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Combinado metaverso, Web3 e blockchain

7 mins
Atualizado por Júlia V. Kurtz

EM RESUMO

  • Quais as tendências nos próximos 10-15 anos? Como definir o que está ainda em construção?
  • Por que o metaverso não será a Web3.0? A Web3 irá substituir completamente a Internet como conhecemos? Como será a Web3 afinal?
  • Blockchain no centro das críticas da atual infraestrutura da Web3. Possibilidades.
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Ao olharmos no Trends, a ferramenta de análise dos temas mais buscados no Google, veremos que nos últimos doze meses o Tsunami NFT parece ter cedido seu lugar para metaverso, web3 e blockchain.

E isto porque essas são as três tendências que irão moldar o mundo nos próximos 10-15 anos:

  • O metaverso e sua proliferação em todos os aspectos da sociedade
  • Web3 e a democratização da Internet
  • Blockchain como camada de rede fundamental para modelos econômicos descentralizados.

São essas tendências que serão objeto no nosso artigo de hoje.

Como definir o que ainda está em construção?

Nos primórdios da internet na década de 60, e no início da Word Wide Web nos anos 90, nem imaginávamos para essas tecnologias emergentes nos levariam, e nem que a dimensão que proporcionariam a empresas como Google, Amazon ou Uber.

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Aliás, no seu início, muitos até achavam que a internet seria uma “moda passageira, já que muitos desistem dela”, segundo manchete do Daily Mail do dia 5 de dezembro de 2000.

Da mesma forma, Web3.0, metaverso e blockchain são termos difíceis de definir, porque ainda estão em construção.

Para ajudar na compreensão deste artigo, usaremos as duas definições abaixo, com as ressalvas que acabamos de ver nos parágrafos anteriores.

Metaverso é, a princípio, um espaço online de mundos 3D interconectados, onde as pessoas, através de avatares, poderão socializar, trabalhar, fazer compras, jogar e muito mais. E sua evolução, graças aos tokens não fungíveis (NFTs) em blockchain, nos levará ao Metaverso Funcional, com potencial de alterar fundamentalmente a forma como as pessoas interagem com o mundo digital e o transcendem, fundindo-o como o mundo real.

Web3 é uma camada de identidade para a Internet. A Web3 é uma forma dos criadores de conteúdo não apenas compartilharem o que produzem em uma plataforma, mas realmente possuírem a propriedade de seus conteúdos, sendo recompensados por isto.

Blockchain é uma tecnologia de núcleo que nos ajuda a eliminar o problema de gasto duplo, nos permite a intermediação direta, e torna possível a “Internet de valor” . Isto é, possibilita a transferência da propriedade de um ativo em meio digital sem intermediários.

Metaverso não será a Web3

Com base nos conceitos acima, já conseguimos visualizar que Metaverso não é e nem será a Web3.

Enquanto Web3 ou Web 3.0 é uma visão da internet do futuro, o metaverso é uma visão de como a Internet se integrará perfeitamente em nossa vida diária.

Vamos compreender isto melhor.

O que se sabe até agora é que o metaverso dependerá fortemente (mas não exclusivamente) de tecnologias como realidade virtual (VR), realidade aumentada (AR) e realidade mista (MR) para possibilitar experiências reais-virtuais aos usuários.

AR e VR e MR já estão imergindo as pessoas em alternativas cada vez mais realistas, mas ainda precisam se tornar tecnologias onipresentes em nossas vidas para realmente chegarmos ao Metaverso.

Já Web3.0 será o próximo estágio da Internet.

Se a Web 2.0 é a evolução da Internet que foi construída sobre conteúdo participativo e gerado pelo usuário nas plataformas de mídia social disponibilizadas pelas Big Techs, a Web3.0 é o próximo passo nesta evolução; pense em uma Internet descentralizada, construída sobre um blockchain.

A Meta vai monopolizar o metaverso?

