimestre anterior. O segmento ultrapassou US$ 100 milhões em receita anualizada.
Os avanços ocorreram em meio a um cenário desfavorável. Os volumes de negociações à vista do Bitcoin caíram para mínimos de vários anos em julho. A concorrente Robinhood registrou queda de 38% na receita de cripto em 12 meses.
Stablecoins passam a responder por maior fatia da receita
A receita de assinaturas e serviços atingiu US$ 555,1 milhões, ou 48% da receita líquida. No quarto trimestre de 2024, essa fatia era de 29%.
A Coinbase afirmou que 88% da receita líquida veio de fontes diversas da negociação à vista de Bitcoin. A média de USDC mantida em produtos Coinbase atingiu um recorde de US$ 20 bilhões, representando mais de 30% do stablecoin pareado ao dólar circulando ao fim do trimestre.
O volume de transações com stablecoin na Base, a rede layer-2 da empresa, aumentou sete vezes em relação ao mesmo período de 2025.
“… A Coinbase deixou de ser apenas uma aposta no preço do Bitcoin. Todos os serviços financeiros estão sendo atualizados pela cripto, seja negociação, pagamentos ou empréstimos, e a Coinbase é a empresa mais bem posicionada no mundo para impulsionar essas mudanças”, disse Brian Armstrong, cofundador e CEO da Coinbase no comunicado de resultados.
O que esperar para os próximos meses?
A Coinbase revisou para baixo e restringiu a previsão de despesas ajustadas para 2026. A companhia agora indica custos GAAP de tecnologia, administração e marketing entre US$ 4,34 bilhões e US$ 4,6 bilhões neste ano.
“… Apesar dos obstáculos de mercado, nossos fundamentos permanecem sólidos enquanto consolidamos participação em negociações e seguimos desenvolvendo ao longo do ciclo”, afirmou Alesia Haas, diretora financeira da Coinbase, no mesmo comunicado.
Uma dúvida paira sobre o segundo semestre: uma fatia maior de um mercado encolhido pode impulsionar a receita assim que os volumes de operações se recuperarem?









