O preço do Bitcoin (BTC) registrou queda de cerca de 5% na última semana, acompanhando o recuo do Nasdaq, que pressionou ativos de risco, e agora qualquer previsão otimista para o Bitcoin depende da possibilidade de recuperação da demanda dos Estados Unidos.
A desvalorização levou o BTC a confirmar um padrão gráfico de baixa. No entanto, o cenário desequilibrado nos derivativos e o baixo volume de venda sugerem que essa ruptura pode não se sustentar. O fator decisivo está em Washington, não apenas no universo cripto.
Bitcoin acompanha o Nasdaq hoje com temores de alta dos juros afetando ambos
O índice Nasdaq apresentou perdas expressivas. O Nasdaq Composite encerrou o dia 23 de junho em 25.587 pontos, queda de cerca de 2% no dia e aproximadamente 4% em cinco sessões. A Alphabet caiu 6% e empresas do setor de chips, como a Micron, recuaram mais de 10%.
Duas razões impulsionaram essa queda. Investidores questionaram os elevados gastos com inteligência artificial e aumentaram as expectativas de juros mais altos. O Federal Reserve manteve as taxas entre 3,50% e 3,75% em 17 de junho, mas suas novas projeções indicam pelo menos um aumento em 2026.
Essa sinalização mais rígida elevou o rendimento do Treasury dos EUA de 10 anos, a principal referência para ativos de risco, para cerca de 4,5%. Juros mais altos reduzem o apetite por risco.
O movimento do rendimento afeta diretamente o Bitcoin. BTC e o rendimento do título de 10 anos registram correlação de 30 dias em torno de -0,315, indicando relação negativa moderada, ou seja, costumam seguir sentidos opostos. Com isso, a elevação dos juros impacta negativamente o BTC.
O Bitcoin também apresenta relação direta com o setor de tecnologia. BTC e o Nasdaq possuem correlação de 30 dias próxima a 0,451, indicando que ambos sobem ou caem juntos. Por isso, com a queda dos ativos de tecnologia em meio à alta dos juros, o Bitcoin acompanha o movimento.
Essa ligação ajuda a explicar a fragilidade recente. O Bitcoin caiu cerca de 5%, enquanto o Nasdaq recuou 4%, refletindo que o BTC está acompanhando a liquidação, e não liderando uma possível reversão.
O mesmo movimento de aversão ao risco que afasta investidores do setor de tecnologia também impacta o Bitcoin. Essa fraqueza generalizada agora se reflete no gráfico.
No gráfico de 12 horas, o Bitcoin rompeu a configuração de “ombro-cabeça-ombro”, padrão de topo caracterizado por um pico mais alto ao centro entre dois mais baixos. A formação ocorreu com volume de venda diminuindo, o que mantém vivas as expectativas de recuperação.
Contudo, para saber se os investidores dos EUA estão saindo do BTC especificamente, e não apenas do setor de tecnologia, é preciso analisar indicadores diretos de demanda.
Demanda dos EUA desacelera com queda do Coinbase Premium Index
O Coinbase Premium Index, que mede quanto os investidores dos EUA pagam a mais na Coinbase em relação às exchanges estrangeiras, caiu para cerca de -0,14 em 23 de junho. O índice estava em -0,04 no dia 13, aprofundando expressivamente o desconto em menos de duas semanas.
Um valor negativo indica que os compradores à vista dos EUA estão menos ativos, possivelmente pelo mesmo comportamento de aversão ao risco visto nas techs.
O índice se aproxima agora do piso local observado no fim de maio, próximo de -0,17. Nas duas visitas recentes a esses níveis, por volta de 27 de maio e início de fevereiro, o desconto marcou o fundo local de demanda. Em ambas, o preço do BTC recuou cerca de 14% a 18% antes da retomada de compras.
Leituras de demanda profundamente negativas costumam antecipar novos fundos e armadilhas para vendidos, frequentemente puxadas por short squeezes. Entretanto, a tendência de longo prazo segue desfavorável para os compradores.
Death Cross permanece enquanto novo fundo se forma
A tendência mais ampla permanece baixista. O Bitcoin está sob um death cross do Bitcoin desde 16 de novembro, completando agora 220 dias, quando a Média Móvel Simples (SMA) de 50 dias, que calcula o preço de fechamento médio dos últimos 50 dias, está abaixo da mais lenta SMA de 200 dias. A Média Móvel Simples é o valor médio dos fechamentos em um determinado período.
Ambas as médias continuam acima da cotação atual, e o BTC não recuperou a linha dos 200 dias em todo esse período. O preço segue negociado abaixo do cruzamento.
Todas as vezes em que o Bitcoin perdeu a média de 50 dias, ocorreram quedas. O BTC voltou acima desse patamar no início de janeiro, mas perdeu logo depois e caiu cerca de 33%. No final de março, a queda foi mais leve, em torno de 6%. Já a perda no fim de maio trouxe uma retração de aproximadamente 23%.
Aquela queda de fim de maio resultou agora em um fundo local. A tentativa de formação de fundo geralmente abre espaço para um movimento de retorno à média de 50 dias, alinhando-se ao cenário de bear trap indicado pelos dados de derivativos.
O Bitcoin vai subir de novo? Apostas vendidas aumentam para um short squeeze
O argumento pró-recuperação aparece nos dados de derivativos. O mapa de liquidação da Binance mostra liquidações de posições vendidas totalizando US$ 1,17 bilhão acima da cotação atual, enquanto a alavancagem das compras soma cerca de US$ 649 milhões abaixo.
Esse desequilíbrio pesa fortemente para um dos lados. Um avanço do preço pode forçar quem está vendido a recomprar suas posições, alimentando um short squeeze que se retroalimenta.
A quebra no padrão de ombro-cabeça-ombro ocorreu também com volume reduzido. Pressão vendedora fraca pode caracterizar uma bear trap, na qual uma falsa ruptura atrai vendedores antes de o preço reverter o movimento.
Se a demanda dos EUA retornar diante de qualquer catalisador que eleve o setor de tecnologia, o Bitcoin pode recuperar terreno rapidamente. O potencial para uma forte reação já está existente. O gráfico de preços do Bitcoin detalha quais patamares são decisivos entre uma armadilha e uma queda mais profunda.
Projeção de preço do Bitcoin agora depende de níveis-chave
O Bitcoin precisa defender US$ 62.448, faixa que mantém desde 23 de junho. Uma perda clara desse nível pode iniciar a liquidação de quem está comprado.
Abaixo disso, o suporte está em US$ 60.519, e depois o alvo projetado do padrão próximo de US$ 57.871, com o piso mais profundo em US$ 57.397.
No lado oposto, recuperar as faixas de US$ 63.640 e US$ 64.377 abriria espaço até US$ 65.569 conforme posições vendidas travadas são desfeitas. Um recuo forte em direção a US$ 67.323 restabeleceria totalmente a estrutura, embora esse cenário pareça distante agora.
Esta projeção de preço do Bitcoin segue indefinida enquanto a demanda dos EUA não se confirmar e o bear cross persistir. A formação de baixa permanece validada, portanto o lado comprador precisa retomar níveis-chave, e não apenas buscar uma recuperação momentânea.
O patamar de US$ 62.448 separa um short squeeze com potencial de alta até US$ 65.569 de uma possível queda até o alvo de US$ 57.871.