Até agora, Meta, Microsoft, NVIDIA, Unity e Snapchat estão todos tentando construir o metaverso, embora ainda não esteja claro se, e até que ponto, seus esforços serão coordenados.

A Coréia do Sul também anunciou um plano de cinco anos para entrar no espaço com a Metaverso Seul.

Mas, tecnicamente falando, nenhuma empresa pode monopolizar o metaverso – embora isso não signifique que elas não vão tentar.

A tecnologia para realizar a visão do metaverso ainda precisa se tornar acessível, o que só acontecerá depois que mais empresas de tecnologia entrarem no “play”.

Para construir o Metaverso ainda é necessário o desenvolvimento tanto de infraestrutura web e hardwares (como fones de ouvido, óculos, luvas de dados, dentre outros), quanto o maior número possível usuários reais, abordo.

Some-se a isso, os investimentos na casa dos bilhões de dólares que estão sendo destinados a soluções descentralizadas para o Metaverso, em total consonância com o espírito da Web3.

A Web3 irá substituir completamente a internet como conhecemos?

É verdade que já estamos assistindo à fuga de muitos usuários das plataformas de mídia social tradicional. Mesmo assim, é improvável que Web3 se sobreponha à Web 2.0 e esta desapareça completamente.

A Web3 virá, e coexistirá ao lado da Web 2.0 – que é a internet usamos hoje.

Note que muitas destas empresas já estão investindo em equipes – dedicadas a acrescentar funcionalidades da Web3.0 aos seus produtos, e em tecnologias de suporte como blockchain.

Como será a Web3 afinal?

Imagine se as plataformas de mídia social e os mecanismos de busca não fossem mais de propriedade, nem controlados pelas grandes empresas de tecnologia; mas sim construídas sobre a tecnologia blockchain, responsável pela transmissão descentralizada entre sistemas e por devolver a propriedade dos dados ao seu verdadeiro dono: o ser humano.

Em um mundo perfeito, a Web3.0, também chamada de Web Descentralizada, nos proporcionaria total privacidade em um mundo totalmente descentralizado, sem violação e extração de dados não consentidos, ou violações de privacidade.

Blockchain no centro das críticas da atual infraestrutura da Web3

Muitos ainda questionam se realmente teremos uma Web3.0 descentralizada, capaz de garantir a tão desejada privacidade e descentralização.

Dentre os céticos está o criptógrafo Matthew Rosenfeld, mais conhecido como Moxie Marlinspike, criador do app de mensagens criptografadas “Signal”.

Em um ensaio recente, a Moxie fez várias críticas às muitas atividades que usam a tecnologia blockchain e que tornarão possível a Web3.0.

“Tanto trabalho, energia e tempo se dedicaram a criar um mecanismo de consenso distribuído”, escreveu Marlinspike, “mas praticamente todos os “clientes” que desejam acessá-lo virtualmente o fazem simplesmente confiando nos resultados dessas duas empresas sem qualquer outra verificação”.

Segundo ele, aplicativos baseados em blockchain dependem muito de APIs, que possibilitam a comunicação de um software com outros softwares.

Em sites Web2, por exemplo, as APIs permitem que você faça um perfil com um game móvel usando suas credenciais do Facebook. E na Web3, muitos aplicativos descentralizados (dApps) usam APIs para se conectar a redes blockchain como Ethereum, em vez de se conectarem diretamente entre si.

Além disso, o mercado já se consolidou em torno de dois provedores, Alchemy e Infura, que alimentam o grosso dos dApps no Ethereum – blockchain mais popular para desenvolvedores de software. Isto é, em vez de confiar no Ethereum, é preciso confiar na Infura ou na Alechemy.

Também, as corretoras de criptoativos, onde os usuários podem comprar e vender criptomoedas como Bitcoin e Ether, são dominadas pela Binance, que tem três vezes mais volume de negociação que sua concorrente mais próxima.

