Voltar

PF encontra cartas com instruções de lavagem de dinheiro do PCC usando criptomoedas

sameAuthor avatar

Escrito e editado por
Luís De Magalhães

27 janeiro 2026 10:30 BRT
  • PF apreende cartas manuscritas com orientações de lavagem de dinheiro usando criptomoedas.
  • Transações do esquema somam R$ 39 milhões, sendo R$ 15,4 milhões em criptoativos como USDT.
  • Líder do grupo coordenava operações financeiras mesmo preso desde abril de 2025.
Promo

A Polícia Federal encontrou correspondências manuscritas com orientações sobre esquema de lavagem de dinheiro do tráfico por meio de criptomoedas. O achado ocorreu em um apartamento na rua São José, no bairro do Embaré, em Santos, durante a Operação Narco Azimut, deflagrada na quarta-feira (21).

Cinco suspeitos de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital) foram presos na operação. Entre eles está Fernando Henrique Caetano da Cunha, o “Jimmy”, destinatário das cartas enviadas por Davidson Praça Lopes, o “Azimut”, que está preso desde abril do ano passado.

Sponsored
Sponsored

Líder do esquema coordenava operações mesmo preso

“Jimmy” é apontado pela PF como “responsável pela movimentação de criptoativos e conferência de valores em espécie” e um dos “principais articuladores logísticos” da organização.

Em uma carta datada de 28 de dezembro, “Azimut” repassa orientações específicas a “Jimmy”, relacionadas com Júlio César Oliveira Otaviano, “informando necessidades operacionais e de transações financeiras”, segundo a investigação.

Apontado como líder do grupo, Davidson “repassa inúmeras orientações quanto às movimentações financeiras de valores e de bens”, diz a PF. O próprio Davidson se refere a “Jimmy” como seu sócio. Em um diálogo com “Biel Work”, que também faz parte da estrutura do grupo, Davidson passa o contato de “Jimmy”: “Meu sócio irá atendê-lo.”

Transações atingiram R$ 39 milhões

As transações investigadas atingiram a quantia de R$ 39 milhões. Desse montante, R$ 15,5 milhões foram movimentados em espécie. Outros R$ 8,7 milhões passaram por transferências bancárias. O restante, R$ 15,4 milhões, foi movimentado em criptoativos.

O juiz Anderson Vioto, da 5.ª Vara Criminal Federal de Santos, destacou em despacho que “mesmo preso, o principal investigado identificado até o momento, Davidson, ainda continua coordenando os esquemas espúrios da associação criminosa constituída para a prática delitiva de ocultação ou dissimulação de bens e valores”.

O magistrado ressaltou que as movimentações envolviam “grandes quantias em espécie, transferências bancárias e criptoativos (notadamente USDT – Tether), tanto no território nacional quanto no exterior”.

Sponsored
Sponsored

Juiz converte prisão temporária em preventiva

Em despacho de 19 páginas, o juiz transformou o decreto de prisão temporária dos sete alvos da Operação Narco Azimut em prisão preventiva, sem prazo para vencer.

“Diante desse conjunto probatório robusto, conclui-se que Fernando Henrique Caetano da Cunha, o ‘Jimmy’, Júlio César Oliveira Otaviano e Davidson Praça Lopes, o ‘Azimut’, continuam exercendo função essencial no núcleo logístico e financeiro do grupo investigado”, afirmou o juiz.

Cinco investigados já estavam presos em regime temporário desde quarta-feira (21), quando a operação foi às ruas por ordem do juiz Roberto Lemos, também da 5.ª Vara Federal de Santos. São eles: Davidson Praça Lopes, Fernando Henrique Caetano da Cunha, João Gabriel de Jesus Fernandes, Rafael Pio de Almeida e Marcelo Henrique Antunes da Palma.

Dois suspeitos estão foragidos: Ezequiel da Silva Fernandes e Júlio Cesar Oliveira Otaviano.

Operação integra investigação maior sobre PCC

Davidson “Azimut” foi preso em abril do ano passado na Operação Narco Bet. O inquérito faz parte do mesmo escopo de investigação que prendeu Rodrigo de Paula Morgado em outubro de 2025, apontado pela PF como contador do PCC.

Na avaliação do juiz Anderson Vioto, “em face da gravidade concreta das condutas, da multiplicidade de núcleos funcionais envolvidos (logística para o manuseio, conferência, transporte e entrega de valores, comunicações, financeiro, lavagem patrimonial, contratação de ‘laranjas’ e fachada empresarial), da clara estrutura de comando e da transnacionalidade das remessas e transações financeiras praticadas, a prisão preventiva mostra-se absolutamente imprescindível”.

O magistrado também destacou ainda que “a análise de três correspondências manuscritas, por ele redigidas e endereçadas a Fernando Henrique Caetano da Cunha, ‘Jimmy’, revela o repasse de orientações relativas à movimentação de valores e bens, evidenciando a continuidade da atuação criminosa”.

A Operação Narco Azimut se conecta ainda com a Operação Narco Vela, demonstrando a amplitude das investigações da PF sobre a estrutura financeira do PCC.

Isenção de responsabilidade

Todas as informações contidas em nosso site são publicadas de boa fé e apenas para fins de informação geral. Qualquer ação que o leitor tome com base nas informações contidas em nosso site é por sua própria conta e risco.

Patrocinado
Patrocinado