O ouro (XAU) caiu abaixo de US$ 4 mil na quinta-feira, acumulando retração de 28% em relação ao recorde de US$ 5.598 registrado em janeiro. O gráfico semanal mostrou a primeira barra vermelha do canal Gaussiano desde outubro de 2023, reforçando o cenário de mercado baixista confirmado para o metal.
Os desdobramentos da guerra seguem sem impulsionar o ouro. Por outro lado, a alta do petróleo e as crescentes expectativas de aumento nos juros pelo Federal Reserve continuam pressionando a cotação para baixo.
Por que o padrão de porto seguro do ouro falhou?
Os Estados Unidos realizaram ataques aéreos contra bases militares iranianas pelo quarto dia seguido nesta semana, enquanto o Estreito de Ormuz segue fechado ao tráfego comercial. O petróleo subiu mais de 9% em cinco dias. Historicamente, esse contexto impulsionaria fortemente o ouro.
Desta vez, o cenário se inverteu. O salto do petróleo aumenta expectativas inflacionárias, levando o Federal Reserve a sinalizar aperto monetário. O mercado já precifica chance de cerca de 76% para alta de juros em setembro, ante 57% sete dias atrás, segundo dados do CME FedWatch.
A ata do FOMC de junho ampliou a pressão. Os formuladores de política se dividiram, nove a oito, a favor de pelo menos um aumento dos juros em 2026, e a projeção para o núcleo do PCE subiu para 3,3%. Juros reais mais altos tornam o ouro, que não rende, menos atrativo como proteção, independentemente do ruído geopolítico.
Enquanto isso, o fim do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã mantém os mercados de energia sob tensão. Até que o Estreito seja reaberto ou que os dados de inflação arrefeçam, o ouro pode continuar pressionado por esse contexto macroeconômico.
Sinais de mercado baixista do ouro no gráfico semanal
O gráfico semanal indica uma quebra estrutural e não apenas uma correção pontual. O indicador do canal Gaussiano ficou vermelho pela primeira vez desde outubro de 2023, encerrando o ciclo que elevou o ouro de valores abaixo de US$ 2 mil até US$ 5.598.
A cotação também caiu abaixo do próprio canal.
Além disso, o ouro perdeu a retração de 0,382 de Fibonacci de longo prazo em US$ 4.333. A antiga zona de suporte entre US$ 4.300 e US$ 4.400 agora serve como resistência, confirmando o dano à estrutura altista.
O recuo de 28% em relação ao topo supera com folga o limite comum de 20% para definição de mercado baixista.
No momento, a cotação testa a retração de 0,5, perto de US$ 3.943. Abaixo desse nível, o chamado “golden pocket” de 0,618 em US$ 3.552 representa o próximo suporte relevante, região já destacada em análise anterior. As regiões entre US$ 3.300 e US$ 3.400 e entre US$ 2.575 e US$ 2.750 completam o cenário negativo.
A projeção de preço do XAU depende da resistência de US$ 4.300?
O gráfico diário traz nuances à leitura pessimista. Por um lado, a média móvel de 50 dias cruzou abaixo da média de 200 dias em 26 de junho, formando um “death cross”. O preço também recua dentro de um canal paralelo descendente, sendo negociado entre a linha central e a banda superior.
Por outro lado, a força relativa apresenta leve melhora. O RSI diário marcou fundos ascendentes no final de junho e em julho, enquanto a cotação registrou mínimos mais baixos, resultando em divergência de alta. Esse padrão costuma antecipar ralis de recuperação.
O perfil de dados de mercado Barchart resumiu a tensão em breve comentário na plataforma X.
Uma eventual correção para cima tende a buscar a resistência dos US$ 4.300-US$ 4.400, cerca de 7% acima dos níveis atuais, onde a banda superior do canal encontra a média móvel de 50 dias em queda. Caso haja rejeição, o “golden pocket” em US$ 3.552 entra em jogo, representando queda de 11,4% em relação à cotação de hoje.
Retomar a faixa dos US$ 4.300-US$ 4.400 enfraqueceria a leitura de quebra estrutural. O fracasso, porém, reforçaria a dominância dos vendedores, com a decisão do Fed em setembro e a situação no Estreito de Ormuz devendo definir a tendência.











