O preço da prata (XAG/USD) é negociado próximo de US$ 69 após atingir US$ 60 em 23 de março, marcando o novo piso de 2026 até aqui. A retração que os analistas do BeInCrypto indicaram, com base em uma configuração de topo duplo, se concretizou, ultrapassando o objetivo inicial de US$ 65 e chegando a US$ 60.
A dúvida agora não é mais se a correção ocorreria. Ela aconteceu. O questionamento é se esse patamar representa o fundo local ou apenas uma pausa antes de uma nova queda.
Dois relatórios COT explicam a correção e indicam os próximos passos
A movimentação corretiva iniciada em 13 de março não surgiu sem sinais prévios.
O relatório Commitments of Traders (COT) da CFTC, divulgado em 10 de março, já apontava que grandes especuladores estavam reduzindo exposição. As posições compradas não comerciais diminuíram em 920 contratos, totalizando 33.306, enquanto as vendidas recuaram em 2.160, para 8.728. A posição líquida continuava positiva, porém a direção sinalizava mudança. O interesse aberto aumentou em 2.132 contratos, indicando abertura de shorts e encerramento de longs.
No levantamento de 17 de março (divulgado em 20 de março), o movimento de saída havia acelerado. O número de contratos comprados caiu mais 2.181, chegando a 31.125, queda semanal de cerca de 7%. As posições vendidas aumentaram em 516, para 9.244. O interesse aberto reduziu em 700 contratos, sinalizando liquidações. Entre esses dois períodos analisados, a cotação da prata caiu de aproximadamente US$ 85 para US$ 69, queda de cerca de 18% em pouco mais de uma semana.
O próximo relatório COT será publicado em 27 de março e trará dados de hoje (24 de março). Se investidores institucionais aumentarem posições compradas pela primeira vez em semanas, esse movimento pode sinalizar um piso inicial. Historicamente, posições líquidas vendidas extremas costumam marcar fundos locais.
Opções de SLV indicam uma mudança sutil, porém relevante
O índice put-call do ETF iShares Silver Trust (SLV) traz outro elemento relevante. Em 17 de março, quando o SLV fechou a US$ 71,66, o índice de volume era 0,69 e o de interesse em aberto, 0,65.
Em 23 de março, após a correção levar o SLV a US$ 62,47, o índice de volume subiu para 0,71, enquanto o de interesse em aberto caiu para 0,62. O aumento do índice de volume indica maior negociação de puts na comparação com calls, demonstrando temor no curto prazo. Por outro lado, a queda do índice de interesse sugere fechamento de posições vendidas existentes, não abertura de novas.
As proteções montadas antes da queda estão sendo desfeitas à medida que o movimento se completa. Essa divergência indica que as apostas baixistas podem já ter desempenhado seu papel.
O COT e os dados de opções analisam a exposição em futuros e ETF. No entanto, a possibilidade de a prata sustentar uma recuperação também depende de dois fatores macroeconômicos externos ao próprio mercado do metal.
A relação ouro-prata e o DXY seguram as principais chaves macroeconômicas
O índice ouro-prata atingiu o pico de 72,81 no início de fevereiro. Desde então, caiu para 63,37, indicando fortalecimento relativo da prata frente ao ouro. Uma queda abaixo do piso anterior de 62,84 confirmaria que a prata está superando o ouro de forma relativa, tradicionalmente interpretado como indício de alta.
O Índice do Dólar (DXY) segue como principal referência macroeconômica. No momento, está em 99,26, formando o que se assemelha a um padrão de bandeira de alta no gráfico diário. O índice atingiu 100,56 em 19 de março, mesma data em que o preço da prata iniciou sua queda mais expressiva. Caso haja rompimento da bandeira acima de 100, a pressão sobre a prata tende a se intensificar, independentemente das leituras de COT ou opções.
Para que a prata consiga iniciar uma recuperação consistente, o DXY precisa romper para baixo de 98,48, idealmente se aproximando de 97,30. Qualquer escalada do conflito no Irã que eleve o valor do petróleo alimenta expectativas inflacionárias, impulsionando os rendimentos, fortalecendo o dólar e pressionando ainda mais a prata. Um recuo nas tensões teria o efeito contrário.
Preço da prata encontra suporte estrutural em nível crítico de Fibonacci
A análise do gráfico de 12 horas revela dois sinais que, juntos, fortalecem o argumento de formação de um fundo local.
Primeiro, há uma divergência oculta de alta. O suporte atual próximo de US$ 60 está na mesma faixa de preço registrada em 12 de dezembro. Contudo, o RSI marcou novo fundo inferior em relação à leitura daquele mês. Esse tipo de divergência indica que a pressão vendedora pode estar se esgotando, mesmo enquanto o preço retesta uma zona já conhecida de suporte.
Segundo, o fundo em US$ 60 está praticamente alinhado com a extensão de Fibonacci em 0,618. A retração foi traçada do topo de 29 de janeiro, passando pelo piso em 5 de fevereiro e o repique de 1º de março, posicionando o nível de 0,618 em US$ 60. A mínima do ano atingiu justamente esse patamar.
Esse nível é considerado, na análise de Fibonacci, uma das principais zonas estruturais de suporte, e o gráfico da prata respeitou esse preço de forma bastante precisa.
Caso o suporte em US$ 60 seja mantido, os alvos de recuperação estão em US$ 74 (0,382), US$ 82 (0,236) e, finalmente, US$ 96, que coincide com o topo do padrão cabeça e ombros anterior. Se a barreira em US$ 60 for rompida no fechamento de 12 horas, o próximo suporte fica em US$ 51, representando queda de 26%.
No momento desta reportagem, o fundo local da prata em 2026 depende da manutenção do suporte de 0,618 em Fibonacci, do próximo relatório COT indicar volta das posições compradas e do DXY romper para baixo de 98,48.
A confirmação do fundo exige a convergência desses três fatores.