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Análise da BloFin Research mostra capital migrando do Bitcoin para o ouro

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Escrito por
BloFin Research

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Editado por
Lucas Espindola

20 janeiro 2026 15:00 BRT
Aviso Editorial: Este conteúdo é um comunicado de imprensa fornecido por um parceiro. O BeInCrypto verifica todos os parceiros antes da publicação, mas as opiniões e declarações expressas não representam nossa equipe editorial e são de responsabilidade exclusiva do provedor. Divulgação
  • O ouro e prata ganham espaço enquanto BTC e ETH passam a se comportar como ativos de risco em dólar.
  • A alavancagem em US$ reduz a independência da cripto frente ao sistema financeiro.
  • Incerteza institucional nos EUA favorece ativos fora da órbita do dólar.

A primeira semana de 2026 trouxe aos investidores um lembrete objetivo: quando a narrativa macroeconômica deixa de ser focada em “crescimento e inflação” e passa para “risco institucional e de governança”, o desempenho não depende mais de qual história parece mais atraente, mas de quais ativos demonstram maior independência sob pressão segundo a BloFin Research.

A força relativa do ouro e da prata, em contraste com a fraqueza de BTC e ETH, evidencia esse reajuste de preços. Ativos considerados “duros” disputam um “prêmio de independência”, enquanto grandes criptoativos passam a ser negociados de forma cada vez mais semelhante a ativos de risco atrelados ao dólar e de alta volatilidade. Isso não significa que a cripto tenha perdido seu argumento de longo prazo.

Na situação atual, o mercado concentra sua atenção em três questões: em que moeda os ativos são liquidados? Quem são os compradores marginais? Em qual categoria de risco o ativo se encaixa dentro do portfólio? Nessas questões, a distância entre metais preciosos e cripto vem aumentando.

Alavancagem em US$ e “risco institucional”

Uma breve retrospectiva mostra o cenário do Bitcoin no último ano. No rali do “Dia da Libertação” em abril passado, o BTC se estabilizou e depois subiu, atingindo um novo recorde de US$ 126 mil seis meses depois. A ideia de “ouro digital” teve influência, mas o principal motor foram os derivativos liquidados em US$.

Entre março e outubro de 2025, o interesse aberto em contratos Delta 1 de BTC subiu de cerca de US$ 46 bilhões para mais de US$ 92 bilhões, garantindo ao ativo suporte expressivo de alavancagem e colaborando para superar o desempenho do ouro no curto prazo. Após o pico, a desalavancagem generalizada do setor e a mudança nas expectativas institucionais causaram uma queda prolongada no BTC; já o ouro, por sua vez, seguiu se valorizando de forma constante.

Fonte: Tradingview

Um detalhe é fundamental: com a consolidação de USDT/USDC e outras stablecoins, a alavancagem denominada em US$ (e não mais alavancagem com margens em cripto) passou a determinar cada vez mais os movimentos marginais.

À medida que a exposição se dá por meio de canais mais padronizados e alavancados — exchanges, contratos perpétuos, produtos estruturados —, o comportamento se assemelha ao de um portfólio financeiro: adiciona-se risco em momentos propícios, corta-se quando há redução do orçamento de risco.

Seja na precificação em US$, nas garantias atreladas ao dólar ou nas operações de hedge com base na curva de juros dos EUA, o BTC se integra com facilidade à lógica de risco baseada no dólar. Por isso, quando a liquidez do dólar é reduzida — qualquer que seja o motivo —, o ativo costuma ser um dos primeiros a sofrer com a redução de risco.

Fonte: Coinglass

Em outras palavras, o mercado não deixou de “acreditar” no ouro digital. Tem tratado cada vez mais o BTC como fator macro negociável — mais próximo de um ativo de alta volatilidade ligado ao dólar do que de uma reserva de valor fora do sistema.

O que é vendido não é tanto o BTC à vista, mas a exposição ao BTC denominada em US$. Quando a alavancagem atinge volumes que levam os fluxos a dominar sobre os fundamentos, o BTC se comporta como ativo clássico de risco, sendo fortemente impactado por liquidez, juros reais e política fiscal.

O cenário do ouro é diferente — ao menos por enquanto. Seu preço ainda segue ditado majoritariamente pela oferta e demanda à vista, em vez da alavancagem. Continua também a ser reconhecido como instrumento monetário e amplamente aceito como garantia: um tipo de moeda forte fora do sistema. Isso o torna um dos poucos ativos não completamente determinados por decisões diárias de política fiscal ou monetária.

