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Strategy esclarece ponto crítico real: o que acontece primeiro em uma queda do Bitcoin

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Escrito e editado por
Lucas Espindola

06 fevereiro 2026 08:30 BRT
  • Strategy diz que uma queda de 90% do Bitcoin para US$ 8 mil pressionaria seu modelo de tesouraria lastreado em dívidas.
  • Executivos destacam que reestruturação ou financiamento ocorreria antes de vendas forçadas de Bitcoin em quedas extremas.
  • Divulgação destaca riscos de alavancagem enquanto volatilidade do Bitcoin testa confiança dos investidores e resiliência das estratégias.
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A Strategy divulgou seu relatório de resultados do quarto trimestre de 2025 e, juntamente com ele, revelou um cenário extremo de queda que começaria a pressionar seu modelo de tesouraria de Bitcoin.

As declarações do CEO trouxeram uma rara análise sobre até onde o mercado poderia recuar antes que a estrutura de capital da companhia passasse por forte pressão.

Strategy revela qual seria seu ponto crítico

Durante a divulgação dos resultados mais recentes, o CEO da Strategy, Phong Le, afirmou que uma queda de 90% no preço do Bitcoin, para cerca de US$ 8 mil, marcaria o ponto em que as reservas em BTC da empresa equivaleriam à sua dívida líquida.

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Desempenho do preço do Bitcoin. Fonte: TradingView
Desempenho do preço do Bitcoin. Fonte: TradingView

Nesse patamar, a companhia provavelmente não conseguiria quitar os títulos conversíveis apenas com suas reservas de Bitcoin. Assim, poderia ser necessário considerar reestruturação, emissão de novas ações ou captação adicional de dívida ao longo do tempo.

A liderança ressaltou que vê esse quadro como altamente improvável, e que se desenrolaria ao longo de vários anos, o que daria margem de resposta caso o mercado sofresse uma deterioração expressiva.

“No extremo, se enfrentássemos uma queda de 90% no preço do Bitcoin para US$ 8.000, o que é difícil de imaginar, esse seria o momento em que nossa reserva de BTC se igualaria à nossa dívida líquida e não poderíamos então quitar os títulos conversíveis apenas com nosso Bitcoin; avaliaríamos reestruturação, emissão de mais ações, emissão de dívida adicional. E lembro que: isso está projetado para os próximos cinco anos. Portanto, neste momento, não estou preocupado mesmo se o Bitcoin cair”, afirmou Le.

Vale ressaltar que as falas de Le ocorrem poucos meses após o executivo da Strategy ter admitido uma situação que poderia levar a empresa a vender Bitcoin. Conforme reportado pelo BeInCrypto, Phong Le condicionou a venda do ativo a gatilhos ligados ao mNAV e a dificuldades de liquidez.

Em participação no What Bitcoin Did, Phong Le detalhou o gatilho exato que forçaria a liquidação de Bitcoins:

  • Primeiro, o papel da empresa teria que ser negociado abaixo de 1x mNAV, ou seja, o valor de mercado ficaria inferior ao valor das reservas em Bitcoin.
  • Segundo, a Strategy teria que não conseguir captar novos recursos via ações ou dívida, seja por fechamentos no mercado de capitais ou por custos excessivos de captação.

Portanto, a declaração mais recente não contradiz a posição anterior de Phong Le, mas acrescenta uma nova camada de risco à estratégia.

Antes, a venda de Bitcoin dependia da negociação abaixo do mNAV e de dificuldades no mercado de capitais. Agora, ele esclarece que, em uma queda extrema de 90%, o desafio imediato seria o serviço da dívida, provavelmente enfrentado por meio de reestruturação ou nova captação — e não necessariamente pela venda de Bitcoin.

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Exposição maciça ao Bitcoin resulta em grandes perdas

A Strategy segue como maior investidora corporativa de Bitcoin do mundo, reportando 713.502 BTC no início de fevereiro de 2026. As aquisições ocorreram a um custo total aproximado de US$ 54,26 bilhões, conforme divulgaram os resultados financeiros do quarto trimestre.

