Executivos da OpenAI, Anthropic e de outras empresas de inteligência artificial estão simulando, nos bastidores, um desastre envolvendo IA que poderia interromper sistemas bancários, internet, energia elétrica e água. A OpenAI confirmou que realiza esses exercícios.
O Axios noticiou os treinamentos nesta sexta-feira, destacando que eles vão além da reação ao ataque em si. Os executivos também se preparam para a reação pública e política após o primeiro grande incidente causado por IA.
Por que executivos de IA esperam uma crise em até um ano?
Diversos profissionais do setor disseram ao Axios que esperam um grande episódio relacionado à IA entre seis e doze meses. Um ciberataque é considerado o risco mais provável.
A OpenAI afirmou que os cenários servem como ferramentas de preparação, não como previsões.
“… Esses cenários não são tratados como inevitáveis, mas servem para nos preparar para diferentes circunstâncias”, informou o Axios, citando um porta-voz da OpenAI.
Um ataque recente ilustra o panorama. Segundo a CrowdStrike, um único invasor utilizou modelos de IA chineses, incluindo o DeepSeek, para invadir bancos sul-coreanos. Os mesmos registros mostram que o hacker também consultou a ferramenta de codificação Claude Code, da Anthropic, para saber onde vender os dados roubados.
A reportagem também surge poucos dias após a renúncia do responsável por segurança da OpenAI, que alertou que a cultura de tentativa e erro da empresa contribui para o aumento de falhas.
O que Washington faria após um desastre com IA?
As empresas projetam que Dario Amodei, CEO da Anthropic, Sam Altman, CEO da OpenAI, e o presidente Donald Trump seriam responsabilizados. Trump já se posicionou contra a regulação da IA.
Os organizadores assumem que os democratas vão conquistar espaço nas eleições legislativas de novembro e agir rapidamente sobre o tema. Entre as propostas já discutidas estão a proibição da superinteligência, sugerida pelo senador Bernie Sanders, e uma pausa no desenvolvimento de IA proposta pela senadora Elizabeth Warren.
Um projeto de lei bipartidário, o AI Kill Switch Act, permite que o Departamento de Segurança Interna ordene a desaceleração ou suspensão de um sistema de IA considerado perigoso.
Os executivos reconhecem que uma legislação desse tipo não deve avançar no momento. Por isso, estão orientando parlamentares para influenciar as regras que poderão ser estabelecidas após o primeiro incidente grave.
Os organizadores também alertam que desacelerar o avanço da IA pode prejudicar uma economia já dependente do crescimento do setor. Uma assessora democrata citou as respostas bipartidárias à COVID-19 e à crise financeira de 2008 como exemplos de que Washington pode superar divisões partidárias diante de uma emergência.









