O recente movimento de preço do Bitcoin já confirmou o alerta que destacamos anteriormente. Quando o ativo estava cotado próximo de US$ 73 mil, apontamos que uma desaceleração poderia pressionar a cotação para baixo.
Desde então, o Bitcoin teve uma expressiva queda e negocia perto de US$ 68 mil no momento desta reportagem.
Esse movimento ocorreu durante o fim de semana, período marcado por menor liquidez, tornando as oscilações mais acentuadas e imprevisíveis. Apesar da queda indicar fraqueza no curto prazo, a configuração do mercado revela um cenário mais complexo. Alguns sinais apontam para a possibilidade de novo repique, mesmo que a tendência de baixa permaneça predominante.
Padrão cabeça e ombros do Bitcoin se forma enquanto grandes investidores compram o topo de US$ 74 mil
No gráfico de 4 horas, o Bitcoin aparenta formar um padrão de topo duplo, conhecido como “cabeça e ombros”. Essa estrutura técnica geralmente aponta para uma possível reversão após o rompimento da linha do pescoço.
O padrão começou a se formar após o Bitcoin atingir US$ 74,1 mil no início desta semana, nível que compõe a “cabeça” da estrutura. Desde então, o preço vem se enfraquecendo, com o ombro direito em desenvolvimento.
Ao mesmo tempo, grandes carteiras de Bitcoin aumentaram exposição próximo ao topo. Dados de endereços que detêm entre 10 mil e 100 mil BTC apontam reservas em torno de 2,24 milhões de unidades em 4 de março, período que coincide com a formação da cabeça do padrão. O momento levanta uma questão importante: baleias compraram no topo?
Caso isso se confirme, a recente queda para US$ 68 mil, antecipada há 48 horas, coloca esses investidores em situação possivelmente desconfortável.
No entanto, vários sinais do mercado sugerem que ainda pode haver espaço para tentar reduzir perdas com uma recuperação pontual de curto prazo.
Liquidações de shorts e compras por investidores de longo prazo podem impulsionar recuperação
O posicionamento em derivativos atualmente indica forte viés de venda. No par perpétuo BTC/USDT da Binance, há cerca de US$ 798 milhões em posições vendidas em comparação a US$ 430 milhões em apostas compradas. A quantidade de shorts supera longs em 80%.
Esse desequilíbrio significa que, caso o preço do Bitcoin volte a subir, diversas posições de venda podem ser liquidadas, levando traders a recomprar o ativo e elevando a cotação.
Um dos maiores agrupamentos de liquidação está acima da região de US$ 69.700, onde quase US$ 375 milhões em shorts podem ser eliminados. Esse valor também coincide com relevante zona de resistência gráfica (a ser mostrada adiante), reforçando sua importância como possível alvo de curto prazo.
Outro indicador reforça a chance de uma reação. A variação líquida da posição de investidores de longo prazo, que monitoram detentores de BTC por mais de um ano, tornou-se positiva de forma repentina após quase dois meses de vendas consistentes.
O indicador ficou positivo em 6 de março depois de permanecer negativo desde o início de janeiro. A última vez que houve reversão semelhante em um único dia foi em 7 de dezembro, quando o Bitcoin subiu de aproximadamente US$ 90,4 mil a US$ 92,7 mil, um avanço de cerca de 2,5%.
Uma alta de 2,5% a partir do patamar atual colocaria a moeda próxima de US$ 69.700, coincidindo com a grande concentração de liquidações e a zona técnica de resistência.
Essa sobreposição levanta a possibilidade de que grandes investidores estejam esperando uma alta temporária impulsionada por um short squeeze, que eleve o mercado por um período limitado.
Principais níveis de preço do Bitcoin para acompanhar conforme o padrão se desenvolve
Apesar do potencial para recuperação, a estrutura técnica geral segue frágil.
Para que o momento de alta de curto prazo se fortaleça, o Bitcoin precisaria fechar um candle de quatro horas acima de US$ 68.600, o que abriria caminho para a faixa de liquidação de US$ 69.700 e possivelmente para US$ 72 mil.
No entanto, mesmo uma movimentação nesses patamares ainda manteria o padrão de cabeça e ombros ativo, enquanto o Bitcoin permanecer abaixo do topo de US$ 74.100.
Pelo lado negativo, a linha do pescoço crítica está próxima de US$ 67.800. Um fechamento de quatro horas abaixo desse patamar pode confirmar o padrão, levando a uma queda mais acentuada em direção a US$ 65.300, com o movimento projetado apontando para cerca de US$ 61.100.
No momento desta reportagem, o Bitcoin se encontra em equilíbrio delicado. Um short squeeze pode causar uma alta temporária em direção à região de US$ 69.700. Porém, a menos que o ativo recupere seus topos anteriores, permanece o risco de uma correção mais intensa.