No entanto, a queda do Bitcoin nos últimos meses de 2025 afetou de maneira significativa o balanço. A companhia registrou US$ 17,4 bilhões em perdas não realizadas em ativos digitais no trimestre e prejuízo líquido de US$ 12,4 bilhões. Isso evidencia a sensibilidade do desempenho financeiro às oscilações do mercado.

Ao mesmo tempo, a Strategy continuou a levantar capital significativo. Segundo a companhia, foram captados US$ 25,3 bilhões em 2025, tornando-se uma das maiores emissoras de ações nos Estados Unidos.

Além disso, teria sido formada uma reserva de US$ 2,25 bilhões destinada à cobertura de cerca de dois anos e meio de pagamento de dividendos e juros.

De acordo com a diretoria, essas iniciativas fortalecem a liquidez e oferecem mais flexibilidade até mesmo em períodos de pressão nos mercados.

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Volatilidade do Bitcoin evidencia o risco

A divulgação ocorre em meio a forte volatilidade nos mercados de cripto. O Bitcoin chegou a ser negociado próximo a US$ 70 mil no início de fevereiro antes de cair em sequência até a mínima intradiária de US$ 60 mil em 6 de fevereiro. Isso ilustra a velocidade com que movimentos de preço podem alterar a perspectiva para estratégias financeiras altamente alavancadas.

A estrutura de capital da Strategy depende do uso intenso de dívida, ações preferenciais e instrumentos conversíveis para acumular Bitcoin ao longo dos anos.

Essa abordagem potencializou ganhos em períodos de alta, mas intensifica perdas durante quedas, atraindo críticas de analistas e investidores.

Apesar dos riscos, a liderança da empresa afirma que o perfil de longo prazo das dívidas dá tempo para administrar os ciclos, o que, segundo eles, reduz o risco de liquidações forçadas no curto prazo.

Saylor reforça aposta em tese de longo prazo

Em outra frente, o presidente executivo Michael Saylor reafirmou sua confiança no Bitcoin, mesmo após os recentes prejuízos, classificando-o como a “transformação digital do capital” e recomendando aos investidores que “HODLem”.

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Saylor e outros executivos afirmam que o Bitcoin segue sendo a forma mais resistente de dinheiro e que o planejamento de longo prazo da empresa está baseado em manter o ativo por tempo indefinido, e não em tentar ajustar-se aos ciclos de mercado.

A empresa também ampliou suas ações de engenharia financeira, como o crescimento dos instrumentos de Crédito Digital e das ofertas de ações preferenciais. Segundo a administração, essas iniciativas buscam reduzir a volatilidade e diversificar fontes de recursos, além de permitir a continuidade da acumulação de Bitcoin.

Investidores divididos sobre os riscos à frente

A reação do mercado às divulgações de resultados e ao cenário de queda foi dividida. Para apoiadores, as grandes reservas em Bitcoin da Strategy, a capacidade de emitir ações e a dívida com vencimento em vários anos garantem flexibilidade para enfrentar até crises acentuadas.

Já críticos alertam que um mercado de baixa prolongado pode impor decisões difíceis. Riscos apontados por investidores incluem diluição dos acionistas, pressão sobre a estrutura de capital ou até a necessidade de vender Bitcoin caso o acesso a recursos fique mais restrito.

“Atualmente, a empresa enfrenta um prejuízo expressivo de -US$ 7,3 bilhões com seus investimentos em Bitcoin”, afirmou Jacob King.

Até o momento, a Strategy mantém sua postura de alta convicção. No entanto, ao admitir que suas reservas em Bitcoin poderiam igualar o valor da própria dívida, a companhia deixou claro que até as estratégias corporativas mais agressivas para Bitcoin têm um limite teórico, determinado não só pelos preços de mercado, mas também pelo alcance do próprio endividamento.

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