Esse aspecto tem relevância neste momento. A administração Trump ampliou a incerteza macroeconômica e regulatória (vide o que ocorreu na Venezuela e em Minnesota). Para quem investe globalmente, manter ativos e exposição em dólar deixou de ser visto como “ancorar o navio em porto seguro”; até mesmo nas esferas de precificação e liquidação, há riscos institucionais mais difíceis de estimar e que desafiam a previsibilidade das normas de mercado.

Diante disso, reduzir a exposição sintética ao risco de políticas dos EUA é uma medida sensata. Ativos mais vinculados ao sistema do dólar e que se comportam como ativos de risco em períodos de estresse tendem a ser descartados primeiro. Por outro lado, ativos mais distantes do crédito soberano e menos dependentes de infraestrutura financeira “permissionada” se destacam em modelos similares de risco.

Essa situação representa um desafio para a cripto e favorece os metais preciosos: a independência é central. Quando o mercado teme mudanças nas diretrizes políticas e regras menos confiáveis, o ouro (e outros metais preciosos) passa a receber um prêmio de independência maior.

Desde 2025, esse prêmio ficou mais evidente. Um bom comparativo é entre prata e ETH. No imaginário público, a ETH foi chamada de “prata digital” (e, durante a era PoW, poderia ser considerada assim). Ambas já foram vistas como ativos de menor capitalização, mais sujeitos a squeezes e movimentos impulsionados por alavancagem.

No entanto, a ETH, um ativo de perfil próximo a ações e muito ligada ao sistema do dólar, perdeu há tempos seu prêmio de independência. Já a prata, histórica “moeda forte offshore”, não perdeu essa característica. Fica evidente que investidores pagam mais caro por essa independência.

O “pagamento” da independência ficou claro: ao longo do ano, a prata subiu 165,78% e a ETH registrou queda de 5,01%. Fonte: TradingView.

O “desconto beta do dólar”

A alavancagem denominada em US$ também explica por que o mercado de opções mantém visão estrutural de baixa para BTC e ETH. O “efeito Ano Novo” impulsionou ambos temporariamente nos primeiros dias, mas não alterou a posição de prazo mais longo.

Ao longo do mês, enquanto investidores continuam precificando o crescimento do risco institucional em ativos em dólar, a perspectiva de baixa de longo prazo para BTC e ETH só aumentou. Até que a participação da alavancagem em US$ caia de maneira expressiva, a “independência diante da incerteza institucional” deve seguir como princípio norteador do mercado.

Fonte: Amberdata Derivatives
Fonte: Amberdata Derivatives

Ao mesmo tempo, com as expectativas de valorização para ativos atrelados ao dólar sendo reavaliadas, investidores exigem maior prêmio de risco. O rendimento do Tesouro dos EUA com vencimento em dez anos segue elevado, em torno de 4,2%. Como o Tesouro e o Federal Reserve não conseguem determinar totalmente o preço desta duração, tal nível aumenta a taxa mínima exigida para ativos de risco.

No entanto, o chamado “desconto beta do dólar” relacionado à alavancagem em US$ comprime o retorno futuro implícito para BTC e ETH (para 5,06% e 3,93%, respectivamente). O BTC ainda pode parecer aceitável; o ETH, bem menos. O ETH, portanto, sofre um desconto beta do dólar mais acentuado: seus rendimentos não são competitivos e o potencial de valorização está limitado. Nada disso impede o potencial de longo prazo do Ethereum, mas altera as decisões de alocação considerando um horizonte anual.

Fonte: ustreasuryyieldcurve.com

Ainda assim, a cripto pode reagir: caso as condições financeiras se tornem mais flexíveis, a incerteza nas políticas diminua ou o mercado volte a priorizar crescimento e liquidez, ativos de alta volatilidade tendem a responder. Contudo, investidores de perfil macroeconômico voltam a atenção à taxonomia. Quando predomina a incerteza institucional, a cripto se comporta como ativo de risco; metais preciosos assumem papel mais próximo a “ativos de excepcionalismo”.

Essa é a mensagem para o início de 2026: a cripto não “fracassou” — apenas perdeu, por ora, seu espaço como ativo independente nesse ambiente macroeconômico.

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