A Méliuz (CASH3) realizou a venda de 78 unidades de Bitcoin (BTC) por R$ 29,4 milhões para financiar um programa de recompra de suas próprias ações. A operação, divulgada na quarta-feira (4), permitiu que a companhia de tecnologia executasse a estratégia de gestão de capital sem recorrer a empréstimos ou ao aumento de seu endividamento financeiro.
A movimentação financeira ocorre em um momento em que diversas companhias globais reavaliam como as tesourarias corporativas de Bitcoin podem impactar o valor para o acionista. Para a Méliuz, a venda pontual de parte das reservas não significa uma saída definitiva do ativo, mas sim uma manobra tática para otimizar a estrutura de capital enquanto mantém a exposição ao mercado de criptoativos.
Gestão de tesouraria e derivativos
Para garantir que a venda dos 78 bitcoins não representasse uma perda permanente de exposição à valorização da moeda, a empresa estruturou contratos de opções de compra, conhecidos como calls. Esse mecanismo assegura o direito de readquirir o mesmo montante de ativos digitais em 2027, com um custo máximo fixado em US$ 75 mil por unidade, totalizando US$ 5,85 milhões.
A estratégia financeira da companhia tem sido objeto de análise por investidores que observam como grandes nomes do mercado, a exemplo de Ricardo Salinas defendendo o Bitcoin, buscam alternativas ao sistema fiduciário tradicional. No caso da Méliuz, o uso de derivativos permite que a empresa capture ganhos de mercado enquanto utiliza o caixa gerado para reduzir o número de ações em circulação, o que pode elevar o lucro por ação para os investidores remanescentes.
Resultados operacionais e indicadores
O balanço do terceiro trimestre de 2026 mostrou um lucro líquido recorde de R$ 113,7 milhões, impulsionado significativamente pela valorização das reservas de Bitcoin mantidas pela companhia. O resultado positivo de R$ 78,5 milhões, classificado como efeito não caixa, reflete a alta do preço do ativo digital no período.
O indicador de eficiência operacional, o EBITDA, atingiu R$ 85,3 milhões, superando os R$ 26,1 milhões registrados no mesmo período do ano anterior. A empresa encerrou setembro com 526,7 bitcoins sob custódia, adquiridos a um preço médio de US$ 103.321,60.
Embora a venda tenha reduzido temporariamente o estoque de moedas em 12,9%, a administração projeta que, após a conclusão da recompra via opções, o estoque retornará a 604,7 unidades. Esse movimento deve elevar o rendimento do indicador de Bitcoin por mil ações para 0,00628, representando um avanço de 17,4% em relação a setembro de 2025.
O que observar a seguir
O mercado deve acompanhar a execução dos contratos de opções até 2027, data em que a empresa poderá exercer o direito de recompra dos ativos. A eficácia dessa manobra dependerá da cotação do Bitcoin no momento do exercício e da performance das ações da companhia na B3.
A Méliuz não informou detalhes adicionais sobre possíveis novas vendas de reservas ou alterações na política de tesouraria para os próximos trimestres. A empresa segue como pioneira na América Latina ao adotar o modelo de negócios de tesouraria em Bitcoin, enfrentando os desafios de volatilidade inerentes a esse tipo de alocação.











