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Metaverso chegará à Era Exponencial ou se tornará realidade virtual?

6 mins
Atualizado por Júlia V. Kurtz

EM RESUMO

  • O conceito do Metaverso está em um ponto de inflexão e as pessoas ou descartam seu potencial ou são crentes obstinados.
  • O enigma dos dispositivos.
  • Porque a indústria precisa esclarecer os resultados antes de tentar convencer o mundo de que metaverso é a bola da vez?
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Desde que escrevi o artigo sobre por que toda empresa deveria experimentar tokens não fungíveis (NFTs) e o metaverso no final de 2021, as tendências de tráfego a respeito do tema no mundo continuaram caindo para próximo de zero.

comentamos nesta coluna que o metaverso será uma das próximas tendências daqui a 10 ou 15 anos, e alertamos sobre a dificuldade de definir o que ainda está em construção.

metaverso

É importante ter em mente que foi o conceito de metaverso quem ganhou o mainstream na carona da mudança de nome do Facebook para Meta no final de outubro de 2021.

Rapidamente, o metaverso se tornou a palavra-chave corporativa no final de 2021 e início deste ano, o que motivou uma enxurrada de declarações, relatórios e divulgação de futuros projetos relacionados ao metaverso para aproveitar, como se diz no jargão popular, a crista da onda.

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Mas o hype está desaparecendo rapidamente, evidenciando que o interesse do grande público no metaverso irá se esgotar muito antes de ele se tornar realidade. O que é natural, segundo o Gartner Hype Cycle.

Porque muitos estão desencantados com o status atual do Metaverso?

Para responder a esta pergunta, sabiamente Marc Petit, vice-presidente da Epic Games e gerente geral da Unreal Engine, disse sem rodeios: “As pessoas meio que perderam o interesse no Metaverso, porque os personagens parecem desenhos animados sem pernas. Quero dizer, quem quer ser isso? Isso não é atraente.”

Embora esta seja uma excelente explicação para a queda no interesse do público pelo Metaverso, o fato é que não é só isto.

O buraco é mais embaixo: as pessoas estão confusas

A maioria da população – especialmente aqueles que não estão envolvidos ou conhecedores do espaço tecnológico – ainda não entende o que é o Metaverso, ou melhor, o que será o Metaverso (porque ele ainda não é uma realidade como muitos preconizam, como veremos adiante), ou porque deveriam se preocupar com isso.

Recentemente, me convidaram para participar de um painel em um podcast no qual o tema central era a prática de ilícitos metaverso e as perguntas eram feitas como se o metaverso já estivesse em pleno funcionamento.

Tive de fazer uma ressalva, com muito tato, para explicar que o metaverso ainda não é uma realidade, e que, atualmente, temos mundos virtuais que ainda não formam o metaverso, pois não estão interconectados entre si. Ou seja, ainda não é possível migrar do Decentraland para o Roblox como se viaja de um país a outro.

Mas esta confusão não é à toa. Muitos não se atentam, quando escutam sobre os usos ‘potenciais’ e fãs dedicados gritando “o futuro já chegou”, que cada anúncio ou demo ou lançamento vem com a ressalva de que “faltam 10 a 15 anos”.

E a população em geral não fica empolgada com coisas tão distantes. Também não é necessariamente uma confusão relacionada à idade.

Recente pesquisa da “Taking Stock of Teens” descobriu que 50% dos adolescentes não têm certeza do Metaverso ou não têm intenção de comprar um dispositivo VR.

Além disso, outro estudo do final de 2021 realizado pela “Forrester” mostrou que apenas 34% dos adultos online estavam empolgados com o Metaverso e menos de 30% achavam que seria bom para a sociedade.

O conceito do metaverso está em um ponto de inflexão; e as pessoas ou descartam seu potencial ou são crentes obstinados.

Mesmo as empresas que o impulsionam não têm certeza de como isso acontecerá.

A indústria precisa esclarecer os resultados

Primeiro, porque nem tudo que está aí fará parte o Metaverso.  Como assim?

Meta popularizou o “termo” Metaverso e lidera a frente dos chamados “Walled Gardens”, Jardins Murados onde empresas possuem e lucram com os dados do usuário. 

Apesar do nome remeter à palavra Metaverso, o que o projeto Meta pretende é garantir que bilhões de pessoas que já criam valor para as redes sociais, continuem a fazê-lo, prolongando o modelo centralizado da Web 2.0, onde as redes sociais “são” a Internet para os 2,7 bilhões de usuários do grupo.

Mas a internet é muito mais abrangente que as redes sociais. E a Web 3.0, seu próximo estágio de evolução, têm principais características uso de blockchain, realidade aumentada e realidade virtual, gráficos 3D, inteligência artificial e redes peer-to-peer que são descentralizadas.

Bem por isto, gente de peso têm investido bilhões de dólares em soluções descentralizadas, como os irmãos Tyler e Cameron Winklevoss, através da “Gemini Space Station LLC”. Nessa mesma linha, centenas de startups de blockchain têm recebido aportes bilionários para construir uma versão descentralizada de “realidade aumentada” e holográfica da internet, com foco na Web 3.0 e na ideia original de metaverso dos anos 70.

