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Bitcoin caminha para seu pior trimestre desde 2018: o que pode acontecer a seguir?

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Escrito e editado por
Lucas Espindola

24 dezembro 2025 08:00 BRT
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  • O Bitcoin registra queda de 22,54% no quarto trimestre de 2025, pior trimestre desde 2018.
  • Analistas afirmam que BTC está lateralizado, com US$ 85 mil e US$ 94 mil como níveis-chave a serem monitorados.
  • Nova máxima histórica pode chegar em 2026, diz CEO da VALR.
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O Bitcoin acumula uma queda de 22,54% neste trimestre, registrando seu declínio mais acentuado desde 2018. Faltando menos de 10 dias para o fim do ano, é pouco provável que o Bitcoin alcance as metas otimistas de preço que diversos analistas projetavam.

Especialistas do mercado estão revisando projeções de curto prazo, detalhando como o Bitcoin pode encerrar o ano e o que 2026 pode reservar para o ativo.

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Especialista destaca níveis cruciais do bitcoin enquanto mercados se aproximam do fim do ano

Após seu pico em outubro, o Bitcoin enfrentou desafios na cotação. O ativo fechou os últimos dois meses no vermelho, segundo dados da Coinglass.

Em outubro, houve retração de 3,69%, seguida por uma queda mais expressiva de 17,67% em novembro. Até agora, neste mês, o Bitcoin recuou 2,31%.

A criptomoeda tem encontrado dificuldades para retomar uma posição sólida acima do patamar de US$ 90 mil. Atualmente, é negociada por valores inferiores aos registrados no início do ano. Ao mesmo tempo, crescimento menor da demanda, desaceleração dos fluxos de ETF à vista e vendas por investidores experientes ampliam os riscos de novas quedas para o Bitcoin.

A pressão vendedora persiste nos últimos pregões, com o Bitcoin registrando baixa adicional de 1,8% nas últimas 24 horas. No momento desta reportagem, era negociado a US$ 87.183.

Bitcoin (BTC) Price Performance
Bitcoin (BTC) Desempenho de preço. Fonte: BeInCrypto Markets

Ray Youssef, CEO da NoOnes, declarou ao BeInCrypto que o preço do Bitcoin permanece “preso em uma faixa de negociação, com ação comprimida”. O cenário macroeconômico complexo dificulta a retomada do movimento de alta abaixo de US$ 90 mil, uma vez que as condições de liquidez estão mais restritivas e a disposição ao risco diminui. 

Ele acrescentou que os compradores têm defendido o suporte de US$ 85 mil. No entanto, não conseguiram superar a forte pressão vendedora no início do ano, em torno de US$ 93 mil.

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Dados de mercado de opções reforçam o impasse entre os participantes. Opções de venda estão concentradas em US$ 85 mil, enquanto opções de compra se distribuem entre US$ 100 mil e US$ 120 mil.

Segundo Youssef, o vencimento de opções, possíveis repercussões de um novo shutdown do governo dos EUA e a injeção de liquidez de US$ 6,8 bilhões pelo Fed podem provocar volatilidade de curto prazo. No entanto, ainda não há consenso sobre a direção predominante do mercado.

“… Até que o Bitcoin ultrapasse com firmeza a resistência de US$ 93 mil ou perca o suporte estrutural em US$ 85 mil, o BTC tende a continuar lateralizado e volátil até o encerramento do ano”, afirmou.

O executivo explicou que, apesar da desvalorização superior a 30% em relação às máximas de outubro, as posições em ETFs spot de Bitcoin nos EUA não recuaram mais que 5%. Isso indica que investidores institucionais, em sua maioria, mantêm suas posições mesmo com o período de instabilidade.

Ele também ressaltou que a maior parte da pressão vendedora vem do público de varejo, principalmente investidores alavancados e de curto prazo. Youssef destaca o nível de US$ 85 mil como referência importante a ser observada na aproximação do fim de 2025. 

Uma quebra abaixo dessa faixa pode aumentar a chance de uma correção mais profunda rumo à zona de demanda em US$ 73 mil.

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“… Uma quebra desse suporte pode obrigar investidores institucionais a reavaliarem suas estratégias, já que os preços se aproximariam do custo médio das posições, que gira em torno de US$ 80 mil. Para retomar o ímpeto de alta e buscar os topos anteriores, seria preciso recuperar o patamar de US$ 94 mil”, previu Youssef.

Perspectiva do Bitcoin para 2026

Farzam Ehsani, CEO da VALR, destacou que o término deste ano tornou-se um dos períodos mais desafiadores para criptos em anos recentes. Ele citou fragilidade sazonal, condições ainda sobrecompradas e uma migração do interesse dos investidores para instrumentos mais conservadores, especialmente títulos do governo dos EUA.

Ehsani pontuou que a liquidez do mercado está restrita. Além disso, participantes institucionais adotam postura de cautela, priorizando a preservação do capital.

Ele ainda ressaltou que a correção atual evidencia a fragilidade do mercado e sua vulnerabilidade ao movimento de vendas motivado pelo pânico. Conforme explicou, apenas duas conclusões lógicas explicam esse cenário. 

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A primeira é que um ou mais grandes agentes, como fundos, bancos ou até governos, podem estar se posicionando para realizar uma compra de volume expressivo.

“… Nesse caso, a queda do preço de negociação pode ser artificial, e as cotações devem subir novamente após uma baixa passageira.”

Por outro lado, o mercado pode estar saturado. O enfraquecimento do dólar, impactado pelo crescimento da dívida pública dos EUA, reduziu o apetite por criptos como ativos de maior risco. 

“… Uma tendência que se intensifica devido à política do Federal Reserve. Caso isso se confirme, o mercado de cripto pode levar mais de um ano para se recuperar”, acrescentou.

O executivo estima ainda que o Bitcoin pode alcançar uma nova máxima histórica já no primeiro semestre de 2026, com preços possivelmente retornando à faixa entre US$ 100 mil e US$ 120 mil até o segundo trimestre daquele ano.

“Um novo recorde histórico de preço pode ocorrer já no primeiro semestre de 2026, com a expectativa de que o valor retorne para a faixa entre US$ 100 mil e US$ 120 mil no segundo trimestre. Historicamente, os primeiros meses do ano não costumam ser particularmente dinâmicos: investidores adotam uma postura de cautela, enquanto os mercados buscam novos estímulos de crescimento e oportunidades”, afirmou.

O CEO da VALR destacou que os fatores determinantes para o próximo ano serão o nível de adoção institucional, as políticas regulatórias nos Estados Unidos e globalmente e, em certa medida, as condições macroeconômicas das maiores economias mundiais.

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