A MetaMask, de propriedade da empresa matriz Infura ConsenSys, também se tornou a carteira digital dominante para o Ethereum – onde é possível armazenar seus NFTs.

Também, a OpenSea controla essencialmente o mercado NFT, processando 84% dos 2,7 bilhões de dólares gastos em transações NFT peer-to-peer em dezembro de 2021.

Por fim, mais da metade de todas as stablecoins em circulação são Tethers (USDT), uma moeda controlada pela corretora cripto Bitfinex.

Para Moxie, algumas empresas dominantes estão ganhando uma participação maciça no mercado através de plataformas que prometem nos levar a próxima iteração da Internet às massas. Mas isso não é mais do mesmo?

Apesar da atual infraestrutura da Web3 ainda estar muito “centralizada” – o que é o atual padrão da Web 2 –, muitos discordam do pessimismo de Moxie.

Vitalik Buterin, em um post no Reddit, apesar de reconhecer que a segunda parte das críticas à atual infraestrutura da Web3 tem sua razão de ser, lembrou que a palavra “servidor” não é muito útil num contexto blockchain.

E então, explicou brilhantemente seu contraponto, usando as maneiras que um usuário pode se conectar a um blockchain para demonstrar o porquê blockchains são sim o futuro da descentralização, privacidade da autocustódia e da tão aguardada Web3.

Quanto à privacidade, ao contrário da afirmação de Moxie (de que há pouca criptografia envolvida em cripto), Vitalik lembra que há muitas equipes com foco na implementação e pesquisas ativas para fazer acontecer em algumas das mais avançadas criptografias existentes, como por exemplo Verkle trees, ZK-SNARKs da EVM, BLS signature aggregation, dentre outros.

Vale a pena ler na íntegra o post de Vitalik.

Possibilidades

Tanto a Web3 quanto o metaverso e a própria tecnologia blockchain ainda estão em construção.

E eles ainda levarão algum tempo para nos mostrarem todo o seu potencial. Afinal, muitos recursos técnicos e de financiamento são limitados.

Some-se a isto o fato de que é necessário um esforço extremamente sério e direcionado para fazer tudo da maneira certa, assim como é mais fácil construir as coisas da maneira centralizada.

Recentemente, vimos um exemplo disto, quando novas redes blockchains com rápido crescimento tiveram sua segurança cibernética comprometida e estão pagando caro por darem preferencia à escalabilidade, em detrimento da descentralização.

Claro que ainda há muitos desafios a serem superados, antes de redes sociais, jogos, mensagens e pagamentos se tornarem verdadeiramente descentralizados, em plataformas Blockchain que serão a camada de rede base para a quase totalidade dos modelos de negócio na Web3 e Metaverso.

Apenas quando olharmos sob uma perspectiva mais ampla, é que conseguimos perceber como é só questão de tempo para que essas tecnologias de núcleo realmente nos mostrem a que vieram.

Não duvide que daqui a alguns anos, teremos o Metaverso e uma Web de dados genuinamente descentralizada, graças a tecnologia Blockchain, peça chave para esta transformação.

E você, tem acompanhado as notícias sobre Web3, Metaverso e Blockchain? Está otimista quanto às transformações que esse novo padrão tecnológico nos trará? Sabe por que a descentralização é importante para superar a atual crise de confiança que vivemos no mundo atual?

Reflita sobre isto até nosso próximo encontro. Nos vemos em breve!

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Tatiana Revoredo
Tatiana Revoredo é membro fundadora da Oxford Blockchain Foundation. LinkedIn Top Voice em Inovação e Tecnologia. Estrategista Blockchain pela Saïd Business School, University of Oxford. Especialista em Blockchain Business Applications pelo MIT. Especialista em Artificial Intelligence & Business Strategy pelo MIT Sloan & MIT CSAIL. Especialista em Cyber-Risk Mitigation pela Harvard University. Convidada pelo Parlamento Europeu para a “The Intercontinental Blockchain Conference”....
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