Neste contexto, as soluções descentralizadas devem liderar essa corrida ao metaverso, que nada mais é do que o agrupamento emergente da fusão de todos os processos e propriedades relacionadas à Web3. Elas fornecem ferramentas para qualquer pessoa possa construir (e monetizar) no metaverso.

Uma longa estrada à frente do metaverso

Claro que a integração dos NFTs aos mundos virtuais do metaverso via tecnologia blockchain, deu início a uma enorme transformação em nossas interações digitais, com impacto inclusive no mundo real.

E percebendo isto, grandes marcas globais como a Adidas, se movimentaram para interagir com seus consumidores onde eles estão, lançando NFTs para aproveitar a infinidade de oportunidades de interação existente nos mundos virtuais como o The Sandbox.

Não podemos perder de vista que os mundo virtuais atuais, que ainda não são o metaverso, como o Wendyverse, o Snoopverse e o Decentraland ainda enfrentarão uma longa estrada pela frente.

 Até que os criadores desses mundos virtuais possam replicar as maravilhas do mundo que estão tentando substituir – (por exemplo, com uma qualidade de imagem realmente descente) — continuará sendo difícil convencer as pessoas a ficarem animadas.

O que quero dizer com isso? Aquela cerveja “pixelizada” consegue deixar você com acha na boca?

O enigma dos dispositivos

Os meios de entrada no Metaverso são ainda bem rústicos.

O The Oculus e os vários concorrentes que já estão aqui (ou em breve estarão aqui, olhando para você) são em sua maioria incômodos, com um design muitas vezes não atrativo, e fazem muitos usuários sentirem náuseas.

Como resultado, a adoção dos dispositivos tem sido lenta.

Claro que luvas e outras tecnologias estão sendo desenvolvidas para melhorar a interação com o mundo virtual. Mas se o futuro Metaverso (que ainda está em gestação), exigir uma adaptação, haverá um grande ponto de atrito para entrar nos mundos virtuais – o que retardará significativamente a adoção generalizada. Aqui, vale mencionar que para muitos, óculos inteligentes ou AirPods serão o ponto de entrada mais aceito e acessível se/quando isso decolar.

Mas mesmo essas tecnologias têm grandes problemas a serem superados, principalmente a privacidade/segurança de quem não usa óculos.

Some-se a isto o fato de muitas empresas de tecnologia possuirem um histórico de políticas de privacidade ruins; adicionar itens de tecnologia vestíveis (wearables) é uma receita para o desastre.

Inovações e iterações provavelmente resolverão o enigma dos dispositivos – mas ainda estamos longe de saber como isto se dará.

Takeaway: como será nosso dia a dia quando tudo o que é prometido acontecer?

Muitos me perguntam, e não são poucos, se estivermos conectados a um mundo virtual por meio de dispositivos, como podemos acompanhar o que está acontecendo ao nosso redor no mundo físico?

Note que “virtual” não necessariamente significa o melhor.

E é por isto que os críticos do Metaverso, desconhecendo sua verdadeira origem, argumentam que o maior obstáculo que o Metaverso tem que superar é convencer a população em geral de que uma conexão – totalmente virtual – é melhor do que a interação física.

Realmente, humanos conduzindo 100% de seu trabalho, lazer e vida social por meio de um mundo virtual, traria consequências perigosas para a sociedade, como por exemplo vícios, problemas de saúde mental, sem contar uma verdadeira revolução no que fazemos e como gerenciamos relacionamentos e amizades.

Mas o que os céticos sobre o Metaverso muitas vezes desconhecem, é que a ideia original do Metaverso (como já comentei aqui), é que ele nos traria um futuro phígital. Ou seja, a interação entre o mundo real e o mundo virtual, o que é conhecido por Metaverso funcional.

De todo modo, se o metaverso, que hoje ainda é apenas um conceito em construção, conseguirá chegar à Era Exponencial, preconizada pelos primeiros tecnólogos da internet, ou se ficará pelo meio do caminho, como mera realidade virtual, ainda é muito cedo para saber.

E você, achava que o metaverso já era uma realidade? Já sabia da existência dos “Walled Gardens”? Acha que o mundo será descentralizado, ou o rumo da construção do Metaverso acompanhará as atuais preocupações com a construção da Web3?

Conhecimento é poder!! Nos vemos em breve!

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Tatiana Revoredo
Tatiana Revoredo é membro fundadora da Oxford Blockchain Foundation. LinkedIn Top Voice em Inovação e Tecnologia. Estrategista Blockchain pela Saïd Business School, University of Oxford. Especialista em Blockchain Business Applications pelo MIT. Especialista em Artificial Intelligence & Business Strategy pelo MIT Sloan & MIT CSAIL. Especialista em Cyber-Risk Mitigation pela Harvard University. Convidada pelo Parlamento Europeu para a “The Intercontinental Blockchain Conference”....
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